Armando Gonçalves Teixeira, mais conhecido no mundo do futebol como Petit, foi um reconhecido jogador português com uma carreira notável, principalmente ao serviço do SL Benfica e do Boavista FC, clube onde se retirou e onde começou o seu percurso como treinador ainda no Campeonato de Portugal.

Com a subida administrativa dos axadrezados à Primeira Liga em 2014/15, Petit manteve-se no leme da equipa e conseguiu a árdua tarefa de manter a equipa no principal escalão do futebol português – tendo em conta as invulgares condições da promoção -, com a conquista de um respeitável 13.º lugar na tabela classificativa.

Na temporada seguinte, assistimos ao início do mito “Petit, salvador das descidas”. Apesar de iniciar a temporada ainda no Boavista, “questões pessoais”, como alegou na última conferência de imprensa ao serviço das panteras negras, levaram-no a pedir a demissão na 11.ª jornada. Duas semanas mais tarde, é apresentado no CD Tondela que se encontrava a apenas quatro pontos acima da linha de água. Uma série de cinco vitórias, dois empates e apenas uma derrota nos últimos jogos da época salvavam milagrosamente a equipa de uma descida de divisão que parecia certa.

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Petit repete a história e inicia a temporada 2016/17 ao comando da equipa que “salvou” na época anterior, mas, mais uma vez, acaba por abandonar o comando técnico com o campeonato a decorrer e assina pelo Moreirense FC, mais um emblema aflito na luta pela permanência. O treinador português consegue, novamente, trazer a orientação e o reforço anímico necessários para a inversão do panorama e um Moreirense invicto nas últimas seis jornadas garante a permanência na Primeira Liga.

Por esta altura, já se consolida a crença de Petit como o mestre em evitar descidas. O treinador nascido em França, mas com dupla nacionalidade, faz jus ao título e, na época seguinte, após uma passagem falhada pelo FC Paços de Ferreira, volta ao clube de Moreira de Cónegos para evitar nova despromoção anunciada. Em 2018/19 mais do mesmo: rende o treinador Claúdio Braga num CS Marítimo que vinha de dez jogos sem vencer. Consegue garantir a manutenção da equipa com um 11.º lugar, mas fica aquém das suas próprias expetativas aquando a sua apresentação nos Barreiros, em que assumiu a ambição de terminar nos quatro/cinco primeiros lugares da tabela classificativa.

Agora que estamos prestes a terminar uma época de futebol atípica, Petit já garantiu (mais uma vez) a permanência da Primeira Liga da equipa que assumiu (novamente, mais uma vez) com a época a decorrer, o Belenenses SAD. O seu percurso como treinador na Primeira Liga não deixa dúvidas em como Petit é um verdadeiro “salvador de descidas” quando assume, com a temporada em andamento, o leme de equipas aflitas na luta pela manutenção, algo que tem provado de ano para ano. Resta saber se o treinador tem a consistência e os dotes necessários para conduzir com sucesso uma equipa desde o início até ao fim da época, ou até para comandar equipas naturalmente candidatas a outros objetivos mais ambiciosos, como lugares europeus.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão