Publicidade

Estoril 2-0 Panathinaikos: Olha uma vitória portuguesa!

Francisco Manuel Reis · 4 min

Estoril 2-0 Panathinaikos: Olha uma vitória portuguesa!

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

liga europa

Custou, mas foi. A vitória do Estoril sobre o Panathinaikos, esta noite, no Coimbra da Mota, valeu a Portugal a única vitória nesta jornada europeia.

José Couceiro promoveu várias alterações em relação à equipa que defrontou o Benfica: o capitão Vágner voltou à baliza depois de Kieszek ter feito três jogos como titular; na defesa apenas Yohann Tavares conservou o seu lugar – Anderson Luís, Bruno Nascimento e Emídio Rafael saltaram para o onze; Anderson Esiti, de 20 anos, somou os primeiros minutos da época com a camisola do Estoril; Kuca e Kléber cederam os seus lugares a Tozé e Bruno Lopes.

Assim, Couceiro delineou um 4-1-2-3, com o nigeriano Esiti a libertar Diogo Amado e Cabrera no meio-campo e dando muita liberdade a Sebá e Tozé para vagabundear nas costas de Bruno Lopes, a referência ofensiva. Do outro lado, Yannis Anastasiou dispôs o Panathinaikos em 4-2-3-1, com um duplo pivot constituído pelo português Zeca e pelo o ex-Sporting Prajnic, Dinas e Bajrami nas alas e Ajagun como segundo avançado, atrás do ponta-de-lança Petric.

Durante o primeiro tempo as equipas estiveram sempre muito encaixadas e as oportunidades rarearam – de facto, apesar de dois ou três remates mais ou menos perigosos para cada lado não pode sequer dizer-se que tenha havido uma real ocasião de perigo. A mobilidade do ataque do Estoril foi insuficiente para romper a robusta defesa do Panathinaikos; o jogo mais direto dos gregos nunca incomodou verdadeiramente a defesa canarinha.

Nos primeiros quarenta e cinco minutos, a equipa do Estoril apareceu quase sempre balanceada pelo lado esquerdo, com Sebá a juntar-se muito frequentemente a Tozé para procurar combinações curtas e foi, por isso, sem surpresa que vimos Anderson Luís a subir mais do que Emídio Rafael e Cabrera a explorar zonas mais adiantadas sobre o lado direito. Os efeitos práticos desta nuance táctica foram quase nulos.

Vágner, Yohan Tavares e Anderson Esiti - três dos maiores responáveis pelos zero golos sofridos
Vágner, Yohan Tavares e Anderson Esiti – três dos maiores responáveis pelos zero golos sofridos
Fonte: zerozero.pt

Ao intervalo, Couceiro fez uma alteração decisiva – lançou Kléber para o lugar de Bruno Lopes e nem dois minutos depois já o brasileiro protagonizava a maior oportunidade de golo para o Estoril, com um potente remate rasteiro a ir parar às malhas laterais da baliza de Kotsolis. Depois da ameaça, o golo: Sebá recuperou uma bola sobre o lado direito, arrancou em slalom até à linha final e assistiu primorosamente Kléber para o primeiro da partida, num lance em que ficaram bem patentes a capacidade técnica e de explosão de Sebá e o faro de golo do ponta-de-lança emprestado pelo FC Porto.

Com o Estoril por cima no jogo, o técnico do Pana recorreu ao plano B: tirou o desinspirado Donis (extremo) e colocou em campo Dinis (jovem médio defensivo), já depois de ter feito entrar Karelis (portentoso ponta-de-lança) para o lugar de Bajrami (extremo) ao intervalo, e o Panathinaikos passou a jogar em 4-4-2 losango, com Dinis à frente da defesa, Zeca e Pranjic como médios interiores, Ajagun como médio ofensivo e Petric e Karelis na frente. A mudança táctica resultou e o Panathinaikos – com muito mais profundidade (sempre com três homens muito adiantados na zona central), embora com menos largura (os laterais, muito pesados e pouco virtuosos, apoiaram pouquíssimo o ataque) – conseguiu chegar algumas vezes à baliza do experiente e sempre seguro Vágner.

Porém, rapidamente os canarinhos encontraram o antídoto para estancar os ataques helénicos e voltaram a assumir o comando das operações. Tanto que aos 66’ Cabrera cruzou primorosamente para a área e Diogo Amado, surgindo surpreendentemente num espaço que não era o seu, cabeceou com precisão para o fundo das redes – estava feito o 2-0 que tranquilizou as hostes estorilistas.

A partir daí, a equipa da Linha foi controlando quase sempre o jogo, refrescou o meio-campo e o ataque (com as entradas de Kuca e Filipe Gonçalves para os lugares de Tozé e Diogo Amado) e terminou a partida com uma vitória mais do que merecida (o facto de ter praticamente o dobro dos remates do adversário é um bom indicador para ilustrar isto mesmo). O Estoril alcançou, assim, o segundo triunfo da temporada e completou o primeiro jogo sem sofrer golos na era Couceiro.

Diogo Amado e Kléber - os autores dos golos do Estoril  Fonte: UEFA
Diogo Amado e Kléber – os autores dos golos do Estoril
Fonte: UEFA

Não posso terminar sem algumas notas de destaque: Vágner conseguiu uma clean sheet e parece ter readquirido o lugar; Bruno Nascimento e Yohan Tavares, jogando pela primeira vez juntos, rubricaram exibições irrepreensíveis no eixo da defesa; o nigeriano Anderson Esiti, num duelo muito particular com o compatriota Ajagun, mostrou muita serenidade numa posição nevrálgica e deu um sinal inequivocamente positivo ao seu treinador; Sebá voltou a mostrar que é um jogador muito completo e desequilibrador – foi sempre o mais interventivo e esclarecido do ataque; e Zeca, que aos 26 anos regressou aos palcos portugueses como capitão e “maestro” do Panathinaikos, evidenciou grandes qualidades (visão de jogo, capacidade de passe, controlo em progressão, força nos duelos físicos, agressividade no momento defensivo e inteligência táctica) e revelou-se fortíssimo em todas as fases do jogo.

 

A Figura

O colectivo do Estoril – como fica patente pelas minhas notas de destaque, todos os jogadores tiveram um desempenho positivo, pelo que seria injusto destacar apenas um deles. O Estoril valeu pelo que fez enquanto equipa e saiu da Amoreira com uma vitória importantíssima.

O Fora-de-Jogo

Os corredores laterais do Panathinaikos – Dinas e Bajrami, os extremos, tiveram uma noite claramente desinspirada e raramente conseguiram causar desequilíbrios na defesa do Estoril (não foi por acaso que foram os primeiros a sair); Bourbos e Nano, os laterais, ambos duros de rins e fracos com a bola no pé, fizeram-se valer da experiência a defender (a sua principal função) mas foram incapazes de dar largura à equipa no momento ofensivo quando a estratégia de jogo dependia disso mesmo.

Francisco Manuel Reis

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.