O arranque do campeonato no D. Afonso Henriques é, por norma, bastante atribulado. Um clube da dimensão do Vitória SC, que alcança constantemente interessantes classificações, merecia começar a prova de forma mais segura. À exceção das épocas 2010/11 e 2014/15, onde já somavam 11 pontos em 15 possíveis, os últimos 10 anos têm visto um arranque frouxo dos conquistadores.

Em 2010/11, à quinta jornada, o Vitória SC ocupava o terceiro lugar, atrás de FC Porto e SL Benfica, com 11 golos apontados. Em 2014/15, igualmente ao fim da quinta jornada, ocupava o segundo lugar, atrás do invicto FC Porto, e contava com apenas dois golos sofridos.

Nenhuma época é igual à seguinte nem à anterior, mas estas constam mesmo como exceções nas últimas 10 temporadas. Regra geral, os atletas do castelo amealham entre quatro e sete pontos no início. Muito pobre para o que deles se espera.

No entanto, este facto revela uma excelente capacidade de recuperação pontual e posicional na tabela, uma vez que, regra geral, os de Guimarães conseguem épocas tranquilas.

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No que à presente época diz respeito, a defesa tem sido permeável em quase todos os jogos, exceção feita à vitória caseira frente ao CD Tondela (1-0). É, portanto, um dado preocupante para Luís Castro, já que a sua equipa sofre a esta altura, em média, dois golos por jogo.

André André regressa a uma casa que bem conhece para assumir a batuta do meio-campo
Fonte: Vitória SC

À semelhança do setor defensivo, também o ataque carece de melhorias. Apesar de ter jogos com dois ou três golos marcados, falta uma referência ofensiva como outrora tiveram, por exemplo Tiquinho Soares ou Moussa Marega. Mesmo com toda a qualidade ofensiva que lhe é reconhecida, os golos não aparecem. Relembre-se que este plantel conta com Ola John, Welthon, Junior Tallo ou Alexandre Guedes, o herói da última Taça de Portugal, entre outros. Neste momento, o ‘melhor marcador’ é André André com dois golos, seguindo-se seis atletas com um tiro certeiro, o que diz muito do acerto dos avançados vitorianos a esta altura.

A eliminação precoce da Taça da Liga, em casa, logo na segunda fase frente ao CD Tondela, não caiu bem entre os adeptos da cidade berço. A partir de então, as opiniões quanto ao treinador dividiram-se, como em qualquer assunto, entre adeptos de qualquer clube. Excetuando um ou outro atleta, a opinião geral das bancadas do D. Afonso Henriques é de que possuem um plantel forte, equilibrado e com bastante qualidade e margem de progressão, que devia produzir mais do que aquilo que se tem visto. Prova disso são os resultados que não acompanham a expectativa gerada.

A primeira jornada reservou uma deslocação difícil, uma das mais complicadas. Na Luz, o Vitória SC encaminhava-se, ao que tudo indicava, para uma noite desastrada e ao intervalo já perdia pela diferença de três golos. Na reta final da partida reagiu, e de que forma, com diversos lances de perigo. Quando a partida terminou, a sensação que pairava era de que com mais minutos os vitorianos conquistariam mesmo algum ponto (3-2). Ficavam boas sensações para o que viria, mas logo se desmoronaram na derrota caseira frente ao CD Feirense (0-1).

Ola John, depois da passagem pela Luz, procura assumir o protagonismo que a sua qualidade exige
Fonte: Vitória SC

À terceira jornada, mais uma deslocação difícil, outra das mais exigentes. No Dragão, o Vitória SC alcançou o seu melhor resultado nesta temporada e virou de um 2-0 negativo ao intervalo para um surpreendente e merecido 2-3 no final dos 90 minutos. De repente, os conquistadores já tinham feito os dois jogos teoricamente mais exigentes, retirando daí três preciosos pontos. E quando se esperava o encaminhamento da turma de Luís Castro, mesmo pela vingança aplicada ao CD Tondela (1-0), eis que voltam a ceder em Portimão (3-2) e, em casa, frente ao Vitória rival (1-1).

As exibições na Luz e no Dragão, recuperando de desvantagens consideráveis, faziam antever um Vitória SC lutador. Mas, mais do que lutador, os adeptos querem-no conquistador – de pontos e títulos, não só de nome… – o que não se verificou nas partidas seguintes. E uma vez que não alinham em provas europeias e já foram eliminados da Taça da Liga, a pressão aumenta e espera-se mais, muito mais deste clube histórico nas provas que lhe restam: a Primeira Liga e a Taça de Portugal.Af

 

Foto de Capa: Vitória SC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro