Vinda de uma temporada tranquila, a equipa de Jorge Simão está a demorar a acertar o passo, estando, ao fim de seis jornadas, em zona de descida de divisão com apenas quatro pontos. A pressão aumenta e, qualquer resultado que não seja a vitória na receção ao CD das Aves da próxima jornada, pode resultar em chicotada psicológica.

Na temporada passada, após seis jogos oficiais e apenas uma vitória, Miguel Leal era despedido e substituído por Jorge Simão. Apesar de ser um dos treinadores mais jovens da Primeira Liga Portuguesa, o técnico chegava com currículo e, inclusive, com qualificações europeias nos trabalhos anteriormente realizados. Com passagens pelo CF Belenenses, Atlético CP, FC Paços de Ferreira, GD de Chaves e, sobretudo, pelo SC Braga, Jorge Simão era visto como o homem ideal para tirar a equipa da apatia que vivia e para conseguir atingir o objetivo de terminar entre os primeiros 10 classificados. Após se estrear com uma sensacional vitória perante o SL Benfica, o Boavista FC de Jorge Simão conseguiu terminar em 8.º lugar, aumentando a expetativa para a nova temporada.

O Boavista FC tem como objetivo intrometer-se na luta pela Europa. A sua última participação foi na época 2002/2003
Fonte: Boavista FC

Foi um defeso muito movimentado no Bessa. A nível de saídas, o ex-campeão nacional perdeu o seu guarda-redes titular, Vágner, e mais duas peças basilares para o técnico de 42 anos: Renato Santos e Raphael Rossi. Três elementos indiscutíveis no xadrez de Jorge Simão na época anterior.

Quanto a entradas, destaque para o guarda-redes brasileiro Helton Leite, que tem sido dos melhores da equipa, para o defesa central Neris e para o ponta de lança Federico Falcone. A nível de reforços têm sido os que têm estado mais em destaque, sendo que no último jogo ante o Rio Ave FC, Nwankwo Obiora e Rafa Lopes entraram no 11 inicial e prometem ser jogadores importantes para o melhoramento da equipa. A grande vitória do Boavista FC neste defeso foi mesmo o elevado rol de renovações, que permitiu que a base do sucesso da época passada se mantivesse.

Apesar da manutenção da espinha dorsal da equipa, o Boavista FC atravessa um momento terrível. Após arrancar com uma vitória de 0-2 em Portimão, seguiu-se uma derrota caseira com o SL Benfica e um empate fora com o CD Feirense. A partir daqui foi o descalabro com três derrotas consecutivas. Goleados nos Açores pelo CD Santa Clara, derrotados em casa pelo GD de Chaves e batidos nos Arcos pelo Rio Ave FC.

Apenas uma vitória em sete jogos oficiais, põe o lugar de Jorge Simão em risco
Fonte: Liga Portugal

Mantendo o ADN da época transata, o Boavista FC continua a ser uma equipa que dá gosto ver, com elementos de uma qualidade enorme como Rochinha, Fábio Espinho, David Simão ou André Claro. Uma equipa de posse, com jogo interior e exterior e com soluções no plantel que permitem a Jorge Simão tornear e alterar o seu modelo de jogo consoante as necessidades da equipa em determinado jogo.

Portanto, o que se passa? O que se passa, é que o Boavista FC é um dos clubes com mais responsabilidade do país e que esta época pretendia fazer melhor que o 8.º lugar e tentar entrar na luta pela Europa. Os resultados não aparecendo, a pressão e ansiedade aumentam, ficando espelhado nas últimas exibições das ‘Panteras’ tais sintomas.

Olhando para a qualidade do plantel e da equipa técnica, dir-se-ia que é uma questão de tempo até a máquina engrenar, mas sabemos que no futebol, a paciência não é um fator que conte. A próxima jornada, é uma receção ao CD das Aves e um resultado que não a vitória, pode mesmo implicar alterações na liderança do grupo de trabalho.

É expectável que Jorge Simão não fuja muito das opções que tomou nos Arcos, na última jornada. Stephane Sparagna, expulso, dará lugar a Raphael Silva no centro da defesa, sendo que Neris, Carraça, Talocha e o guarda-redes Helton Leite permaneçam no 11 inicial. Nwankwo Obiora ‘roubou’ o lugar a Idris Mandiang, sendo esta a posição mais duvidosa. Tanto pode voltar a alinhar com Obiora ou fazer regressar Idris, como pode lançar Rafael Costa, um jogador mais criativo e com excelente qualidade de passe e visão de jogo. Rochinha, Fábio Espinho, David Simão são, à partida, intocáveis, havendo a dúvida se André Claro permanece no 11 ou se volta Mateus, para dar outra velocidade, profundidade e explosão ao ataque axadrezado. Rafa Lopes, que até marcou ao Rio Ave FC, deve manter-se na titularidade, relegando novamente para o banco Federico Falcone. Jogo de grandes nervos no Bessa…

Foto de Capa: Boavista FC

Comentários