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A principal mutação a que temos assistido nos últimos tempos é entre o clássico 4-4-2 e o 4-3-3. Creio que o fator diferenciador destes dois sistemas táticos é sem dúvida Marega. Quando o FC Porto joga em 4-4-2 é para aproveitar muito daquilo que o avançado maliano pode oferecer à equipa. No 4-3-3 ou coloca-se Marega sozinho na frente de ataque (o que não é nada positivo tendo em conta as características do número 11 portista) ou um ponta de lança como Taremi, Toni Martínez e Evanilson (o que me parece ser a melhor solução).
Se olharmos para os jogos mais recentes em que o FC Porto adotou um sistema de três avançados no esquema inicial, apontamos imediatamente para os encontros frente ao Chelsea FC e CD Nacional. Falando nos dois jogos frente à equipa inglesa, o 4-3-3 teve como ponta de lança Marega.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Por um lado, consigo perceber as vantagens que o maliano poderia trazer a um jogo destes, mas jogar desapoiado na frente de ataque não é a melhor solução para um jogador que não tem a capacidade de segurar a bola e jogar de costas para a baliza. O 4-4-2 também não seria a melhor solução para um jogo desta dimensão, uma vez que a entrada de Grujic era essencial para preencher ainda mais o meio-campo. Dois homens não são suficientes para tentar travar um jogador como Kanté.
Muitos defendem que na segunda mão da eliminatória poderíamos ter visto Mehdi Taremi sozinho na frente de ataque e Marega no banco. Provavelmente seria a melhor solução, mas se também tivesse corrido mal, já se defendia que a verticalidade de Marega tinha feito falta… Por outro lado, creio que Marega sozinho na frente de ataque não tem a liberdade para explorar a profundidade comparativamente aos momentos em que está mais encostado às alas…
O jogo frente ao CD Nacional foi mais um exemplo do 4-3-3, mas com Taremi sozinho na frente de ataque. Podemos afirmar que foi uma escolha acertada porque, para além do resultado positivo na madeira, o avançado iraniano fez o gosto ao pé. Este não era um jogo de dificuldade acrescida para ter três médios.
No entanto, também não era o jogo para Marega procurar a profundidade em centrais que passam mais de metade do jogo encostados à sua grande área. Aliás, isso é o que se passa em 90% dos jogos que o FC Porto disputa no campeonato português, e por alguma razão eu sou crítico de muitas vezes Marega atuar de início. Mas isso são temas para outros artigos.

Estes dois jogos que referi acima são assim exemplos claros de que já não há certezas sobre o esquema tático que vamos ver nos dragões. É interessante pelo facto de servir como um dado surpresa na preparação das equipas adversárias. Já não se sabe se Marega vai fazer companhia a Taremi, se Marega vai jogar sozinho, se Taremi vai jogar sozinho ou se Taremi vai fazer companhia a Toni Martínez.
Esta última dupla que referi também é um conceito novo na era de Sérgio Conceição. Recentemente, já vimos dois jogos em que se manteve um 4-4-2, mas sem Marega no onze. Na visita a Tondela, vimos uma dupla Toni Martínez e Evanilson. A vitória foi clara dos portistas.
Na receção ao FC Famalicão, vimos Taremi e Toni Martínez a surgir no onze inicial. A vitória foi sofrida, mas viu-se um bom futebol e um bom entrosamento entre os dois avançados. Mais uma prova de que com defesas posicionais, os avançados posicionais são os únicos capazes de criar dificuldades.
Nestes jogos em que o o sistema de dois avançados é escolhido como modelo inicial, não é de descartar uma mutação tática ao longo dos 90 minutos. O 4-4-2 já deu lugar ao 4-3-3 sempre que o FC Porto se sentia mais “apertado” pelo adversário nos instantes finais do encontro. O jogo frente ao Vitória SC foi apenas um exemplo. Tínhamos uma dupla constituída por Marega e Taremi que deu lugar a um 4-3-3 com Toni Martínez sozinho na frente de ataque. Grujic é sempre o elemento a mais que entra para reforçar o meio-campo.
E depois deste monólogo de sistemas táticos, surge a principal questão deste artigo. 4-4-2 ou 4-3-3, em que é que ficamos? Ou estou muito enganado ou o 4-4-2 vai continuar a ser o pilar base, e o 4-3-3 para jogos complicados. Mas reitero que não me surpreende que continuemos a ver algumas surpresas no onze inicial portista. Talvez tenha chegado a hora de romper com o modelo de jogo tradicional.









