Olympique de Marselha 1-0 SC Braga: Guerreiros com os pés descalços

- Advertisement -

futebol nacional cabeçalho

Quando parte para a batalha, o guerreiro mune-se de várias armas para enfrentar o adversário e conquistar vitórias para o seu povo, que tem o seu orgulho depositado nele durante o tempo de guerra.

Quando o guerreiro é do Minho, e joga futebol, as chuteiras fazem parte do seu arsenal de guerra, mas a sua importância não é crucial. Importante é a vontade, a alma que o caracteriza e que lhe dá o título que ele tem de fazer por merecer todos os dias, entregando-se à causa, sem quaisquer desculpas envolvendo o seu arsenal ou a falta dele.

Os jogadores do Braga, no Vélodrome, não foram guerreiros, e passaram demasiado tempo a lamentar-se da falta de botas (roubadas na véspera) ou  da adaptação às novas e deixaram que o adversário fosse ganhando terreno, usando a pressão sobre a primeira fase de construção para atormentar ainda mais aqueles que diziam ser os guerreiros do Minho.

De facto, foi impressionante a quantidade de bolas perdidas, sobretudo por Boly e Mauro no meio-campo bracarense, e isso esteve na génese do domínio do Marselha, que colocava sempre muitos homens na frente, e com capacidade para desequilibrar. O ponto mais ilustrativo desta evidência aconteceu por volta dos 37 minutos quando Mauro perdeu a bola de forma infantil, N’Koudou aproveitou, galgou terreno e disparou para o fundo das redes de Matheus.

Estava feito o mais que merecido 1-0 para os homens da casa e não havia sinal de reacção dos minhotos, que terminaram a parte sem conseguir dar um sinal de que estavam vivos na disputa daquela batalha.

Batshuayi foi a figura do encontro no Velodrome Fonte: Olympique de Marselha
Batshuayi foi a figura do encontro no Velodrome
Fonte: Olympique de Marselha

A segunda parte manteve a toada da primeira. O Braga não sabia como invadir o terreno adversário, e o Marselha mantinha-se organizado, invandindo o meio-campo bracarense como e quando queria, beneficiando muito da disponibilidade de Batshuayi, vindo muitas vezes atrás buscar jogo, atraindo marcações para que, no espaço vazio, entrassem Ocampos, N’Koudou ou Cabella, o trio ofensivo do meio-campo gaulês que muitas dores de cabeça deu ao sector defensivo português.

Não gostava Paulo Fonseca, e foi mexendo. Luiz Carlos substituiu um desinspirado Mauro, e a equipa pareceu mais confiante na saída de bola, porém, isso era pura ilusão de óptica, provocada por um Marselha que ia retirando munições, guardando-as para batalhas internas.

É certo que o Braga conseguiu assustar e obrigou o Marselha a duvidar de si, mas uma batalha não dura só os seus 15 minutos finais. Wilson Eduardo (substituiu Alan) e Rafa (despertou aos 75 minutos) puseram o exército (o seu e o adversário) em sentido, mas lutava-se em terreno difícil de conquistar, contra um batalhão de gente experiente e pressionada para vencer.

Falhou, o Braga, o recorde de começar uma fase de grupos da Liga Europa com quatro vitórias em outros tantos jogos e, também, o apuramento rumo aos 16avos de final da Liga Europa. Porque entrou em campo com os pés descalços… de alma.

A Figura:

Batshuayi (Olympique de Marselha) – Impressionante disponibilidade física da referência máxima do Marselha, que vinha buscar jogo atrás quando a equipa precisava de um homem a mais na luta no meio campo, era o primeiro a receber quando era necessário um alvo na zona adiantada e aquele que mais incomodava a saída de bola dos bracarenses.

Sem ele, a pressão exercida pelo Marselha não seria tão intensa, e sem essa intensidade, quase de certeza que não existiria a galvanização gaulesa que intimidou o adversário e esteve na origem do golo e outros lances perigosos.

O Fora-de-Jogo:

Mauro (SC Braga) – Foi talvez, o maior dos “pés-descalços” do Braga. Posicionalmente manteve a serenidade do costume, mas tecnicamente errou muitos passes, um dos quais com influencia directa no golo e, portanto, no resultado final. Também lhe faltou intensidade, pelo que não espantou a sua substituição aos 52 minutos.

Foto de Capa: Olympique de Marselha

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Vinícius Júnior: «Não digo que Espanha, Alemanha ou Portugal sejam países racistas, mas há racistas nesses países»

Em antevisão ao embate com o Bayern Munique, Vinícius Júnior abordou o tema de racismo, no seguimento dos cânticos ouvidos no Espanha x Egito.

Hóquei em Patins: Argentina vence Taça das Nações e Portugal fica em terceiro

A Argentina conquistou a Taça das Nações de hóquei em patins ao vencer a Itália na final. Portugal acabou em terceiro ao derrotar a Espanha.

Nicolás Otamendi prepara-se para atingir marca importante na Primeira Liga

Nicolás Otamendi vai realizar o jogo 250 na Primeira Liga no duelo do Benfica com o Casa Pia, esta segunda-feira.

Nuno Borges cai na primeira ronda do Masters 1000 de Monte Carlo

Nuno Borges foi eliminado na primeira ronda do Masters 1000 de Monte Carlo frente ao 15.º do ranking mundial, Andrey Rublev.

PUB

Mais Artigos Populares

Gil Vicente: avançado do Benfica procura manter boa fase

Gustavo Varela está emprestado pelo Benfica ao Gil Vicente e fez dois golos no encontro frente ao AVS SAD, para a Primeira Liga.

Benfica confirma reforço para 2026/27

Ziqin Shao foi confirmada durante esta segunda-feira como reforço do Benfica, juntando-se ao plantel da Luz em 2026/27.

Iván Fresneda marcou o treino do Sporting: Rui Borges não contou com 3 jogadores

Iván Fresneda foi a grande novidade do treino desta segunda-feira do Sporting, estando a postos para o jogo frente ao Arsenal.