No final do CD Feirense – Moreirense FC, para a 23.ª jornada da Primeira liga, Ivo Vieira revelou ter “indicações da administração” para não utilizar Rúben Lima, um dos laterais-esquerdos mais regulares do campeonato. Apesar do técnico não revelar os motivos do afastamento do lateral português, tudo indica que esteja relacionado com divergências na renovação de contrato do jogador, numa atitude por parte dos cónegos que não é virgem esta temporada e que me deixa a questionar porque os clubes colocam um suposto encaixe financeiro, que pode nem acontecer, à frente dos resultados desportivos imediatos.

Vamos ver: os clubes adquirem os jogadores e, por norma – pelo menos entre clubes mais modestos – oferecem contratos relativamente curtos (à volta duas temporadas) às novas aquisições, salvaguardam-se financeiramente no caso do jogador sair um flop. Porém, não poucas vezes os emblemas entram num oxímoro quando decidem hipotecar o sucesso desportivo no curto-prazo à espera de conseguir alguma receita com um atleta que, de princípio, não contou com o apoio do clube para um projeto a longo-prazo, pelo menos sendo isso que nos indica um contrato de apenas duas temporadas.

Admito que posso estar a ser injusto neste julgamento da atitude da administração do Moreirense, mas outros exemplos houve onde o mesmo castigo foi aplicado e as consequências desportivas foram bem maiores que qualquer possível ganho financeiro.

Um caso que pode ter largas consequências esta temporada vem de Santa Maria da Feira, com Flávio Ramos, central brasileiro e um dos pilares da defesa fogaceira em 2017/18, a ficar fora da convocatória durante meio-ano devido ao arrastar do processo de renovação e a deixar vulnerável todo o sector defensivo do Feirense, um calcanhar de Aquiles constante ao longo da temporada e que explica a péssima prestação dos fogaceiros na Liga NOS.

Flávio Ramos foi afastado do CD Feirense até renovar contrato no final de janeiro
Fonte: CD Feirense

Até se poderia concordar com castigos deste género com jogadores que estejam a forçar a saída, mas jogadores que não querem renovar? Como se fosse alguma obrigação do atleta ter de estar ao serviço de um clube por mais tempo que a duração do primeiro contrato assinado. Já pensaram no que seria do FC Porto esta temporada se tivesse encostado Brahimi e Herrera por não renovarem os seus vínculos? Ou aquilo que os Dragões teriam perdido se não usufruíssem das qualidades de Marcano na época passada? Ou o que seria do “renascimento” de Samaris no Benfica se tivesse sido posto de lado?

Deixar propositadamente de fora Rúben Lima pode vir a ter consequências na excelente temporada protagonizada pelo Moreirense e não se pode deixar de questionar se valerá de alguma coisa prescindir de um jogador importante por hipotéticos ganhos financeiros. Ignorar o ganho desportivo pelo ganho financeiro pode custar muito caro no futuro.

 

Foto de Capa: Moreirense FC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Comentários