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Rivalidade minhota: Dois clubes, dois sentimentos

Tiago Serrano · 5 min

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Cabeçalho Futebol NacionalO Minho é uma região de turismo, e é também uma região de futebol. Uma região de futebol muito bem representada pelos seus principais dois emblemas: Sporting Clube de Braga e Vitória Sport Clube Há muitos anos que “espanhóis e marroquinos” se defrontam num derby que choca paixões e que para a região inteira.

Para além de serem os principais representantes da região a que pertencem, Sporting de Braga e Vitória de Guimarães também têm aspirações em comum. Actualmente, SC Braga e Vitória SC são tradicionais candidatos aos lugares de acesso às competições europeias. No entanto, apesar de ambos os clubes terem carimbado o acesso à Liga Europa na próxima época, os rivais minhotos terminam a época com sentimentos distintos.

O Vitória de Guimarães realizou uma das melhores épocas da sua história, com um quarto lugar alcançado com record de pontos e a chegada à final da Taça de Portugal. Já o Sporting de Braga, que aspirava aos lugares de acesso à Champions, não foi além do quinto lugar e perdeu a final da Taça da Liga para o também clube minhoto Moreirense FC.

Desde 2007/2008 que o Vitória de Guimarães não terminava o campeonato à frente dos rivais minhotos. E foi também nesta época que a equipa vitoriana derrotou o SC Braga no Estádio Axa pela primeira vez. Mas quais terão sido os factores que levaram a este desfecho?

Quanto ao SC Braga, pode-se dizer que o clube teve uma época má em todos os aspectos. Primeiro, começando pela decisão incoerente de António Salvador de contratar José Peseiro para treinador no início da época. Um treinador mal-amado pelos adeptos e para o qual, a conquista do primeiro título da “Era Salvador” em 2012/2013 não foi o suficiente para o manter no comando técnico da equipa na época seguinte.

Apesar da derrota na Supertaça, a equipa bracarense até vinha a realizar um campeonato regular com o técnico coruchense ao leme, chegando a espreitar o segundo lugar. No entanto, a eliminação da Liga Europa num grupo relativamente acessível e a eliminação precoce da Taça de Portugal, consumada com uma derrota caseira contra o SC Covilhã ditaram o seu segundo despedimento em 2017.

Para a sua sucessão foi escolhido Jorge Simão, o treinador na então equipa sensação deste campeonato. E quando se deu a sua apresentação oficial, com certeza que os adeptos do clube bracarense estavam longe de imaginar os tormentos que aí viriam, que tornaram a contratação de Jorge Simão num fiasco.

Os arsenalistas esperam viver melhores dias na próxima época Fonte: SC Braga
Os arsenalistas esperam viver melhores dias na próxima época
Fonte: SC Braga

Antes de mais, o ex-treinador do GD Chaves estabeleceu uma meta para o clube no campeonato: 65 pontos. Pareceu-me uma meta pouco ambiciosa para um clube que aspira aos lugares de acesso à Champions. Vejamos, ao fim da primeira volta, o SC Braga tinha conquistado 39 pontos, faltavam 26 para os 65, sendo que na segunda volta iria receber os três grandes e o Vitória de Guimarães no seu estádio. Este sinal de pouca ambição pareceu ter deixado a equipa desmotivada.

Depois, em pleno mercado de Inverno, rebentou a polémica com o médio Marko Bakic e o defesa-central e capitão de equipa André Pinto, que resultou no encosto de ambos os jogadores, iniciou-se um ciclo de seis jogos seguidos sem vitórias, que iniciou na derrota na final da Taça da Liga contra o Moreirense FC. Este ciclo de maus resultados mostrou que a situação com os dois jogadores que ficariam a treinar na equipa B o resto da época, teve um impacto negativo no balneário.

E não foi apenas pela polémica com estes dois jogadores que o mercado de Inverno foi agitados para o Sporting de Braga. Foi também pelas muitas mudança que foram feitas no plantel, e que no final, só mostraram que estas satisfaziam mais os interesses do treinador do que as necessidades da equipa. Por exemplo, porque foram contratar o extremo Fede Cartabia, quando na posição já tinham Alan, Pedro Santos, Wilson Eduardo e Ricardo Horta?

Quando Abel Ferreira chegou para ficar na equipa principal bracarense, a quatro jornadas do fim, já era tarde. O mal já estava feito. Abel Ferreira teve apenas tempo para confirmar o descalabro, ao deixar-se ultrapassar pelo rival minhoto. No entanto, o presidente António Salvador (que foi reeleito no último fim-de-semana) mantém a sua confiança no técnico para liderar um novo projecto assente na aposta na formação.

Quanto ao Vitória Sport Clube, está de regresso às lides europeias após uma época em que ficaram abaixo das expectativas.

O treinador Pedro Martins conseguiu aquilo que o seu antecessor Sérgio Conceição não conseguiu: construir uma equipa equilibrada e consistente. Com um plantel de qualidade e um estilo de jogo assente no rigor e na organização táctica, adicionada à alma e identidade vitoriana, resultou numa das melhores épocas da história do Vitória de Guimarães.

Com a conquista do quarto lugar na tabela classificativa (melhor classificação da década), a melhor pontuação da história do clube (62 pontos) e a melhor série de resultados da história (sete vitórias consecutivas), creio que o treinador Pedro Martins merece crédito principalmente duas razões.

Pedro Martins conseguiu fazer esquecer Rui Vitória Fonte: Facebook Oficial de Pedro Martins
Pedro Martins conseguiu fazer esquecer Rui Vitória
Fonte: Facebook Oficial de Pedro Martins

Primeiro, porque para além de ter tirado bom proveito de jogadores com provas dadas como Marega, Hernâni, Hurtado a Rafael Miranda, também lançou a revelou outros jogadores como o médio João Pedro, o lateral-esquerdo Konan e o extremo Raphinha, três revelações deste campeonato. Segundo, pela forma como Pedro Martins conseguiu em relativamente pouco tempo, reconstruir e estabilizar a equipa após a saída de dois jogadores-chave: João Pedro e Tiquinho Soares.

Apesar da má fase que o clube vimaranense atravessou na altura (empate caseiro com o CS Marítimo, sucedido por duas derrotas consecutivas contra o FC Paços de Ferreira e o FC Porto), Pedro Martins soube compensar as perdas manter o nível da equipa, mantendo o clube nos lugares de acesso às competições europeias.

E com isto, os rivais minhotos realizaram duas épocas contraditórias. Para os lados de Guimarães reina a satisfação da realização de uma das melhores épocas da história do Vitória SC, apesar da tristeza na derrota na final da Taça de Portugal. Já em Braga, reina o sentimento de desilusão pela má época realizada pelo seu principal representante, e que esperam uma reacção na próxima temporada.

 

 Foto de Capa: Vitória SC

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos