Sporting CP 0-3 SL Benfica: O título que faltava às encarnadas

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A CRÓNICA: O MAIS IMPORTANTE É VENCER NO FINAL

No Estádio José Alvalade, o último jogo e dérbi da temporada carregava-se de uma importância extrema para as duas formações. O sentimento era de querer vencer. Se, por um lado, para o Sporting CP era obrigatório, por outro, a equipa do SL Benfica tinha duas possibilidades para se sagrar campeã – a vitória ou o empate. Tínhamos perante os nossos olhos uma grande campanha para promover o Futebol Feminino.

O jogo não podia ter começado melhor e foi Nycole quem abriu as hostilidades na partida. Apenas com cinco minutos jogados, a máquina Cloé Lacasse parecia reencarnar o personagem do Exterminador(a). Conseguiu travar um corte de Bruna, passou por Andreia Jacinto e só não terminou o seu trabalho porque quis dar uma prenda à sua colega brasileira. A número 28 encarnada viu que Inês Pereira ia para um lado e mandou a bola para o outro lado, inaugurando o marcador em Alvalade.

As leoas com este resultado não estavam de todo satisfeitas e estavam melhores na partida. A melhor situação foi através de uma bola parada quando Letícia fez uma grande defesa aos 45+6 minutos da primeira parte. A guarda-redes brasileira a permitir que as encarnadas fossem em vantagem por 0-1 para o intervalo.

A segunda parte voltou a ter o mesmo sentido: as leoas a querer dar a volta e as encarnadas mais calculistas e à espera de um erro. Inês Pereira, juntamente com Cloé Lacasse, protagonizou uma defesa incrível. A canadiana rematou de muito longe e a guarda-redes portuguesa fez uma parada de um golo Puskas.

Os minutos finais foram todos das encarnadas com um ataque rápido que matou por completo a partida. Aos 83 minutos, Kika fez o que quis do meio-campo leonino e encontrou Cloé, que, agora sim, foi uma autêntica exterminadora. Sentou Joana Marchão e depois só teve de colocar a bola dentro da baliza. O jogo não iria estar fechado sem Kika meter o nome na lista de marcadoras e, aos 87 minutos, a jovem prodígio portuguesa marcou de penálti.

O 3-0 final parece-me ser algo exagerado, mas encarnadas aproveitaram bem as transições ofensivas para fixar este resultado. O SL Benfica é o novo campeão nacional de Futebol Feminino, naquele que é o primeiro troféu da Primeira Liga Feminina para o clube. As encarnadas também ficam com a presença garantida na UEFA Women’s Champions League do próximo ano.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Cloé Lacasse – Uma assistência e um grande golo para fechar o jogo (só não fechou totalmente porque realmente Kika ainda marcou de penálti o terceiro). Uma partida por parte da canadiana que tem sempre mostrado o seu nível pelos relvados portugueses e está a tornar-se uma autêntica lenda no Futebol Feminino do Benfica. Já não há palavras para descrever esta jogadora. É aproveitar para ver enquanto ainda cá joga.

O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Ana Capeta – O primeiro cartão amarelo foi completamente desnecessário e após o segundo golo encarnado perdeu a cabeça, acabando por ser expulsa. As emoções tomaram conta da jogadora leonina e não devia ter ido por este tipo de caminhos que não contribuem para um ambiente saudável. Pelas imagens, parece que o banco encarnado teve uma atitude também menos positiva que levou a ter ânimos mais exaltados.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

As leoas apresentaram-se num 4-3-2-1 para este jogo decisivo frente às eternas rivais e a  treinadora Susana Cova fez apenas duas alterações ao onze que tinha perdido em Braga na jornada anterior.

Na baliza manteve-se Inês Pereira. Depois, um quarteto defensivo com a Mariana Rosa à direita e à esquerda o regresso de Joana Marchão, para fechar o eixo defensivo era constituído por Bruna Costa e Nevena Damjanović. As três jogadoras do meio-campo eram Andreia Jacinto, mais recuada, e depois, mais à frente, Tatiana Pinto e Fátima Pinto. As jogadoras responsáveis pelo ataque eram Ana Borges (pela direita) e Raquel Fernandes (pela esquerda), com Ana Capeta a ser a jogadora mais avançada.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Inês Pereira (6)

Mariana Rosa (5)

Bruna Costa (4)

Nevena Damjanović (5)

Joana Marchão (7)

Tatiana Pinto (5)

Andreia Jacinto (3)

Fátima Pinto (7)

Ana Borges (5)

Raquel Fernandes (4)

Ana Capeta (2)

SUBS UTILIZADAS

Amanda Perez (4)

Carolina Mendes (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

As encarnadas vieram a Alvalade apresentarem-se num 4-3-3 como sistema tático. Filipa Patão, em relação ao último jogo – a vitória ao Clube Condeixa ACD – fez cinco alterações.

A baliza pertenceu à guarda-redes brasileira Letícia. O quarteto defensivo era composto por Catarina Amado à direita e do outro lado, como lateral, Lúcia Alves. As duas jogadoras já rotinadas como centrais eram Sílvia Rebelo e Carole Costa, provavelmente a dupla mais utilizada deste Benfica. Na zona central, Pauleta era a opção mais recuada e à sua frente duas jogadoras: Beatriz Cameirão e Andreia Faria. Por fim, mais à frente tínhamos Nycole responsável pela ala direita e Cloé Lacasse com a esquerda na ajuda à jovem Kika Nazareth, que estava responsável pelo meio.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Letícia (7)

Catarina Amado (7)

Carole Costa (5)

Sílvia Rebelo (5)

Lúcia Alves (6)

Beatriz Cameirão (6)

Andreia Faria (6)

Pauleta (5)

Kika Nazareth (7)

Cloé Lacasse (9)

Nycole (7)

SUBS UTILIZADAS

Marta Sintra (6)

Ana Vitória (5)

Matilde Fidalgo (5)

Christy Ucheibe (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: O golo sofrido aos cinco minutos e as constantes paragens na 1.ª parte prejudicaram o Sporting CP em relação a uma reação ao golo sofrido?

Susana Cova: Penso que não terá sido por aí. O jogo terá sido aborrecido para quem assistiu em casa. Já no outro jogo com o SL Benfica aconteceu o mesmo e os espectadores gostam de ver jogo corrido. Mas quem estava a ter o domínio do jogo era o Sporting na 1.ª parte.

SL Benfica

BnR: Quando o Benfica marca o golo aos cinco minutos sentiu que a vitória e o título já não fugia?

Filipa Patão e André Vale: O golo foi fruto de estarem sempre à espera do erro do adversário. Mas já sabíamos que o golo nos ia trazer um relaxamento que não queríamos e, ao apresentar um bloco mais baixo e a sair na transição, fomos muito competentes nesses momentos do jogo.

 

Rescaldo de opinião de Hugo Rodrigues e João Pedro Barbosa

Artigo revisto por Joana Mendes

Redação BnR
Redação BnRhttp://www.bolanarede.pt
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