Nos últimos anos o Rio Ave FC tem conseguido consecutivamente apresentar-se consistente na liga, terminando em lugares meritórios, por norma perto das posições que permitem discutir uma eventual qualificação para a Liga Europa. Por Vila do Conde têm passado não só bons jogadores, como bons treinadores, que encontram no clube um espaço de afirmação, para mais tarde dar o salto para um plano superior. O caso mais evidente será, por ventura, o de Ederson Moraes, mas também não podemos esquecer o de Jan Oblak, dois guarda-redes que representaram as cores dos vilacondenses, antes de se afirmarem como titulares absolutos do SL Benfica e, posteriormente, como dos melhores do mundo na posição ao serviço de Manchester City FC e Club Atlético Madrid, respetivamente.

Na temporada de 2019/2020, o Rio Ave volta a merecer nota muito positiva pelo seu desempenho, onde Carlos Carvalhal e a sua equipa técnica merecem todos os elogios. O português de 54 anos, que nos últimos anos andou por terras de sua Majestade, conquistou os britânicos pelo percurso no Sheffield Wednesday FC, depois de em dois anos consecutivos ter estado muito perto de um lugar entre a elite da Premier League. A oportunidade de treinar no principal escalão inglês viria a chegar através dos galeses do Swansea FC, entrando a meio da temporada com o objetivo de salvar o clube da despromoção. O Swansea viria mesmo a ser relegado para o segundo escalão, o que ditou a saída do técnico natural de Braga. Com experiência acumulada na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos, o regresso a Portugal nove anos depois traz-nos um treinador diferente, empenhado em deixar a sua marca com futebol positivo, numa equipa que sabe ter a bola e evita ao máximo o “chutão para a frente”. Os jogadores parecem estar a responder bem às ideias e métodos do técnico e o quinto posto que o Rio Ave ocupa na tabela classificativa não deixa dúvidas para o cunho de Carvalhal.

O Rio Ave é uma das equipas menos batidas da competição, a par de Boavista FC, com vinte e três golos sofridos. Melhor, só SL Benfica e FC Porto. Dos elementos que compõem a defesa, destaco dois jogadores que chegaram este ano a Vila do Conde: o guarda-redes polaco Pawel Kieszek e o defesa brasileiro Aderllan Santos. A sua qualidade aliada à experiência são fatores diferenciadores nesta zona do terreno. Uma palavra também para o lateral esquerdo Matheus Reis, que explora muito bem zonas mais adiantadas do terreno, envolvendo-se frequentemente na manobra ofensiva da equipa e demonstrando capacidade para criar muito perigo.

No meio-campo, um jogador que não resisto a admirar, o veterano Tarantini, ele que se encontra a cumprir a décima segunda época consecutiva nos rioavistas, um histórico do clube e da própria liga, um líder e uma voz de comando, ele que é naturalmente o capitão desta equipa e homem de confiança do treinador Carlos Carvalhal, que raras vezes dele abdica. Depois, mais à frente, dois jogadores muito virtuosos tecnicamente e que têm tido um papel crucial no momento ofensivo do Rio Ave: Nuno Santos e Diego Lopes.

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Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O primeiro costuma ocupar um lugar na ala direita, explorando movimentos interiores, ele que é um esquerdino, e está empenhado em mostrar que os problemas físicos fazem parte do passado, contribuindo com frequência com golos e assistências. O segundo, varia entre as alas e o centro do terreno, a dez, e tem sido elemento em grande destaque, acrescentando fantasia ao futebol vilacondense. Juntos, são a verdadeira força criativa da equipa, daqueles jogadores que conseguem resolver um jogo de um momento para o outro.

Por último, o iraniano Mehdi Taremi, o ponta de lança que chegou a Vila do Conde numa verdadeira jogada de génio. Internacional pelo seu país, não demorou a mostrar credenciais, quando na primeira partida como titular celebrou um hat-trick na vitória por 5-1 contra o CD Aves. Joga bem sem bola, com um posicionamento muito interessante, ora para jogar de costas para a baliza, ora para aparecer a finalizar. Boa técnica e de movimentos simples, é um jogador de grande classe e, a meu ver, a contratação do ano do Rio Ave. Falou-se numa potencial saída no mercado de janeiro, tendo o iraniano visto o seu nome associado a Benfica e Sporting, mas o jogador acabou mesmo por ficar.

Não é por acaso que o Rio Ave está tão bem este ano e o próprio treinador admitiu que o assédio aos seus jogadores foi grande durante o último mercado. Há um enorme potencial de valorização dos seus ativos, não só dos nomes supramencionados, mas também de outros elementos que compõe o plantel e que poderão no futuro garantir a segurança financeira do clube.

PS: Nota ainda para o trabalho na formação, onde a equipa de juniores se encontra em segundo lugar no apuramento de campeão e a equipa de sub-23 lidera a 2ª fase da Liga Revelação, o que deixa bons indicadores para o futuro do futebol vilacondense.

Artigo revisto por Joana Mendes