Stephen Antunes Eustáquio nasceu a 21 de dezembro de 1996 em Leamington, município pertencente à província de Ontário (Canadá), para onde os seus pais haviam emigrado há cerca de dois anos. Mais tarde, pouco depois de cumprir o seu oitavo aniversário, a sua família decidiu regressar a Portugal e ao concelho da Nazaré, sua terra natal, onde Stephen daria os primeiros passos no futebol, ao serviço do Grupo Desportivo «Os Nazarenos». Posteriormente, ingressou na UD Leiria, emblema no qual permaneceu até aos 17 anos de idade, antes de se mudar, em julho de 2014, para os juniores do SC União Torreense.

Ora, concluída a última etapa do seu processo formativo em Torres Vedras, o jovem médio acabaria por se estrear no referido emblema enquanto sénior, no decorrer da temporada de 2014/2015, num encontro respeitante à penúltima jornada da fase de manutenção da Série F do Campeonato Nacional de Seniores.

As duas épocas seguintes traduziram-se na afirmação do futebolista no SC União Torreense. Assim sendo, a uma primeira temporada onde Eustáquio participou em 25 partidas, seguiu-se a temporada de 2016/2017  na qual o luso-canadiano foi peça fundamental para que a formação orientada por Rui Narciso se sagrasse segunda classificada da Série F do Campeonato de Portugal, qualificando-se, consequentemente, para o play-off de promoção relativo à zona sul.

A chegada a bom porto

Eustáquio foi, esta temporada, dono e senhor do meio campo flaviense
Fonte: GD Chaves
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O protagonismo alcançado no conjunto torreense ainda com tenra idade proporcionou a Stephen Eustáquio a oportunidade de ascender a um patamar superior, a Segunda Liga, o que se sucedeu depois de ser assegurado como reforço do Leixões SC. Contrariamente ao que seria expectável, o centrocampista não acusou o salto qualitativo e nem a idade (apenas, 20 anos), nem o facto de estar a pisar pela primeira vez os escalões profissionais constituíram um obstáculo à sua afirmação, conjugando boas exibições com uma regularidade digna de registo para alguém tão jovem.

Prova disso, foi o facto de Eustáquio ter atuado quase sempre os 90 minutos em todas as 20 partidas (só não o fez por duas vezes) que disputou na Segunda Liga pela equipa leixonense. Além disso, num total 21 jornadas possíveis, o médio defensivo apenas não participou numa (12.ª jornada), por estar a representar a seleção portuguesa de sub-21; provas de que a sua valia justificava novo salto, algo que viria a materializar-se, em janeiro de 2018, com a sua ida para o GD Chaves, da Primeira Liga.

Não há duas sem três

Chegado a Trás-os-Montes, Eustáquio não tardou, uma vez mais, a consolidar-se no onze. Após ter deixado alguns bons indicadores na segunda metade da época transata, a presente temporada veio desfazer as (poucas) dúvidas que persistiam em relação ao seu grande potencial. Inteligente e disciplinado, o médio polivalente completou, em média, (43,8) passes por jogo, revelando bons atributos na sua execução quer a curta, quer a longa distância. Na verdade, é possível inferir que, em termos de precisão de passe de longo alcance, o internacional sub-21 por Portugal se posicionou entre os melhores centrocampistas da competição, rivalizando com futebolistas como João Schmidt (Rio Ave FC), Gabriel Pires (SL Benfica) ou Nemanja Gudelj (Sporting CP). Além disso, em virtude da sua boa leitura de jogo, o pivot-defensivo efetuou uma média de (1,8) interseções por encontro.

México: o desafio que se segue na Máquina Celeste

A estreia de Eustáquio com a camisola dos Cementeros é aguardada com expectativa
Fonte: Cruz Azul Fútbol Club

Fundado há 91 anos, o Cruz Azul Fútbol Clube é um dos principais e mais tradicionais emblemas do país e, pese embora não ganhe um campeonato há mais de duas décadas, continua a ser um dos líderes em matéria de assistências. Esta temporada, Guillermo Álvarez Cuevas – proprietário do clube – confiou o destino da Máquina Celeste a Pedro Caixinha, técnico português que já sabe o que é ser campeão no México, pelo que a adaptação de Stephen Eustáquio poderá vir a ser facilitada.

Num outro prisma, a Liga MX é uma das competições que goza de maior representatividade no âmbito da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas). Neste sentido, e não obstante o médio ter representado até agora Portugal a nível internacional, nada o impede de, no futuro, optar por atuar pela seleção canadiana.

Em jeito de conclusão, espero apenas que este jovem médio seja capaz de dar continuidade à evolução que tem vindo a registar.

 

Foto de Capa: CD Chaves

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