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‘Pequenos’, mas grandes obstáculos

Diogo Pires Gonçalves · 4 min

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Excetuando os casos das ‘super equipas’, como o Manchester City FC ou o FC Barcelona de Pep Guardiola, os casos em que os rivais estão mais enfraquecidos ou os casos em que existe um gigante que raramente adormece, como a Juventus FC ou o FC Bayern Munchen, os campeonatos são decididos por pequenas margens, como habitualmente acontece em Portugal. A diferença está, logicamente, em quem perde menos pontos.

O favoritismo atribuído em todos os jogos aos crónicos candidatos ao título parece, por si só, reservar a decisão da competição para os jogos em que estes se defrontam. No entanto, tal não corresponde a uma verdade absoluta, podendo o campeão perder os jogos frente aos rivais diretos e, ainda assim, festejar em maio.

Olhando para o tetracampeonato do SL Benfica e o mais recente título azul e branco, os últimos cinco anos, portanto, podemos observar situações deste tipo. Na época de 2013/14, o SL Benfica venceu com sete pontos de avanço sobre o Sporting CP e 13 sobre o FC Porto. Os encarnados alcançaram resultados positivos frente aos rivais (apenas uma derrota frente aos dragões e um empate frente aos leões) e deixaram 11 pontos frente aos demais clubes portugueses. Num total de 16 pontos perdidos, as águias realizaram uma prova sólida, ao contrário dos rivais; 23 pontos perdidos pelos de Alvalade e 29 pelos azuis e brancos – destaque para 23 deles terem sido frente aos ‘pequenos’.

À 21.ª jornada da última temporada, o GD Estoril Praia recebeu e surpreendeu os leões
Fonte: GD Estoril Praia

Na temporada de 2014/2015, os encarnados renovaram a conquista, desta vez com mais três pontos que os dragões e nove que os leões. Novamente com bons resultados frente aos rivais (dois empates frente aos leões e uma vitória e um empate frente aos dragões), o SL Benfica voltou a perder 11 pontos frente aos restantes clubes, somando um total de 17 pontos perdidos, mais um que na época anterior. O clube da Luz voltou, desta forma, a realizar uma época segura, apesar da constante proximidade dos dragões. Com uma derrota e um empate frente ao vencedor da prova, o FC Porto anulou-se numa partida e venceu a outra contra os leões e perdeu 13 pontos com os outros adversários, num total de 20 pontos cedidos. Por sua vez, a equipa de Alvalade perdeu 26 pontos; 17 deles contra os adversários mais ‘pequenos’.

No ano seguinte, em 2015/16, o tricampeonato chegou com bastante dificuldade e luta até ao fim. Os encarnados cederam 14 pontos contra os 16 dos verde e brancos. Bem distante destes valores ficou o FC Porto, que perdeu 29 pontos, apesar das duas vitórias frente ao SL Benfica – 23 contra os clubes mais modestos e duas derrotas frente ao Sporting CP. Os rivais equilibraram-se entre si; uma derrota e uma vitória para cada. No entanto, frente aos dragões, os da Luz só perderam e os de Alvalade só venceram. A diferença esteve, mais uma vez, nos pontos perdidos nos jogos teoricamente mais acessíveis; as águias cederam apenas cinco pontos e os leões 13.

À 32.ª jornada do último campeonato, o CD Tondela gelou o inferno da Luz (2-3)
Fonte: CD Tondela

Na temporada de 2016/17, o SL Benfica alcançou, enfim, o tetracampeonato. Frente aos rivais empatou por três vezes e perdeu a outra – frente ao Sporting CP. Não foi, portanto, uma época favorável no confronto direto. Novamente, foi frente aos clubes ‘menores’ que a diferença se estabeleceu. As águias perderam 14 pontos, contra os 19 dos dragões ou os 24 dos leões. Esta foi uma época realmente perdulária por parte do Sporting CP; além dos 24 pontos frente aos outros clubes, perderam três pontos para os azuis e brancos e cinco para os campeões, num total de 32 pontos cedidos. Com registo semelhante ao SL Benfica no confronto direto, o FC Porto perdeu mais pontos frente aos demais clubes (19) e ficou, assim, na segunda posição. Das últimas, esta foi, sem dúvida, a época em que os três grandes largaram mais pontos nas respetivas caminhadas.

Já na temporada que terminou em maio do presente ano, e que marcou o ponto final nas conquistas consecutivas benfiquistas, a tendência alterou ligeiramente. O FC Porto, vencedor da competição, alcançou um empate e uma vitória frente a cada um dos rivais e perdeu 10 pontos nos restantes redutos. Mais equilibrados entre si, os rivais lisboetas anularam-se nos dois jogos e a diferença vincou-se nos jogos frente aos clubes mais ‘pequenos’; as águias perderam 12 pontos e os leões mais três. No entanto, e apesar da superioridade azul e branca clara no confronto direto, as distâncias na classificação não são assim tão esclarecedoras.

É curioso – e tão interessante quanto desejável – o facto de se assistir a uma maior concorrência por parte dos demais clubes. Para isso contribuem clubes como o SC Braga, Vitória SC ou Rio Ave FC, que já não são tão ‘pequenos’ quanto isso. Um exemplo disso mesmo é a elevada perda de pontos por parte dos três grandes na última época, a mais elevada dos últimos cinco anos. Agora, mais do que nunca, a regularidade é de elevado interesse para os crónicos candidatos ao título. Ainda que escorreguem nos clássicos ou derbies, os deslizes nos jogos mais ‘acessíveis’ determinarão, quase por completo, a organização classificativa no final da prova.

Foto de Capa: CD Aves

Diogo Pires Gonçalves

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