Os estádios sentem falta do público

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A Liga Portuguesa é normalmente vista como pouco competitiva, com jogos de baixa qualidade e em que apenas três (mais recentemente duas) equipas costumam lutar pelo título. Devo dizer que, sobre esta última questão, até nem somos dos piores países, visto que existem vários campeonatos com clubes bem mais hegemónicos. Mas esta nem é a principal questão em torno da pouca afluência nos estádios nacionais.

A questão passa muito, mas não só, pela qualidade insuficiente de grande parte das partidas, muitas vezes disputadas num ritmo baixo em que as equipas se limitam a lutar pelo ‘’pontinho’’ e lhes falta uma certa dose de ambição. Nas partidas entre os clubes que lutam pelo título e os restantes, por todas as diferenças existentes, a falta de competitividade já é conhecida, com as surpresas a acontecerem apenas a espaços.

Em condições normais, os jogos dos grandes costumam levar um grande número de público aos recintos, quer joguem fora ou em casa, mas o problema está nos restantes jogos, em que muitas vezes se nota uma clara ausência de interessados nas bancadas e isso tem-se refletido na quebra da média de espetadores nos recintos portugueses – a isto voltarei mais adiante.

Por outro lado, se percorrermos os programas televisivos de opinião pública, observarmos as opiniões dos adeptos em redor dos estádios e, ainda pior, se recorrermos às famosas redes sociais, percebe-se que o pensamento geral do adepto de futebol português é a de que existem interesses por detrás do jogo e muito na base de que ‘’isto está tudo feito’’. Isto é, estamos viciados em polémicas e concentrados em encontrar situações externas para justificar um eventual insucesso. Existem vários fatores que podem ajudar a explicar este processo de habituação que atinge até quem não segue tanto a modalidade. Mas a verdade é que o clima de suspeição é algo permanente em Portugal e já vem fazendo parte do nosso ADN.

E aqui pode estar uma das principais razões pela qual se vê pouca gente nos estádios: a índole cultural. Se aliarmos a isto o facto de uma grande parte das pessoas torcer por apenas um dos grandes, pode ajudar a complementar a explicação. Porque, se é verdade que os jogos da tarde são normalmente entre equipas da parte baixa ou média da tabela, também é verdade que se têm visto bastantes cadeiras vazias nestes mesmos jogos, quando o horário é o mais apelativo. E quando vemos jogos por essa Europa fora, a falta de pessoas nos estádios não é tanta como aqui, daí estarmos atrás de ligas que gostamos de dizer que são inferiores à nossa como a holandesa, a belga ou a escocesa, na taxa de ocupação dos estádios. É particularmente triste e preocupante quando, através da televisão, se assiste a uma partida em que se ouvem mais os intervenientes dentro do campo do que os intervenientes nas bancadas – e isso acontece numa Primeira Liga portuguesa.

O FC Famalicão tem atraído muita gente aos estádios devido ao grande início de época
Fonte: FC Famalicão

Voltando à questão dos horários, que é um dos assuntos mais abordados recentemente e tem causado grande insatisfação junto das massas associativas, verifica-se que há jogos a começarem mais tarde esta época, uma vez que, até à quarta jornada, existiram mais cinco jogos que iniciaram a partir ou depois das 21h, em comparação com igual período da época passada. Aqui, como se sabe, entram as questões relacionadas com as operadoras de televisão. Ora, este fator pode também estar relacionado com a diminuição do número de interessados em ir ‘’à bola’’, em comparação com a temporada anterior.

Pois os números, esses, são claros: tanto a média de espetadores presentes nos estádios como a taxa de ocupação registaram uma quebra. Disputadas as primeiras quatro jornadas da Primeira Liga deste ano, registou-se uma média de 12.929 espectadores no estádio por partida. Em igual período da temporada anterior, registou-se uma média de 13.894 pessoas por encontro. E a isto, podemos juntar o facto de o FC Famalicão, um dos recém-promovidos, ser atualmente a segunda melhor equipa da Liga em termos de taxa média de ocupação – superior a 90% – após duas partidas realizadas em casa. E ainda não defrontou nenhum dos grandes.

O que também é sabido, é que a probabilidade de haver recintos melhor compostos em termos de público verifica-se no período do verão, sendo que, daqui para a frente a tendência é que os números baixem. Num país em que a altura e o horário dos jogos, assim como o momento da equipa contam e muito para a maior ou menor adesão de adeptos nos estádios, as bancadas vão sentindo falta de quem as preencha.

Para uma nação que é campeã europeia de seleções e está próxima de alcançar o sexto lugar no ranking UEFA, tudo isto dá que pensar.

Foto de capa: Liga Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

André da Silva Amado
André da Silva Amadohttp://www.bolanarede.pt
O desporto em geral atrai este jovem aveirense mas é o futebol a sua maior paixão. As conversas com amigos e familiares costumam ir dar ao futebol, hábito que preserva desde sempre. Poder escrever sobre esta vertente é o que o satisfaz, com o intuito de poder acrescentar algo de positivo ao ambiente em torno do futebol nacional.                                                                                                                                                 O André escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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