Rio Ave FC 0-2 Gil Vicente FC: Galos cantaram e encantaram junto ao Rio Ave

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A CRÓNICA: GILISTAS COM EXIBIÇÃO SEGURA, NERVOS DO LADO DO RIO AVE 

Este foi o primeiro jogo deste sábado a contar para a primeira liga. Rio Ave FC e Gil Vicente estiveram frente a frente no Estádio dos Arcos. O jogo valia a ultrapassagem do gilistas aos vilacondenses na tabela classificatória, já que se estavam separados por apenas dois pontos ao fim destas 24 jornadas anteriores. Talvez por isso mesmo, o jogo tenha começado com um nível competitivo bastante alto.

O conjunto de Barcelos entrou pressionante e Kanya era o protagonista das investidas gilistas no lado direito. O perigo foi criado e a bola chegou até mesmo a entrar na balaiza de Kieszek, mas foi prontamente anulado por fora-de-jogo de um atacante do Gil Vicente. A meio da primeira parte o fulgor ofensivo transitou para a formação da casa que conseguiu a partir do minuto 20 impor o seu jogo e controlar a bola. Mais domínio dos pupilos de Miguel Cardoso também culminou em jogadas que levaram pergio à baliza oposta, mas Gelson Dala desperdiçou em frente à baliza uma enorme oportunidade de faturar após um cruzamento tenso de Sávio.

A intensidade desta partida fazia-se sentir até mesmo na tribuna de imprensa com burburinhos nervosos e com relatos emocionantes do que se passava no terreno de jogo. A emoção cresceu quando Hélder Malheiro levou o apito à boca para assinalar penalti para o Gil Vicente por falta de Filipe Augusto que acabaria por ver o segundo amarelo como consequência do lance. Marcou Talocha e colocou a equipa visitante em vantagem no marcador com um quarto de hora para se jogar.

Os nervos rioavistas continuaram e na reta final já não houve hipótese de igualar e acabaram até mesmo por se resignar a um jogo partido para colocar o Gil numa situação em que pudesse cair no erro de lançar vários jogadores no ataque com o objetivo de na transição se notar menos a ausência de um jogador. Mesmo ao cair do pano Samuel Lino viu-se sozinho com Kieszek pela frente e aproveitou para dilatar a vantagem para dois golos. Com este resultado, Gil Vicente entra para o top 10 à condição com 28 acumulados e o Rio Ave cai para o 10º da liga.

 

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Lucas MineiroDemonstrou estar numa grande forma e se houvesse dúvidas este jogador foi feito para voos maiores. Critério e qualidade de passe, poderio físico e serenidade a jogar são algumas das características que o tornam num centrocampista de excelência da nossa liga. Foi uma locomotora ofensiva e defensiva gilista e foi visto em vários setores do terreno, algo que demonstra que também tem sido de oportunidade.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Filipe Augusto – Entrou algo desatento no jogo, algo que lhe valeu um cartão amarelo muito madrugador. Demorava algum tempo a passar a bola e nem sempre foi por falta de linhas de passe. Melhorou com a entrada de Guga que o ajudou a dinamizar a transição ofensiva, mas outra entrada fora de tempo valeu-lhe a expulsão aos 74’.

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

Foi um começo algo lento por parte do Rio Ave e que lhes podia ter valido um resultado desfavorável nos minutos iniciais. O meio-campo estava algo adormecido e chegar tarde a certos lances. Por exemplo, num lance em que Filipe Augusto viu o amarelo, apenas o viu por ter chegado tarde ao momento de pressão sobre o portador da bola. Com o decorrer da partida o 4-4-2 de Miguel Cardoso conseguiu exemplificar bastante trabalho e boas dinâmicas já incutidas.

Chico Geraldes foi sempre o jogador que pegava no jogo e através de transporte de bola ou receções orientadas rápidas conseguia criar o desequilíbrio necessário para o esférico chegar com qualidade a uma das alas onde apareciam os laterais bastante abertos e adiantados. Foi desta forma que conseguiram equilibrar o jogo na primeira parte, mas de notar que o que possa ter faltado em termos de pressão defensiva pode ser pelo facto de Carlos Mané estar mais dedicado a missões ofensivas e não se comprometer tanto a nível defensivo do lado direito do Rio Ave. Miguel Cardoso optou por manter Filipe Augusto em campo, mesmo não estando a ter uma exibição necessária para a exigência da partida e em mais um lance em que demorou a chegar ao portador da bola, acabou por cometer grande penalidade. A ideia de fazer entrar Guga foi para dar mais dinâmica ao meio-campo e ao ataque rioavista, já que foi para o o lugar de Junior Brandão, fazendo com que Gelson Dala e Carlos Mané formassem a nova dupla atacante. A mobilidade não se verificou, ou pelo menos não foi notória, tal a solidez defensiva gilista.

