Se analisarmos o percurso de cada uma das equipas da Primeira Liga ao longo desta década, creio que é justo dizer que o Rio Ave Futebol Clube, para além de ser dos clubes que mais solidificou o seu estatuto na elite do futebol português, é daqueles que se tem mostrado mais competitivo e com maior crescimento em relação ao seu passado no maior escalão do futebol nacional.

Noutros tempos, o Rio Ave FC era um clube que tradicionalmente, lutava para não descer de divisão, embora tivesse uma época ou outra em que superasse as expectativas e conseguisse um lugar na primeira metade ou no primeiro terço da tabela classificativa. O seu período de maior fulgor deu-se na primeira metade dos anos 80, período no qual obtiveram a melhor classificação de sempre (quinto lugar em 82/82) e chegaram à final da Taça de Portugal em 83/84.

Hoje em dia, são presença assídua na luta pelos lugares de acesso às competições europeias, tendo conseguido nos últimos anos três qualificações para a Liga Europa, bem como a melhor prestação de sempre no campeonato, com um quinto lugar obtido na época 17/18 com 51 pontos.

Mas como é que esta mudança de estatuto começou? Tudo teve início em 2008, ano no qual o Rio Ave conseguiu a promoção ao primeiro escalão do futebol português após um segundo lugar obtido na Segunda Liga em 2007/2008. No dia 8 de Novembro de 2008, os sócios elegeram António da Silva Campos como novo presidente do Rio Ave FC. Este foi o primeiro passo dado no crescimento e sustentação do clube.

Daí para a frente, foram dados vários passos que permitiram ao clube subir degraus no seu crescimento e cimentar o seu estatuto na Primeira Liga, tais como o equilíbrio e a estabilidade financeira, a profissionalização da sua estrutura, e a aposta no scouting.

Para além de António Campos, outros homens influentes estiveram por detrás desta evolução, entre os quais está Miguel Ribeiro. O actual CEO da SAD do FC Famalicão foi Director Desportivo do Rio Ave FC entre 2011 e 2018, tendo chegado a referir numa entrevista que uma das principais virtudes de António Campos era o facto de querer estar rodeado de pessoas competentes nas mais diversas áreas.

Léo Jardim foi um de vários jogadores que o Rio Ave FC valorizou
Fonte: Lille OSC

Ao longo destes anos, o emblema vila-condense também tem desenvolvido uma relação próxima com Jorge Mendes. A parceria estabelecida com o Superagente permitiu ao clube aumentar a sua reputação no mercado e realizar alguns dos negócios mais lucrativos do futebol português.

Outra das imagens de marca de António Campos tem sido a aposta em treinadores jovens e com pouca experiência como treinador principal. Nalguns casos, apostaram mesmo em treinadores sem experiência como treinador principal numa equipa sénior, como nos casos de Nuno Espírito Santo e de Miguel Cardoso. Nem todas as apostas foram bem sucedidas, mas a maioria delas caminham num sentido de apostar num perfil que privilegia o futebol positivo.

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Curiosamente, a aposta em Carlos Carvalhal para esta época não corresponde a esse mesmo perfil de treinador jovem e pouco experiente, mas traz com ele um trunfo: o adjunto Luís Nascimento. O ex-treinador das camadas jovens do Benfica (e irmão de Bruno Lage) pode ser uma peça importante no que diz respeito aos métodos de treino e à prática de um futebol positivo que privilegie a evolução dos jogadores.

Mas aqueles que possivelmente são os principais factores que têm contribuído para este crescimento do Rio Ave FC, têm sido a capacidade de recrutar jovens talentos e de gerir os seus activos. Estes dois factores em conjunto têm permitido ao emblema vila-condense manter uma equipa competitiva ano após ano, bem como render importantes encaixes financeiros, com os quais o clube tem investido nas suas infraestruturas, estando ainda prevista a construção de uma Academia.

Nos últimos anos, o clube valorizou muitos jogadores tais como Ederson Moraes, Ahmed Hassan, Krovinovic, Roderick Miranda, João Novais, Léo Jardim, entre outros; para além de ter tirado bom proveito de jogadores que tem recebido por empréstimo, tais como Jan Oblak, Gil Dias, Francisco Geraldes, Wanderson Galeno e Gelson Dala.

Tirando a época em que António Campos foi eleito presidente do Rio Ave FC, a única época em que o emblema vila-condense passou por aflições no que toca à luta pela manutenção foi a de 2011/2012, na qual terminaram no 14º lugar. Curiosamente, foi nessa mesma época que António Campos entendeu que estava na hora de mudar o paradigma do clube, terminando a ligação com Carlos Brito (provavelmente o treinador com mais história no clube), passando a apostar em treinadores que pudessem colocar o clube num patamar acima no futebol português.

Outra coisa que há-que ter em conta neste projecto, é que o Rio Ave FC é o único clube na Primeira Liga a par do FC Paços de Ferreira que não tem uma SAD, o que enaltece ainda mais a obra que António Campos tem feito nos seus 10 anos de presidência e que promete não ficar por aqui.

Foto de Capa: Rio Ave FC

Revisto por: Jorge Neves