Na passada sexta-feira, dia 17 de janeiro, foi eleito o novo presidente do Vitória FC. Paulo Gomes, que a 18 de dezembro de 2019 se tinha demitido com outros quatro elementos da direção. Esta decisão  fez a presidência de Vítor Hugo Valente antecipar as eleições, que deram vitória à lista D.

No total de 2.384 votos apurados no pavilhão Antoine Velge, José Dias Mendes (lista C), com 332 votos, Pedro Gaiveo Luzio (B), com 246, e Chumbita Nunes (A), com 181, ocuparam as posições seguintes. Num sistema que para mim deveria ser o de todos os clubes, o de apenas um voto por sócio, foram estes os resultados das eleições na passada sexta-feira.

Este método é o único que para mim faz sentido porque há outras mil e uma formas de favorecer a antiguidade dos sócios e acho que há uma coisa clarinha como a água, principalmente num clube ali do outro lado da margem: nunca vais ter estabilidade num clube onde o presidente não é o mais votado.

Estas eleições marcaram a história do Vitória FC, naquele que foi o sufrágio mais concorrido do século XXI. Para além disso, foram também as eleições mais concorridas de sempre em 109 anos de história do clube. Mas nem tudo foi perfeito. Quando o presidente da AG, Cardoso Ferreira, se preparava para anunciar os resultados, rebentaram dois petardos e houve uma cadeira arremessada na sua direção.

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Segundo as notícias, haviam sido protestos de pessoas com mais de 16 anos que não puderam votar devido ao facto de o sistema informático não estar atualizado. Não sei sequer como é que isto poderá ser possível. Não cabe na cabeça de ninguém isto acontecer a um dos clubes históricos do futebol português como é o Vítoria FC. Depois de encerradas as urnas, a festa do triunfo fez-se ainda antes de Cardoso Ferreira, presidente da mesa da assembleia geral, ter anunciado o resultado das votações.

Já o ex-presidente Vitor Hugo Valente entregou a lista a meia-hora do final do prazo, na sexta-feira. O advogado, de 58 anos, explicou a sua demora: “Não é inocente o facto de querermos ser a quinta lista. Deste modo, somos lista ‘E’ de estabilidade, que é o traço e a marca daquilo que o Vitória tem e foi prometido aos sócios quando fomos eleitos há dois anos”, referiu.

Vítor Hugo Valente alegou também que não é por acaso o número inédito de candidatos à presidência do clube. Referiu até que isso espelhava um cenário de vitalidade no Vitória. . Esperem lá… Se bem me lembro, as últimas direções tiveram uma gestão algo infeliz: atraso de salários e dificuldade em inscrever a sua equipa na Liga Profissional, por exemplo.

E melhor ainda,no dia 28 de junho do ano passado, o clube anunciou a aprovação do Plano Especial de Revitalização por parte dos credores, e consequentemente a sua homologação, sendo este o terceiro PER do Vitória FC nos últimos seis anos. Agora a minha questão é: pede-se ajuda quando está tudo bem, ou devo mesmo estar enganada?

Não venham com a cantiga de que a estabilidade impera em Setúbal. Quem acompanha o futebol português deverá saber que o Vitória Futebol Clube tem passado por graves problemas financeiros há vários anos, fruto de uma SAD que está afogada em dívidas.

O ex-presidente ainda tinha outro trunfo na manga, mas que de nada lhe serviu. Apresentou Gerard Lopéz, acionista e presidente do Lille, como investidor do clube da Primeira Liga de Futebol, caso tivesse sido reeleito.

O ex-presidente ainda apresentou Gerard Lopéz, acionista e presidente do Lille, como investidor do clube
Fonte: Vitória FC

Todavia, a vitória foi adquirida por Paulo Gomes. A tarefa de certo não será fácil para ele e para a sua equipa, mas também não será impossível. O Vitória FC é um dos históricos do futebol português e seria realmente uma pena que se perdesse por direções mal organizadas e más gestoras.

Foto de Capa: Vitória FC

artigo revisto por: Ana Ferreira

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