Quem acompanha o futebol português deverá saber que o Vitória Futebol Clube tem passado por graves problemas financeiros há vários anos, fruto de uma SAD que está afogada em dívidas. Esta situação económica difícil do Vitória FC tem atravessado um período particularmente conturbado no actual mandato, que decorre desde novembro de 2017, quando Vítor Hugo Valente assumiu os destinos do clube e da SAD.

Durante este período, têm surgido vários rumores de salários em atraso, bem como pedidos de insolvência, sendo que actualmente, os credores reclamam uma dívida que no total ronda os 20 milhões de euros. Entre estes credores, estão fornecedores, entidades, bem como empresários e antigos funcionários do clube.

Entre alguns destes casos, está o do treinador José Mota, que orientou o clube sadino entre Fevereiro de 2012 e Outubro de 2013, que reclama uma dívida de 165 mil euros, referentes ao ano de 2013, ano no qual era pública a existência de salários em atraso. O ex-jogador Ricardo Silva, que representou o Vitória FC entre 2009 e 2013, tendo inclusive sido capitão de equipa, também pediu a insolvência da SAD no âmbito de uma dívida referente ao mesmo período, acrescentando ainda que havia muitos ex-jogadores do clube na mesma situação.

Vítor Hugo Valente é presidente do Vitória FC desde Novembro de 2017
Fonte: Vitória FC

Mas o episódio mais mediático, surgiu no dia 22 de Abril deste ano, quando o agente Paulo Rodrigues invadiu as instalações do clube para reclamar uma dúvida de 645 mil euros, tendo este chegado a causar danos materiais. Acto que foi assumido elo próprio empresário numa publicação no facebook.

Tendo em contas estes e outros tristes episódios ocorridos no clube nos últimos tempos, a SAD avançou em fevereiro deste ano para um requerimento de um Plano Especial de Revitalização, de modo a aliviar um pouco a situação económica difícil que esta atravessa.

Um Plano Especial de Revitalização (PER) é um processo que entrou em vigor no ano de 2012, que funciona como um mecanismo alternativo à insolvência, visando salvar uma empresa e os seus postos de trabalho, no qual as penhoras sobre os bens da empresa são suspensos, permitindo que esta se mantenha em funcionamento. É um processo que permite à empresa ganhar algum fôlego nas negociações com os credores, sendo um mecanismo mais dinâmico para a sua recuperação e restruturação. No entanto, um PER não pode funcionar sem a aprovação dos credores, cabendo a eles definir a reestruturação e renegociação da dívida.

No dia 28 de junho, o clube anunciou no seu site a aprovação do Plano Especial de Revitalização por parte dos credores, e consequentemente a sua homologação, sendo este o terceiro PER do Vitória FC nos últimos seis anos. Uma medida que foi descrita por Vítor Hugo Valente como “um instrumento essencial para a estabilização financeira prometida pela actual direcção do Vitória FC”, bem como um acto de confiança dos credores nesta direcção.

Ainda há um longo caminho a percorrer e como se tem verificado, as coisas ainda estão longe de chegar a um bom porto. No entanto, este PER pode ser o primeiro passo dado rumo à estabilidade financeira que foge ao clube há anos e que seria algo bom para o futebol português e para um dos emblemas com mais história no nosso futebol.

Foto de Capa: Vitória FC

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