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Esta semana soube-se que Portugal vai perder uma vaga na Liga dos Campeões na época de 2018/2019. Durante um par de horas (não mais que isso), os entendidos do futebol fingiram estar preocupados com a situação do futebol português. Fingiram.

Os interesses que têm prevalecido em Portugal são apenas aqueles que garantem o comprazimento dos chamados “três grandes”. Não se centralizam direitos televisivos porque isso implicaria maiores receitas para os clubes pequenos, tornando o campeonato mais competitivo. Isso não interessa. Importante é estarmos a 9 jornadas do fim e prevermos que Porto e Benfica apenas têm hipóteses de perder pontos nos jogos entre eles (+ Sporting).

A realidade é que 85% dos troféus disputados em Portugal foram vencidos por apenas 3 clubes. É esta triste realidade que ninguém quer alterar. À parte desta hegemonia dos três grandes vivem todos os outros clubes, mas, em especial, quatro clubes que lutam pelo honroso título de “4.º Grande”.

O “4.º Grande” é pois a representação daquele que mais conseguiu resistir ao efeito eucaliptal dos três grandes. No fundo, é o mais digno merecedor do estatuto bíblico do Rei Davi, contra os três gigantes filisteus Golias. Esta análise, para ser feita com seriedade, só pode ser feita tendo por base uma análise histórica de resultados, de troféus.

Nesse capítulo, há um clube que se destaca amplamente dos outros contabilizando, inclusive, mais títulos que todos os outros somados, o Boavista.

Os títulos do Boavista FC falam por si Fonte: Boavista FC
Os títulos do Boavista FC falam por si
Fonte: Boavista FC

Enquanto os axadrezados somam no seu palmarés com uma Primeira Liga, 5 Taças de Portugal e 3 supertaças (9), equipas como o Vitória de Guimarães contam com uma Taça de Portugal e uma Supertaça (2), o Braga com uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga (2), e o Belenenses com uma Primeira Liga e 3 Taças de Portugal (4).

A diferença é tão grande que, caso o Braga ou o Vitória passassem a ser os únicos vencedores de troféus para além dos três grandes (mantendo-se o rácio de vitórias), precisariam de 12 anos para igualar o Boavista.

O progresso desportivo do Vitória de Guimarães e do Braga (em especial), ao longo da última década, coincidiu com a descida de divisão decretada na secretaria dos axadrezados. No entanto, esta melhoria de performance desportiva não se refletiu em troféus.

No futebol é comum dizer-se que ninguém se recorda de quem disputa as finais, mas sim de quem as vence. E, nesse campo, ninguém as vence como o Boavista. Feitas as contas, não sobra qualquer margem para dúvida de quem é o verdadeiro 4º Grande em Portugal.

Assunto encerrado. Comecemos então a discussão do 5.º Grande em Portugal.

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