O grito de Ipiranga de Carlos Carvalhal

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Dia 21 de dezembro do ano volvido, ocorreram vários jogos para a disputa da final four da Taça da Liga Portuguesa.

Em questão o grupo C, que partiria para a última jornada com o Rio Ave FC e Portimonense SC a dependerem de si mesmos para a passagem à próxima fase, seguidos do Sporting CP e em último lugar, e já sem qualquer hipótese de qualificação, o Gil Vicente FC.

Os jogos marcadores eram Rio Ave FC vs Gil Vicente FC e, na outra partida do grupo, Portimonense SP vs Sporting CP. Haveria um claro favoritismo dos vila-condenses para a passagem à próxima fase da competição.

Em Vila do Conde, os rioavistas foram sempre superiores, com as poucas oportunidades de perigo a surgir sempre perto da baliza do Gil Vicente, porém Vítor Oliveira montou a equipa para não dar presentes de natal antecipados aos adversários. Enquanto que, de repente, o Sporting viraria o jogo em Portimão e os vila-condenses com apenas um tento garantiam a presença em Braga.

A emoção começou a tomar conta da equipa da casa, que ao minuto 82 conseguiu colocar a bola nas redes gilistas, os ânimos começaram a exaltar-se quando o arbitro André Narciso marcara falta durante a jogada e, consequentemente, anulou o primeiro golo do jogo. A contestação ao juiz da partida aumentou de tom aos 94 minutos, numa jogada em que André Vítor, supostamente, cometera penálti. Após a conversão da grande penalidade, estaria dada a machadada final nas aspirações vila-condenses para passagem à próxima ronda, um a zero que daria ao Sporting acesso à final four.

Chegada a flash interview, Carlos Carvalhal, deu uma espécie de grito do Ipiranga, sobre o estado de futebol português e a influência dos árbitros no mesmo, claramente transtornado com a situação, revelou que iria pedir a demissão do comando técnico da equipa. O português rematou ainda: “Isto não é o meu futebol, o meu futebol, o meu jogo” e “andamos a mentir uns aos outros, é o VAR, é não sei o quê, então eu tenho direito de não querer isto”. O transtorno do treinador era gigante, algo que é cada vez mais recorrente na nossa liga e nas competições internas e o VAR, que à partida seria a solução para recorrente contestação, gozou do efeito contrário, as decisões tornaram-se cada vez mais discutidas, os erros mais evidentes para quem vê de fora e a objeção aumenta a cada dia que passa.

Após acalmar os ânimos e reunir com o presidente do clube, Carlos Carvalhal anunciou, em conferência de imprensa, que teria mudado de ideias após a conversa com António Silva Campos, a frustração sentida no pós-jogo fora deixada de parte e está motivado para continuar ao leme do Rio Ave FC.

Carlos Carvalhal continua em Vila do Conde
Fonte: Rio Ave FC

Estas situações tendem a repetir-se num futuro próximo. Este desporto leva as emoções a extremos e os intervenientes são aqueles que mais sofrem pois dependem do que se passa em campo. No entanto, a interferência que os árbitros efetuam em alguns jogos pode ser mote para algumas revoluções, se assim as possamos chamar, como a de Carlos Carvalhal.

A dúvida que fica no ar é: por que razão as queixas contra a arbitragem tornam-se cada vez mais tumultuosas e ninguém faz nada?

Foto de cada:  Swansea AFC

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Ricardo Rafael Silva
Ricardo Rafael Silvahttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo Rafael é um jovem estudante de ciências da comunicação e adepto do FC Porto. Olha para o futebol sempre com ar crítico e procura ver o melhor do desporto.

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