Uma das grandes, senão mesmo a maior novidade para a nova época que se avizinha, será a criação de um campeonato de sub-23, que permitirá aos jogadores das camadas jovens possuírem um patamar competitivo que lhes permita competir entre si após atingiram o estatuto de séniores.

No entanto, se à partida esta parece ser uma medida positiva, a verdade é que a criação deste campeonato levou o Sporting CP, o FC Porto, o Vitória SC e o SC Braga a extinguirem as suas respetivas equipas B, uma decisão que levou a uma forte contestação por parte dos adeptos, e por razões mais que compreensíveis.

O Sporting CP é um clube no qual, desde há muito que a aposta na formação faz parte do seu ADN, sendo também dos três grandes, o clube que mais cedo começou a notabilizar-se pela Europa fora devido à formação, prospecção e valorização dos seus próprios jogadores. O Futebol Clube do Porto tem crescido imenso a nível de formação nesta década, tendo vindo a acumular boas prestações nos juniores e na equipa B no plano nacional e internacional.

O Sporting Braga também tem vindo a crescer a nível de formação, começando a revelar e a lançar alguns jogadores para fora e competindo neste campeonato com um dos plantéis mais jovens da Primeira Liga. Já o Vitória de Guimarães atravessou uma grave crise financeira nesta década, da qual conseguiu sobreviver muito graças à aposta na formação, bem como à aposta em jogadores oriundos da equipa B.

Bernardo Silva e André Gomes foram muito beneficiados com a criação das equipas B
Fonte: SL Benfica

Qualquer adepto e/ou profissional de futebol com olhos na cara consegue perceber que a criação das equipas B foi um claro passo em frente no futebol jovem no nosso país. Antes da criação das equipas B, a nossa selecção de sub-21 tinha falhado a qualificação para o Europeu da categoria por três vezes consecutivas (2009, 2011 e 2013). Depois do aparecimento destas, a nossa selecção de sub-21 foi vice-campeã europeia.

Mais do que o desempenho das seleções jovens, houve jogadores que agora são certezas do futebol português e aposta na seleção nacional, nos quais a equipa B teve um papel preponderante na sua evolução. Na minha opinião, o caso de Bernardo Silva é o melhor exemplo. Bernardo Silva só começou a revelar-se como uma jovem promessa no seu último ano de júnior (2012/2013) e, após um ano na equipa B do Benfica, convenceu os dirigentes do Mónaco a pagarem 15 milhões de euros pelo seu passe.

Porém, nem tudo pode ser mau nesta competição, principalmente no que diz respeito àqueles clubes que não têm competição para dar aos seus jovens jogadores quando estes atingem o estatuto de seniores. Atualmente, existem mais de 8000 atletas que penduram as botas após concluírem o seu percurso nas camadas jovens. É óbvio que defrontar a equipa sub-23 de um Portimonense não é a mesma coisa que defrontar um clube da Segunda Liga, visto que o campeonato de sub-23 não promove a mesma competição que uma competição profissional com jogadores mais velhos. Mas sempre seria uma luz ao fundo do túnel para jovens jogadores que não sabem que rumo dar à sua vida.

Outra vantagem que o campeonato de sub-23 poderá trazer se aplicará particularmente ao SL Benfica, visto que, ao que tudo indica, será o único clube a ter uma equipa B e uma equipa sub-23. Vejamos uma coisa:

Tanto a equipa B como a equipa de juniores do Benfica possuem entre 25 a 30 jogadores nos seus respetivos plantéis. Ora, tendo em conta que só podem ser convocados 18 jogadores por jogo, isso significa que a cada fim-de-semana em que jogam as duas equipas, há 15 a 25 jogadores que não são convocados, sem esquecer lesionados e suplentes não convocados. À medida que a época avança, isto vai surtindo um efeito bola de neve nos jogadores e haverá jogadores com poucos minutos nas pernas.

Ora, a equipa de sub-23 aparece mesmo aí. A equipa de sub-23 servirá para dar competição àqueles jogadores que são pouco utilizados tanto nos juniores, como na equipa B, evitando assim que jovens jogadores fiquem muito tempo sem competir, correndo o risco de estagnar. Para além do mais, o aparecimento de uma equipa sub-23 também motivaria o treinador da equipa B a apostar em jovens jogadores que são segundas ou terceiras linhas na equipa principal, possuindo assim poucos minutos de jogo, tal como nesta época foram os casos de Diogo Gonçalves, João Carvalho, ou até mesmo do guarda-redes Svilar.

Como tal, os clubes que estão a abdicar da equipa B para criar uma equipa de sub-23 estarão a dar um passo atrás na formação dos seus próprios jogadores. Porém, estas equipas de sub-23 poderão ser uma luz ao fundo do túnel para jovens jogadores de outras equipas que podem ver um novo patamar de formação, uma rampa de lançamento para os seniores.

Foto de Capa: FPF

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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