Desde muito pequena que tive um sonho. Estava eu no meu oitavo ano e, pela primeira vez, questionava-me sobre o que queria ser quando fosse grande. Claro que já tinha pensado nisso, mas não de uma forma totalmente clara e objetiva.

Enquanto crescia um amor que, mal eu sabia, se viria a tornar tão grande (aquele que tenho pelo futebol), com esse amor vinham também algumas incertezas acerca do meu futuro. Foi desde aí que comecei a definir objetivos sobre aquilo que queria para a minha vida. E foi então que surgiu a ideia do jornalismo desportivo.

Digamos que o meu sonho ficou em banho maria e só viria a começar a cumprir parte dele uns anos mais tarde. Sou adepta de um dos três grandes e confesso que a minha entrada para o Bola na Rede permitiu-me abrir horizontes e ver o futebol para além de FC Porto, Sporting CP e SL Benfica. Ver e dar valor aos clubes que competem neste campeonato que tem tanto de desleal como de injusto para os clubes ditos mais pequenos.

Desde que entrei para este projeto, tive oportunidade de fazer coberturas em três estádios distintos: António Coimbra da Mota, Jamor e Alvalade. Ou seja, três realidades bastante diferentes – um clube da Segunda Liga, um clube de Primeira, mas de média tabela e, por fim, um dos três grandes em Portugal.

Como era esperado, foram também experiências bastante diferentes. O que eu não estava à espera era da diferença perante a postura da Comunicação Social nas diversas partidas que cobri, acreditando eu na total, e suposta, imparcialidade inerente a toda a classe jornalística seja de que ramo for.

A primeira vez que entrei na sala de imprensa do Estádio Nacional a sala estava cheia de jornalistas e todos eles se mostraram muito interventivos. Estava habituada a uma maior pacatez das conferências do Estoril Praia SAD e associei toda aquela agitação ao facto de ter sido um jogo de Primeira Liga.

Para meu espanto, 15 dias depois, o cenário foi completamente o oposto: a sala de imprensa estava praticamente às moscas e, vejam bem o ridículo da situação, apenas o Bola na Rede colocou uma pergunta ao técnico do Belenenses SAD – Silas. Por muito que seja a Segunda Liga, nunca me aconteceu tal coisa no Coimbra da Mota.

Várias são as cadeiras vazias em conferências de imprensa de clubes que não os três grandes
Fonte: Inês Santos / Bola na Rede

Confesso que aquilo me fez muita confusão. Tanta que fiquei a matutar esse assunto durante algum tempo. Até que cheguei à conclusão de que a grande afluência por parte da Comunicação Social no meu primeiro jogo no Estádio do Jamor deveu-se ao facto de esse respetivo jogo anteceder a partida entre o SL Benfica e Belenenses no Estádio da Luz.

Admito que fiquei um pouco admirada até com a minha ingenuidade naquele instante. Afinal de contas, não é a primeira vez, nem há de ser a última, em que irei tocar neste assunto sobre o monopolismo dos três grandes no futebol português.

Agora a minha questão é: se nem a Comunicação Social se esforça para inverter o foco quase exclusivo sobre os três grandes, quem é que irá tentar alterar esta síndrome? Se a iniciativa de mudar esta realidade não começar por nós, então por onde vai começar afinal? Queremos mesmo continuar a mostrar a realidade de apenas três clubes dos 18 possíveis? Pelos vistos, parece que sim…

Torna-se ainda mais ridículo quando refletimos e percebemos que, por vezes, e em conferências de alguns clubes não é dada palavra aos colaboradores do Bola na Rede. Órgão este que é dos poucos que dá “voz” aos clubes ditos mais pequenos. Mas depois há quem ache que as nossas perguntas não vão interessar, pelos vistos…

Mas é assim que é o futebol português dentro e fora das quatro linhas: dar ainda mais força aos grandes e os pequeninos que de desenrasquem…

Foto de Capa: Bola na Rede

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