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Ranking português na UEFA: Porque não estabilizamos?

Rui Pedro Cipriano · 5 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Será difícil para os leitores mais distraídos perceber como é que um campeonato que teve três semifinalistas na edição da Liga Europa de 2010/2011 e teve um finalista nas edições de 2012/2013 e 2013/2014 não se conseguiu estabilizar no sexto lugar do ranking que daria acesso de três equipas à principal competição europeia de clubes, a Champions League.

Acabamos o ranking de 2012/2013 num fantástico quarto lugar à frente de ligas como a italiana e a francesa e neste momento ocupamos um sétimo lugar bem longe da Rússia que está um lugar à nossa frente, mais perto de nós está a Bélgica em oitavo lugar. Como é que se explica que tal queda tenha acontecido em tão poucos anos e principalmente quando a Rússia nem sequer teve uma campanha digna de registo nas competições europeias? É o que irei tentar explicar dentro da minha perspetiva.

Quanto à liga francesa não há muito a dizer, toda gente saberá qual é a explicação, não podemos comparar o investimento feito pelos principais clubes franceses e os principais clubes portugueses, as boas campanhas europeias de Paris Saint Germain e Mónaco na Liga dos Campeões são demonstrações disso mesmo. Só um “lunático” poderia exigir a Portugal que ombreasse com a liga francesa, a situação muda de figura quando mudamos o assunto para a Liga Russa.

Sem dúvida que a Liga Russa também é uma liga com um maior poderio financeiro que a nossa, mas isso pouco se tem revelado a nível competitivo europeu, nos últimos anos tivemos muito mais equipas portuguesas a passar a fase de grupos da Liga dos Campeões do que a Rússia teve, Portugal teve melhores campanhas europeias do que a Rússia. Como se explica então termos sido ultrapassados pela Liga Russa e a tendência ser cada vez mais de afastamento? É muito simples de explicar, e revela-se através de problemas estruturais da nossa Liga quando comparando com a Liga Russa.

Quando olhamos para os três grandes, Benfica, Porto e Sporting, e olhamos para os grandes clubes russos certamente que a grande maioria dos adeptos de futebol comum irá reconhecer muito mais talento e trabalho nas nossas grandes equipas por comparação com as russas que raramente passam a fase de grupos da Liga dos Campeões. O problema vem quando olhamos para os clubes de média dimensão.

O ranking da UEFA não se resume só aos três grandes e tivemos durante muitos anos o ranking a ser divido por seis equipas quando na realidade apenas duas equipas davam imensos pontos, Benfica e Porto. É aqui que se encontra o problema do nosso ranking português, apesar das boas campanhas europeias feitas por Porto e Benfica nos últimos anos estes dois clubes sozinhos não fazem um ranking inteiro e é aqui também que a Rússia tira proveito para se distanciar de Portugal. As equipas russas não fazem grandes campanhas europeias, mas conseguem em maior número dar pontos ao ranking o que no final de cada época faz a diferença.

A eliminação precoce do Sporting das competições europeias na época passada, aos pés do “modesto” Legia de Varsóvia, foram um rude golpe para o ranking português   Fonte: Goal.com
A eliminação precoce do Sporting das competições europeias na época passada, aos pés do “modesto” Legia de Varsóvia, foram um rude golpe para o ranking português
Fonte: Goal.com

Portugal levou até está época seis equipas por época às competições europeias sendo que nunca conseguiu que as seis estivessem presentes nas fases de grupos, pelo menos uma equipa cai sempre na qualificação, a Rússia pelo contrário consegue, quase sempre, que suas cinco equipas estejam presentes nas fases de grupo das competições europeias.

Depois existe o desequilíbrio na competitividade que as equipas médias portuguesas revelam e a que as equipas médias russas revelam, olhemos por exemplo para a época 2013/2014, Portugal perde apenas um representante na qualificação, o Sporting de Braga. Estoril, Paços de Ferreira (vindo da Champions League) e Vitória de Guimarães disputaram a fase de grupos da edição da Liga Europa 2013/2014. A Rússia apresenta o mesmo número de equipas, depois do Spartak de Moscovo também ter caído na qualificação para a Liga Europa, Rubin Kazan, FK Anzhi e o Kuban Krasnodar são as suas representantes na Liga Europa 2013/2014.

O rescaldo final da fase de grupos é uma clara demonstração daquilo que eu digo, as três representantes portuguesas não conseguem passar de grupo, ficando o Estoril em último do seu grupo com três ponto, o Vitória de Guimarães em terceiro do grupo com cinco pontos e por fim o Paços de Ferreira em terceiro do seu grupo também com três pontos, nenhuma delas passou o grupo ficando Portugal desde logo reduzido a duas equipas, Benfica e Porto.

Já no caso russo, as suas três representantes na Liga Europa, duas passaram o seu grupo, Rubin Kazan e o FK Anzhi, deixando a Rússia com três equipas (FK Anzhi e Rubin Kazan na Liga Europa e Zenit na Liga dos Campeões) nas fases seguintes em cinco equipas possíveis, enquanto Portugal em seis possíveis apenas duas chegaram às fases seguintes.

Peguei no exemplo desta época, mas poderia pegar em quase todas para demonstrar que a Rússia apesar de ter andando todas as épocas com menos uma equipa que Portugal conseguia ter mais representantes nas fases a eliminar do que Portugal consegue, desde logo porque teoricamente Portugal parte sempre com menos uma equipa, porque nunca conseguiu que as seis se qualificassem o que nos cálculos matemáticos para o ranking da UEFA é muito mau.

O Marítimo foi está época a “tradicional” sexta equipa que nunca chega à fase de grupos   Fonte: UEFA
O Marítimo foi está época a “tradicional” sexta equipa que nunca chega à fase de grupos
Fonte: UEFA

Infelizmente a conclusão a que se chega é de que o pouco investimento e as fragilidades corporativas das equipas médias portuguesas são o grande culpado desta queda acentuada da Liga Portuguesa no ranking da UEFA, é um reflexo da nossa própria Liga. Numa Liga monopolizada pelos três grandes será muito difícil conseguir competir com a Rússia que consegue reunir um bom conjunto de equipas com qualidade suficiente para as competições europeias. Se queremos recuperar terreno no ranking e voltar a ter três equipas na Liga dos Campeões temos que primeiro olhar cá para dentro e pensar na maneira como podemos fortalecer as equipas médias portuguesas, porque é aqui que se está a fazer a diferença entre nós e a Rússia.

A redução de seis equipas europeias para cinco já é uma inevitabilidade, e por isso a partir da próxima época, um dos três grandes ficará forçosamente fora da Liga dos Campeões. Esperemos por melhores dias porque a nossa liga , apesar de tudo, merece definitivamente ficar á frente da Liga Russa por todo o talento que transporta para a Liga dos Campeões e pelo trabalho a nível de scouting que é feito pelas nossas equipas que não tem comparação com a liga russa que , na minha opinião, faz mal do uso do poderio financeiro que têm.

Foto de Capa: UEFA

Rui Pedro Cipriano

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