Aos 29 anos, Sandro Lima vive o melhor momento da sua carreira. Ao serviço do Gil Vicente FC, o ponta de lança brasileiro é o melhor marcador da equipa minhota e é mesmo o terceiro melhor marcador do nosso campeonato, com dez golos marcados em 24 jogos realizados. À frente de Sandro Lima (embora igualado com Paulinho do SC Braga e Fábio Abreu do Moreirense FC), apenas estão Pizzi e Carlos Vinícius, ambos do SL Benfica.

Sandro Lima, apesar de estar em Portugal ininterruptamente desde a temporada 2013/14, tem o seu passe vinculado ao Grêmio Anápolis SA que o tem vindo a emprestar a clubes portugueses desde então. Sandro Lima chegou assim a Portugal aos 22 anos para representar o Rio Ave FC. Apesar dos 18 jogos em que participou, nunca conseguiu marcar um golo pela equipa vila-condense, tendo saído para a Segunda Liga nas temporadas seguintes onde conseguiu paulatinamente mostrar a sua qualidade, nomeadamente no Académico de Viseu FC, onde fez 13 golos.

Na época seguinte representou o GD Chaves, ajudando na subida dos transmontanos à Primeira Liga com sete golos. Contudo, Sandro Lima não subiu, permanecendo na Segunda Liga e regressando ao Académico. A segunda passagem pelos viseenses não foi tão prolífera em termos de golos, visto que apontou apenas seis mas na temporada seguinte (2017/18), voltou a revelar instinto matador, fazendo 12 golos pela formação da terra de Viriato. Era o momento de encerrar um ciclo ao serviço do Académico e de abraçar um novo desafio, numa equipa com pretensões claras a subir de divisão: o GD Estoril Praia. Apesar desse objetivo ter sido falhado, Sandro Lima ainda apontou nove golos pela equipa canarinha, tendo sido o homem principal na frente de ataque.

Chegou o momento 2019/20 e com ele chegou a nova vida de Sandro Lima. Numa equipa que se sabia que ia ser completamente construída de raiz, Vitor Oliveira foi muito claro: queria Sandro Lima na sua equipa. De facto, o técnico já tinha orientado o jogador no Chaves, quando o avançado ajudou a equipa flaviense a atingir a divisão máxima do futebol português. Para além disso, certamente que como um conhecedor da Segunda Liga como mais nenhum, Vitor Oliveira sabia perfeitamente das características do brasileiro e daquilo que este podia acrescentar à sua ideia de jogo.

As equipas de Vitor Oliveira são caracteristicamente possuidoras de um ponta de lança possante, com boa capacidade no jogo aéreo mas que tenha atributos técnicos. Sandro Lima tem tudo isso e acrescenta-lhe um conhecimento já profundo do futebol português, ao contrário da esmagadora maioria dos colegas de equipa. Esta experiência assentou que nem uma luva no Gil Vicente, elevando o nível de jogo da equipa a patamares muito bons.

Sandro Lima tem a felicidade (procurada certamente) de se encontrar num momento de absoluta estabilidade e consistência competitiva. Sem revelar lesões, ao contrário de algumas fases em épocas anteriores, o ponta de lança apresenta um nível de jogo completamente identificado com o que Vitor Oliveira pretende para um avançado. Beneficiando também das características de Kraev, surgiu uma ligação muito forte entre os dois, tornando a frente de ataque do Gil Vicente poderosa fisicamente e perita em movimentos de rotura entre os defesas contrários e no ataque à profundidade, ajudados depois pelos extremos Lourency e Baraye, fazendo com que o Gil Vicente, com as suas armas, seja uma das equipas que vale a pena seguir neste campeonato.

Sandro Lima já não vai para novo, pelo que uma chegada a patamares competitivos muito mais elevados não se avizinhará fácil. Contudo, aquilo que tem feito nesta temporada leva a pensar que se tivesse manifestado este nível de consistência ao longo de toda a sua carreira, poderia efetivamente ter atingido outras realidades. A influência de Vitor Oliveira revelou-se decisiva também, certamente. Eis Sandro Lima, um dos bons jogadores do nosso campeonato, atuando pela grande surpresa desta edição: o Gil Vicente.