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José Carlos Fernandes Vidigal. Provavelmente o nome não lhe diz muito, já se lhe disser que estamos a falar de Lito Vidigal o caso é outro. O mais velho dos irmãos Vidigal fez carreira como central em clubes como Campomaiorense e Belenenses, mas foi como treinador que mais se destacou. Apesar do peso da família Vidigal no futebol nacional, a carreira de treinador foi construída a pulso, desde os campeonatos secundários até ao principal escalão, onde manteve o Belenenses quando já ninguém acreditava – falou-se mesmo em milagre – e na época seguinte conduziu o clube do Restelo às competições europeias.

Encerrado o capítulo em Belém, Lito chega à vila de Arouca. Cerca de 3000 habitantes e um clube que além de poucos anos e pouca história nos principais palcos nacionais tinha fugido por pouco à despromoção na época anterior. A equipa foi construída à sua imagem, como faz questão – esta foi uma das razões que levaram à sua saída de Belém – e houve uma revolução não só a nível de plantel, mas também no futebol praticado.

Bracali foi uma das suas apostas e foi indiscutível ao longo de toda a época, à sua frente Hugo Basto – um dos resistentes – e Velazquez formaram uma dupla segura, na esquerda Lucas Lima foi um dos laterais mais interessantes do campeonato, forte fisicamente e com golo naquela canhota, a lateral direita foi dividida por Jaílson e pelo adaptado Gégé. O meio campo era comandado pelo capitão Nuno Coelho, outro dos resistentes, e ao seu lado passaram Nuno Valente, David Simão e Adilson. Mais à frente era Artur quem distribuía o ataque formado pelo jovem emprestado pelo FC Porto, Ivo Rodrigues, por Zequinha e por Maurides e Roberto que iam alternando na posição de avançado. Janeiro foi também um momento crucial pois trouxe Mateus, Walter Gonzaléz e Jorge Íntima, os dois primeiros depressa ganharam a titularidade na esquerda e na frente do ataque, respetivamente, e foram peças fundamentais, do último falarei mais abaixo.

Contas feitas e o FC Arouca acabou num incrível 5º lugar, apenas a quatro pontos do SC Braga, foi o 5º melhor ataque, bateu o SL Benfica em Aveiro e o FC Porto no Dragão e conseguiu um histórico apuramento para as competições europeias. Sendo que na Taça de Portugal só foram eliminados pelo SC Braga nos quartos.

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Lito Vidigal deixou saudades em Portugal Fonte: FC Arouca
Lito Vidigal deixou saudades em Portugal
Fonte: FC Arouca

Nova época e novas alterações, o clube conseguiu manter os principais ativos e foi ainda buscar o internacional André Santos, Anderson Luís, Kuca e Crivellaro. A época começou mais cedo do que o habitual e depois de um empate a uma bola com uma exibição monumental de Bracali, o nulo em casa chegou para passar a 3ª pré-eliminatória. Desta feita o adversário foi o “supercampeão” Olympiakos orientado por Paulo Bento. Na primeira mão saíram derrotados por 1-0, mas na vila de Arouca a história foi outra, Gégé empatou a eliminatória aos 80’ e a equipa só caíria no prolongamento. Acabava assim aventura europeia do FC Arouca.

Lito avisou que esta época seria diferente pois tinha o fator europeu e o FC Arouca já não tinha o efeito surpresa da época anterior, desta vez os clubes já estavam preparados para o que iriam enfrentar. E foi mesmo diferente, oito jornadas e apenas uma vitória, dois empates e já eliminados da Taça de Portugal pelo Real Massamá. A partir daqui as coisas voltaram ao normal, muito por culpa de Jorge Íntima, mais conhecido como Jorginho, – eu disse que voltava a falar dele – o jovem formado no Manchester City fez uma reta final de primeira volta de grande qualidade e contribuiu em muito para o regresso aos bons resultados. Esta boa forma não passou despercebida e o jovem rumou, em janeiro, a França para representar o Saint Etiénne – depois da sua saída o FC Arouca ainda só conseguiu quatro pontos.

Quando tudo parecia encaminhado para uma temporada tranquila começou a circular a notícia de que Lito teria tudo acertado para deixar o clube e seguir carreira em Israel. Cenário que se confirmou depois da derrota por 3-0 contra o SL Benfica. Consta que terá sido um pedido específico do diretor desportivo do Tel Aviv, Jordi Cruijff – sim, o filho da antiga lenda do Barcelona e do Ajax – que tinha até aqui dirigido a equipa.

Depois de Lito seguiu-se Manuel Machado. Já tinha deixado o CD Nacional no fundo da tabela e na vila não fez melhor, cinco derrotas em cinco jogos ditaram o afastamento do comando técnico da equipa. Jorge Leitão foi o indicado para o substituir naquela que parece ser uma solução temporária, Ricardo Soares tem sido apontado ao clube para a próxima época.

Vidigal elevou o clube da vila ao nível europeu antes de rumar ao estrangeiro, para trás deixou 72 jogos nos quais alcançou 25 vitórias, 23 empates e 24 derrotas, a equipa marcou 81 golos e sofreu 82. Deixa também um legado e um nível que não vai ser fácil de igualar.

P.S. – Entretanto soma já sete vitórias em oito jogos ao comando do Maccabi Tel Aviv.

Foto de capa: Facebook Oficial do Arouca