O Rio Ave FC é porventura o clube que mais se tem cimentado no futebol português ao longo da última década. Seja com as excelentes equipas que tem apresentado, seja com o crescimento estrutural do clube, o Rio Ave FC está hoje perfeitamente estabilizado no campeonato português e encara todas as temporadas sob a premissa de praticar bom futebol e ficar nos lugares cimeiros.

Uma estrutura para o futebol não se faz apenas da equipa principal sénior. O Rio Ave FC é hoje reconhecido também pela qualidade da sua formação, onde as suas equipas de sub23 e de sub19 se destacam com presenças nas disputas dos títulos nacionais frente a clubes com outro tipo de infraestruturas e capacidades de recrutamento. O fim da equipa B (que estava estagnada nas distritais da A.F. Porto) permitiu a que muitos jovens evoluíssem na equipa de sub23 e essa foi uma decisão que engrandeceu e muito o clube, que tem colhido os seus frutos com, aos poucos, alguns jogadores vindos da formação a começarem a ganhar o seu espaço na equipa principal. Esse é e tem de continuar a ser o caminho para a valorização do jovem jogador português.

Contudo, um longo caminho teve que ser percorrido para o Rio Ave FC ser hoje uma mais valia do nosso futebol. O clube vila-condense teve de passar por vários períodos entre a Primeira e Segunda Ligas para, depois sim, se vir estabilizando cada vez mais. Sob a liderança do presidente António Silva Campos, há um nome incontornável que na minha ótica abriu caminho para a revelação de novos treinadores e jogadores: Carlos Brito. É indissociável o nome de Carlos Brito e do Rio Ave FC. Foi o técnico de 55 anos que salvou o Rio Ave da despromoção durante várias temporadas e foi com ele que começou a consolidar-se na primeira metade da classificação, nomeadamente em 2010/11, com o 8º lugar alcançado.

Duas temporadas depois, algo de especial se começou a avizinhar em Vila do Conde. Nuno Espírito Santo, na sua primeira experiência como treinador principal, levou o Rio Ave FC a um sensacional 6º lugar da classificação, algo que levou o técnico a outros patamares (é hoje um treinador mundialmente reconhecido) e o próprio clube começou a ser visto com outros olhos. O Rio Ave FC já não era somente um clube para lutar pela manutenção. A história de Nuno em Vila do Conde continuou a ser feita. Na temporada seguinte, e apesar de um mais modesto 10º lugar, o Rio Ave FC chegou à final da Taça de Portugal pela segunda vez na sua história, 30 anos depois. Apesar da derrota para o SL Benfica, os rioavistas mostravam a sua ascensão, consolidada com a primeira presença na fase de grupos da Liga Europa.

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Com Pedro Martins ao leme, o Rio Ave fez um campeonato sólido, marcado por essa novidade da exigente presença europeia e atingindo as meias finais da Taça de Portugal. Na temporada seguinte, sem Europa, Pedro Martins voltou a levar o Rio Ave às meias finais da Taça de Portugal e conseguindo um 6º lugar no campeonato. Saiu Pedro Martins e entrou Luís Castro. O bom futebol, esse, nunca mais saiu de Vila do Conde.

Era já sobejamente entendido que a estrutura do clube pretendia um futebol de ataque, atrativo, e o primeiro passo para o ter é contratar um treinador com esse perfil. Após Luís Castro, Miguel Cardoso trouxe um histórico 5º lugar e a dupla José Gomes/Daniel Ramos consolidou o Rio Ave na metade superior da tabela. Esta temporada, ainda em andamento e com Carlos Carvalhal no comando, fica já definida pela luta acérrima de FC Famalicão, Rio Ave FC e Vitória SC por um 5º lugar europeu. Independentemente do fim deste conto, é irrefutável a consistência e consolidação do clube nestas lutas que não eram historicamente suas. Porém, com muito trabalho e mérito da direção e estrutura, ninguém imagina o Rio Ave lutar apenas pela manutenção.

 

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