A CRÓNICA: JOGO LENTO NOS ARCOS TRADUZ-SE NUM NULO

O último jogo deste domingo foi entre Rio Ave FC e Vitória SC, no Estádio dos Arcos, a contar para a segunda jornada da Primeira Liga. Antevia-se uma partida de bom futebol entre duas equipas que têm habituado os aficionados a bons jogos de futebol nas últimas épocas. Mais um jogo no qual os adeptos não foram permitidos na liga portuguesa e no qual a qualidade de futebol também pode ter ficado fora do estádio. Assim se resume a primeira parte do embate entre as duas equipas. Poucas oportunidades de golo, muitos passes falhados a meio-campo e pouca movimentação por parte dos jogadores. Mário Silva apresentou algumas alterações face ao jogo da passada quinta-feira ante o Besiktas JK e demonstrou nos instantes finais querer segurar o nulo ao invés de perseguir os três pontos. Foi um jogo que em todos os momentos pareceu controlado por qualquer uma das equipas, já que foram efetivamente poucas as incursões pelos últimos terços do terreno.

 

A FIGURA

Marcus Edwards – Opção sempre muito procurada durante o jogo para dar ideias à equipa vitoriana. Acabou por ser o único elemento em campo que evidenciou vontade de alterar o marcador. Imprimiu rapidez e intensidade ao encontro, mas demorou algumas vezes demasiado tempo a decidir os lances. Valeu pela diferenciada vontade com que abordou o jogo.

Anúncio Publicitário

 

O FORA DE JOGO

Ataque de ambas as equipas – Escolha algo estranha, admita-se, mas a verdade é que se viu um jogo extremamente desinteressante no estádio dos arcos. Foi um encontro que não correspondeu ao que as equipas podem fazer. Em termos ofensivos não se viu muitos lances, sendo que a bola se encontrou maior parte do tempo entre a defesa e meio-campo das equipas. É daqueles jogos que faz refletir sobre a importância de ter adeptos nas bancadas.

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

Tanto o Rio Ave FC, como o Vitória começaram com várias tentativas de esticar o jogo. Passes longos, nem sempre eficazes foram recorrentes nos momentos iniciais do jogo. O 4-2-3-1 eleito por Mário Silva foi pouco eficaz na primeira parte do encontro com os jogadores do meio-campo e do ataque algo desencontrados. Resultado disso, foram as escassas ocasiões de perigo e os inúmeros cruzamento para a grande área que era, desde já, a única forma que se arranjou para criar algum perigo. O treinador rioavista lançou, no decorrer da segunda parte, os elementos do onze de quinta-feira que tinha deixado no banco na procura de estabilidade em campo e do golo. No entanto, com o passar do tempo verificou-se que o conjunto de casa aceitou o empate como um bom resultado e procurou apenas evitar ataques dos vitorianos.

 

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (6)

Nélson Monte (7)

Jambor (6)

Pedro Amaral (5)

Carlos Mané (-)

Tarantini (6)

Diego (6)

Ivo Pinto (6)

Aderlan Santos (5)

Meshino (5)

André Pereira (5)

SUBS UTILIZADOS

Gabrielzinho (6)

Piazon (-)

Bruno Moreira (-)

Borevkovic (6)

Geraldes (-)

 

 

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC

Depois dos instantes iniciais repletos de passes longos, o Vitória SC foi a primeira equipa a querer impor o seu estilo de jogo com bola no chão. A pressão alta dos vitorianos causou problemas aos vila-condenses no início da partida. Os pupilos de Tiago entraram mal no jogo e recorreram demasiado a Marcus Edwards para ser criativo. Faltou presença na grande-área e movimentação do meio-campo para a frente. O 4-3-3 provou-se pouco eficaz na primeira parte em criar situações de perigo em bola corrida. As melhores chances dos vitorianos recaíram mesmo sobre as bolas paradas, fazendo até parecer que tenha sido essa a estratégia para conseguir chegar ao golo em Vila do Conde. Na segunda parte assumiram mais o controlo da partida e conseguiram até mesmo dominar a partida nos últimos minutos de jogo, mas as situações de perigo criadas não foram suficientemente boas para inaugurar o marcador no estádio dos arcos.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bruno Varela(6)

Suliman (6)

Edwards (7)

Poha (6)

Quaresma (7)

André André (6)

Sacko (5)

Mikel (6)

Sílvio (5)

Jorge Fernandes (6)

Janvier (5)

SUBS UTILIZADOS

Rochinha (6)

Pepelu (5)

Bruno Duarte (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA 

Rio Ave FC

BnR: “Acha que poderíamos ter visto um espetáculo completamente diferente aqui no estádio dos arcos se estivesse público nas bancadas?”

Mário Silva: “É triste sinceramente. Para vocês também que estão aqui a fazer o vosso trabalho. É triste termos um futebol sem público. Acho que se perde a emotividade, acho que a paixão do futebol também tem a ver com os adeptos. Provavelmente com a presença dos adeptos, nos momentos difíceis do jogo os jogadores conseguem fazer melhor. Temos pena que não nos possam permitir os adeptos no estádio, porque realmente fazem falta. E nestes momentos de desgaste e de fadiga os adeptos às vezes empurram os adeptos para outro patamar de performance.”

Vitória SC

BnR: “Jogou sem um ponta de lança fixo e faltou presença na grande área até à entrada de Bruno Duarte. Qual era o plano à partida para este encontro para ferir o Rio Ave e procurar pelo golo?”

Tiago Mendes: “Acho que criámos situações de perigo mesmo sem o Bruno em campo. Não sei se foram sete ou oito, mas tivemos ocasiões dentro da área. Jogámos sem ponta-de-lança fixo porque achámos que era a melhor maneira de conseguir controlar o Rio Ave ao tirar referência aos dois centrais do Rio Ave e a tentar conseguir surpreender dessa forma.”

Artigo revisto por Joana Mendes