O GD Chaves é um clube que se encontra numa situação delicada. O clube de Trás-Os-Montes ocupa a penúltima classificação do primeiro escalão do Futebol português, com apenas 24 pontos.

Os resultados não têm aparecido ao Chaves e parece que não é apenas a massa adepta que mostra indícios de alguma ansiedade. José Mota é, neste momento, o terceiro treinador do clube esta época, o que, por si só, já diz muito da estabilidade “governativa” que paira no clube flaviense. Estabilidade essa que é essencial para a boa conduta de um clube que, como o Chaves, se encontra no limbo.

Na minha opinião, a rescisão com Tiago Fernandes foi um tanto ou pouco precipitada. A adaptação do treinador não se mostrou nada fácil, mas a equipa estava a dar indícios de melhoria. Convém não esquecer que o treinador tem muito pouca experiência na Primeira Liga e esta aposta foi um total tiro no escuro por parte da direção do GD Chaves.

O treinador pegou na equipa em dezembro e, como se sabe, não nas melhores condições. As exibições até tendiam a ser melhores do que os resultados, o que me leva a crer que era bem possível a manutenção na Primeira Liga com a permanência do antigo treinador.

Tiago Fernandes estava, finalmente, a conseguir pôr a sua equipa a jogar um futebol mais positivo, mas o calendário difícil foi também uma das principais circunstâncias a traí-lo. As suas derrotas, inclusive, eram todas frente a adversários teoricamente superiores (como, por exemplo, Rio Ave FC, CD Santa Clara, Boavista FC, SL Benfica, SC Braga e FC Porto).

José Mota, depois de Daniel Ramos e Tiago Fernandes, é já o terceiro treinador do GD Chaves esta época
Fonte: GD Chaves

Ainda assim, os muitos empates da equipa do Chaves foram também o calcanhar de Aquiles do treinador português. Mas sejamos pragmáticos: o Chaves estava a quatro pontos da posição que lhe garante a permanência na Primeira Liga. Passar por uma mudança de equipa técnica nesta reta final em nada irá beneficiar o emblema flaviense.

Para além disso, factos são factos: em 13 jogos, Tiago Fernandes fez o dobro de pontos do seu antecessor – Daniel Ramos –, que apenas conseguiu sete pontos em 12 duelos. Claro que os erros dos outros não podem justificar os nossos, mas, por vezes, os melhores remédios para os mais esquecidos são esses mesmos: os factos.

Não me interpretem mal. Bem sei que nem tudo foi perfeito na caminhada de Tiago Fernandes pelo Chaves. A questão é que não foi assim tão desastrosa como muitos a pintam, mas esta é somente a minha opinião. Não esquecer também que valorizou jogadores como Marcão e Eustáquio que se traduziram em verbas importantes para o clube transmontano.

Agora a aposta prende-se por José Mota. Ao contrário do seu antecessor, é um treinador que já tem muitos anos disto. O Chaves será a nona equipa portuguesa que José Mota vai orientar. O treinador de 55 anos conta com dois títulos de Segunda Liga, ou seja, duas subidas de divisão, e uma Taça de Portugal conquistada no ano passado pelo Clube Desportivo das Aves frente ao Sporting CP.

Mal entrou, José Mota conseguiu logo obter uma vitória fora de casa, no terreno do CD Aves, talvez também fruto do seu grande conhecimento da equipa da Vila das Aves de onde havia saído já no decorrer desta época.

Ainda assim, não podemos fechar os olhos à falta de consistência na carreira de José Mota que, nas últimas seis épocas, orientou seis equipas diferentes e uma delas em momentos distintos (Vitória FC, Gil Vicente FC, CD Feirense, CD Aves, CS Sfaxien e GD Chaves).

Será ele o homem certo para ‘salvar’ o Chaves?

 

Foto de Capa: CD Chaves

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