Findada que está a paragem para os compromissos internacionais, os jogadores regressam agora aos seus clubes para voltarem às competições domésticas. No arranque para a quinta jornada da Primeira Liga, para além do líder improvável (mas justo) FC Famalicão, salta à vista a “pobre” classificação dos dois elos da maior rivalidade minhota: SC Braga e Vitória SC. Os bracarenses estão em 14º lugar com quatro pontos conquistados, já os vimaranenses estão na 15ª posição, com três pontos amealhados.

Os planteis de ambos têm qualidade? Sim. Os treinadores – Ricardo Sá Pinto e Ivo Vieira – encaram os jogos de forma arrojada, tentando dominar qualquer adversário que encontrem pelo caminho? Também me parece que sim, com excepções pontuais. Então, nesse caso, o que explica as pontuações nos primeiros jogos da liga portuguesa? Na minha opinião, uma mistura de Liga Europa com falta de sorte a vários níveis.

No caso do SC Braga – o único dos dois que já venceu – a temporada 2019/20 até começou bem. Porém, a ida ao terreno do Gil Vicente FC, onde Sá Pinto mexeu muito no onze inicial (por causa da importância da Liga Europa) deu o primeiro dissabor da época, com um empate. Depois, a viagem a Alvalade, até demonstrou um SC Braga a jogar bem, que na minha ótica, não merecia perder aquele jogo. O descarrilamento aconteceu frente ao SL Benfica, goleados em casa, com a partida mais fraca do ano. Atribuo esta escassez de pontos à falta de sorte no calendário e a alguma incapacidade física da equipa.

Ao olharmos para isto, não percebe esta derrota frente a um adversário mais frágil mesmo depois de terem conseguido recuperar fisicamente das semanas intensas que tiveram frente a um dos principais candidatos à descida de divisão – o Vitória Futebol Clube.

André Almeida festeja o seu primeiro golo pelos seniores vimaranenses contra o Rio Ave
Fonte: Vitória SC

Falando agora do Vitória SC, creio que há mais azar do que outra coisa. Primeiro, nas lesões: Jhonatan, André, Mikel, Al Musrati, Joseph e Wakaso encontram-se no estaleiro, com a possibilidade de Al Musrati estar de regresso neste fim-de-semana. Davidson, depois de ter sido expulso, também ainda vai estar de fora, apanhando dois jogos de castigo por palavras dirigidas ao árbitro Carlos Xistra. Todas estas condicionantes obrigam a que Ivo Vieira coloque quase sempre os mesmos em campo, o que leva a um esforço físico tremendo à quinta e ao domingo, de forma consecutiva.

Em segundo lugar, nos jogos. Para além do jogo com o FC Porto – onde terminaram com menos dois elementos – sendo vergados a uma justa derrota, a primeira jornada não se realizou quando deveria, tendo sido adiada para uma altura em que havia jogadores nas selecções, muitas lesões e castigos a acumularem-se, o que redundou numa derrota às mãos do Rio Ave FC. No jogo com o Boavista FC em casa, foram claramente superiores, mas como diz a velha máxima “quem não marca sofre”, o segundo nunca apareceu e os axadrezados, num lance de bola parada, empataram ao cair do pano. Contra o FC Famalicão a coisa foi mais discutida, com uma divisão de pontos que me pareceu ser justa.

Agora, depois da paragem para selecções, foi possível recuperar mais um ou outro jogador, bem como foi possível inscrever Edward, Leo Bonatini e Lucas Evangelista, os reforços – de grande qualidade, acrescento eu – do clube sediado em Guimarães. O próximo jogo é hoje, em casa, frente ao CD Aves, que me parece ser um adversário “acessível” para conseguirem a primeira vitória deste campeonato.

A partir deste ponto, é que vamos ver do que é que são feitos ambos os planteis. Avizinha-se uma temporada longa e exigente, com jogos para a Liga Europa às quintas-feiras e campeonato quatro/cinco dias depois. Tudo o que não seja uma vitória, quer para um, quer para outro, pode começar a colocar algumas inquietações na cabeça dos associados. Sendo SC Braga e Vitória SC dois dos projetos mais interessantes do futebol português, creio que a resposta ao fato de estarem na causa da tabela classificativa vai mesmo ser dada em campo num futuro breve.

Foto de Capa: SC Braga

artigo revisto por: Ana Ferreira

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