A nova realidade veio testar todos os níveis do futebol português. A pandemia provocada pelo vírus covid-19 veio dizimar qualquer forma de vida do futebol amador e pôs a nu a essência do futebol profissional.

Enquanto se discutem medidas e confinamentos, no momento em que é posto como possibilidade a transferência de doentes para países estrangeiros, o “Tugão” não surpreende e em momento algum se inibe de protagonizar uma boa polémica.

Depois de na semana passada termos assistido a um episódio infeliz na Segunda Liga, em que o SC Covilhã se apresenta em campo perante o GD Estoril Praia com apenas 13 jogadores na ficha de jogo, por conta de um surto de covid-19 no seu plantel. O mesmo tipo de problema começa a surgir um pouco por outros plantéis, onde não existe a possibilidade de adiar partidas.

O calendário começou a apertar em janeiro, com a realização da fase final da Taça da Liga, no seu novo formato, e coincidiu com o aumento de casos em vários clubes. Se esta prova já pairava sob um conjunto de mil e uma razões para não existir, este ano adquiriu mais uma.

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Com a eliminação do CD Mafra e GD Estoril Praia, sobravam apenas equipas da Primeira Liga para a final four, em Leiria. FC Porto, SL Benfica, SC Braga e Sporting CP protagonizaram os duelos da meia final e somavam, juntos e desde o iníco, cerca de 50 casos.

Pelo meio da decisão do primeiro troféu referente a esta época, surgiram falsos positivos, comunicados descabidos, explicações furadas e dirigentes máximos expostos ao ridículo. Ou seja, mais um dia nas competições portuguesas.

Apesar das acusações de crime contra a saúde pública e de ser impedido de utilizar dois jogadores na meia final contra o FC Porto, mas depois permitidos na final contra o SC Braga, o Sporting CP conquistou a Taça da Liga e não se pode dizer que tenha beneficiado pela “situação covid”.

Se há ponto onde todos convergimos é que o vírus é democrático e afeta qualquer equipa e qualquer atleta. Com muitas ou poucas, os quatro clubes apresentaram-se na fase final com algumas baixas, mas na altura do apito inicial estavam 11 contra 11.

No entanto, o prejuízo poderá ser ainda maior. Se o custo de perder uma Taça da Liga é, para grande parte dos adeptos, um custo menor, o mesmo não se poderá dizer das provas que ainda faltam.


Os leões concentram-se agora única e exclusivamente no campeonato, prova que lideram desde a jornada seis. Por sua vez, para além da Taça de Portugal, águias e “Gverreiros” discutem ainda os dezasseis-avos da Liga Europa. Os dragões, também nos quartos de final da prova rainha, vão ainda medir forças com a Juventus FC nos oitavos de final da Liga dos Campeões.

A próxima eliminatória da Taça de Portugal vai jogar-se no final de janeiro e a das competições europeias no final de fevereiro. O mesmo é dizer que no espaço de um mês, águias, arsenalistas e dragões vão jogar muito do respetivo futuro da época 2020/21.

Com campeonato pelo meio, a frequência de jogos vai manter-se alta e só a muito custo é que os números de casos positivos nos plantéis não vai subir.

Em março de 2020, por muito menos, atirou-se para o vazio e indecisão todas as provas nacionais. Agora, em janeiro de 2021, com recordes diários de casos e óbitos, não se permitem adiamentos ou interrupções de provas. Que não seja necessário o internamento de um atleta – ou pior – para que o assunto seja discutido.

Até lá as provas decorrem normalmente, ora com o plantel a 100 porcento, ora com chamadas repentinas da equipa “B”. Prevê-se um mês decisivo para todos os clubes, principalmente para aqueles que ainda estão na corrida por mais de uma prova.

Às autoridades competentes, mais do que explicar toda a confusão que envolveu a conclusão da Taça da Liga, com comunicados disparados todos os dias, exige-se uma maior proteção dos envolvidos.

É rara a conferência de antevisão ou de rescaldo em que o treinador A, B ou C não aponte as dificuldades de montar a estratégia para o jogo e saber, a horas do mesmo, que ficará impedido de utilizar alguns jogadores por conta do vírus covid-19.

É certo que as dificuldades são para todos e acabam por nivelar a competitividade. A questão é que a nivela por baixo. No limite, que se tenha em conta a representação portuguesa nas competições europeias. Seria do maior interesse que SC Braga, SL Benfica e FC Porto conseguissem discutir as suas eliminatórias na máxima força. Seria também do maior interesse além do vírus, a Liga também não prejudicasse (ainda) mais os clubes que já estão sobrecarregados por um calendário numa época atipica.

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