É com atenção redobrada que acompanho as variadas conferências de imprensa que ocorrem semana após semana. Por norma, é sempre mais fácil ao espectador comum assistir à dos chamados três grandes, mas, com um pouco de atenção, facilmente se consegue aceder ao que foi dito pelos demais. É sobre isso que vos pretendo falar um pouco.

Há treinadores que dizem muito. Há treinadores que dizem pouco. E há treinadores que nada dizem.

É com satisfação e sempre com curiosidade que acompanho ou leio o que foi dito por alguns treinadores da nossa praça futebolística. Porque há sem dúvida alguns que falam. Que transmitem. Que entendem que as perguntas dos órgãos de comunicação são muitas vezes o reflexo das perguntas que o comum adepto deseja ver respondidas. Então ouvimos esses mesmos senhores a comentar uma substituição, uma alteração táctica, um determinado lance, o porquê de ter optado por um jogador em detrimento de outro ou o que quer que seja.

Neste contexto de “treinador explicador”, temos alguns dos mais ilustres treinadores do nosso futebol, encontrando à cabeça destes nomes como o de Sérgio Conceição, Jorge Jesus, Luís Castro, Vítor Oliveira ou até Abel Ferreira.

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Sérgio Conceição tem sido uma lufada de ar fresco na comunicação do FC Porto
Fonte: FC Porto

Estes treinadores não nos limitam ao óbvio e falam realmente de Futebol, sendo alguns deles até capazes de assumir culpas por determinado resultado ou considerarem “injustas” vitórias que surgiram quase aos trambolhões para a equipa que defendem, como já aconteceu recentemente, por exemplo, com o atual treinador do GD Chaves.

A cada um deste género de treinadores, uma vénia seja feita e uma salva de palmas pela a sua capacidade de informar e de não se esconderem em subterfúgios.

Depois há treinadores que dizem pouco. Alguns até falam bastante – impossível esquecer Manuel Machado -, mas que dizem pouco. Falam sobre o jogo, dão algumas pinceladas em algo que aconteceu no jogo ou na preparação do mesmo, falam “volta e meia” especificamente num dos seus jogadores, ou, “quando o rei faz anos”, são eventualmente capazes de dar um murro na mesa, de dissecar uma teoria relacionada com o futebol em geral e o “futebol tuga” em particular, ou sobre um ou outro tema do interesse público.