 

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (6)

Nélson Monte (6)

Filipe Augusto (4)

Borevkovic (5)

Gelson Dala (5)

Tarantini (5)

Jr. Brandão (4)

Francisco Geraldes (7)

Carlos Mané (5)

Ivo Pinto (6)

Sávio (5)

SUBS UTILIZADOS

Pedro Amaral (5)

Guga (5)

Ronan (-)

 

 

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

O Gil Vicente mostrou desde início que vinha à procura da entrada, ainda que à condição no top 10 desta edição da liga portuguesa. Pedrinho e Fujimoto conseguiram, ao introduzir rapidez nas alas e capacidade de conduzir a bola, criar oportunidades bastante interessantes, mas que tiveram todas o mesmo desfecho: anuladas por fora-de-jogo. Seja como for, viu-se um meio-campo sólido com Lucas Mineiro como a figura de destaque.

Aguentava bem a pressão à perda de bola do Rio Ave e decidia bem. Lourency, do lado esquerdo do ataque não esteve bem na primeira parte e não conseguiu levar muitas vezes a melhor sobre Ivo Pinto que até se encontrava algo sozinho em missão defensiva daquele lado. Viu-se um conjunto gilista a jogar bem com bola na construção e bem na transição rápida, faltando apenas uma pitada de atenção no último passe para poder faturar. Lourency continuou em campo, mas Ricardo Soares trocou mesmo um dos alas e fez sair Fujimoto para colocar Leautey em campo. A equipa pareceu acalmar bastante depois de chegar ao golo e conseguiu controlar as tentativas de aproximação do Rio Ave que, nesta altura e com dez, mostrava dificuldades em colocar a bola na grande área oposta.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Denis (7)

Joel (5)

Lourency (4)

Pedro (6)

Kanya (7)

Vitor Carvalho (5)

Lucas Mineiro (7)

Ruben Fernandes (6)

Talocha (6)

Marques (5)

Nogueira (6)

SUBS UTILIZADOS

Leautey (5)

Samuel Lino (5)

Baraye (-)

Rodrigo (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Rio Ave FC

BnR: Notou-se alguma demora na tomada de decisão no meio-campo. Algo que se pode dever à exibição menos conseguida de Junior Brandão por não criar dinâmicas ofensivas através de movimentações. A entrada de Guga para o lugar dele foi para criar mais mobilidade e rapidez no meio-campo e para conferir mais mobilidade na frente por Carlos Mané e Dala?

José Cardoso: Nesse momento, o Dala passou para avançado, colocamos o Geraldes a jogar mais à frente e sabíamos que íamos ter mais profundidade e espaçoes entre-linhas dessa forma. Isso aconteceu e tivemos o nosso melhor momento do jogo. Mas o Gil fez uma paragem para assistir o guarda-redes, quando ninguém lhe tocou e depois vem o pénalti que é assinalado da forma como vocês viram.

Gil Vicente FC

BnR: Lourency teve algumas más decisões ao longo da partida. O que é que foi fazendo ao longo do jogo que justificasse substituir o Fujimoto primeiro?

José Ricardo Ribeiro: É a vossa análise. Eu não concordo, mas respeito imenso as vossas opiniões. Acho que o Lourency fez um jogo de alto nível de compromisso com a equipa e que devia refrescar o Fujimoto, porque o sentia a cair bastante nos últimos quatro minutos.

 

 

 

João Filipe Brandão
João Filipe Brandãohttp://www.bolanarede.pt
O João tem 21 anos e é uma amante da escrita jornalística e do futebol. O seu principal valor que pretende levar para sempre é a imparcialidade, não tendo, por isso, qualquer preferência clubística. A sua verdadeira preferência recai sobre o futebol enquanto modalidade. Está a tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação na Universidade do Porto.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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