A minha redenção natalícia

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Antes de alguma coisa, quero começar e acabar a minha publicação natalícia a desejar a todo o staff e todos aqueles que contribuem para o crescimento do Bola na Rede (entenda-se: leitores) um feliz Natal, com tudo aquilo que de bom tem! Sendo o Natal sobretudo uma altura de festa e de alegria, também é uma época de redenções. Eu, nunca tendo lido a Bíblia e jamais me tendo aproximado de algo religioso (o máximo foi estar 5 minutos numa igreja num casamento), vou aproveitar para me redimir do facto de não ter falado de um jogador na minha última crónica (“Reabertura Mercado”) e que me fez durante toda a semana sentir injusto: Carlos Eduardo.

Disse que este mercado poderia trazer duas prendinhas no sapatinho para duas posições em que temos muita falta: Quaresma (já certo) e Anderson (hipótese muito falada). Logicamente, escrevi isto numa altura em que Carlos Eduardo ainda não tinha aparecido em grande plano no FC Porto. Tanto que adiantei que com Anderson poderíamos jogar finalmente naquele triângulo estranhamente invertido que Paulo Fonseca tanto quer e que Lucho já teria a liberdade para jogar no vértice ofensivo, embora não seja essa a sua posição favorita. Até que se deu um volte face! O treinador do meu clube acordou e, num rasgo de ousadia para com as suas próprias ideias, em vésperas de jogo com o Rio Ave (jogo sempre de risco), lembrou-se: “e que tal inverter, ainda que parcialmente, o triângulo do meio-campo e lançar o Carlos Eduardo na posição mais ofensiva?”. E foi isso que fez. Resultado? Bola junto ao chão; Fernando implacável a destruir; Lucho fortíssimo na condução de bola para as rápidas transições e depois o jogador que volta a fazer-nos lembrar Deco (salvo as devidas proporções) no seu fino e retocado toque de bola: Carlos Eduardo. Atenção, continuo a achar que Anderson seria uma grande mais-valia, até porque Lucho já não consegue passar dos 65/70 minutos de alta qualidade.

Voltando ao que interessa: finalmente, e aos pouco, parece que a nossa equipa técnica percebeu que num meio-campo 2+1, em que o “par” de Fernando não é Defour, Herrera ou Josué mas sim Lucho, a equipa desdobra-se muito melhor e naturalmente fica num 1+2, que é o mais natural de acontecer na nossa equipa… O “Polvo” joga melhor sozinho; “El Comandante” tem o seu habitat natural entre os dois médios e Carlos Eduardo (ainda sem alcunha) joga que se farta quando a bolinha lhe cai nos pés!

Carlos Eduardo revolucionou o meio-campo azul e branco / Fonte: Bibó Porto, Carago
Carlos Eduardo revolucionou o meio-campo azul e branco / Fonte: Bibó Porto, Carago

Às vezes é importante perceber que só por se chamar Carlos Eduardo e não Defour, Herrera, Josué e demais internacionais não quer dizer que não tenha qualidade para jogar… Lembrem-se de Jesualdo Ferreira, que, na segunda jornada da sua segunda época, lança o desconhecido Fernando (sim, aquele a quem agora chamam “Polvo”) em campo e relega Bolatti, Tomás Costa ou Kazmierckzak para o banco e para a bancada!

O ano passado tinha muito boa impressão deste miúdo no Estoril, mas nunca pensei numa ascensão tão rápida nem que fosse ele a mudança de que o FC Porto necessitava para reerguer o seu futebol de qualidade. Apesar do facto de termos jogado contra um bom Rio Ave e um muito frágil Olhanense, isso não tira a qualidade demonstrada pelo nosso meio-campo sempre que tinha a bola, em particular CE (posso chama-lo assim?).

Nas duas exibições como titular no onze azul e branco, Carlos Eduardo mostrou ter “samba nos pés” e, nos 6 golos em dois jogos, denota números impressionantes: 3 assistências (uma contra o Rio Ave e duas frente ao Olhanense) e um fabuloso golo contra o Olhanense, ou seja, 4 dos 6 últimos golos do meu clube contaram com a participação directa deste jogador! Isto sem contar que indirectamente, no golo de Herrera (mais um fabuloso), a jogada começa nos pés de CE…

Espero que este início a todo gás de Carlos Eduardo seja para continuar, e não igual ao de Licá, que começou a todo o gás, com muitos golos e assistências, e depois, pouco a pouco, foi caindo de produção: agora pouco se vê e não é mais do que um jogador útil no plantel.

Espera-se que Carlos Eduardo, ao contrário de Licá, não baixe o rendimento no futuro / Fonte: fcporto.pt
Espera-se que Carlos Eduardo, ao contrário de Licá, não baixe o rendimento no futuro / Fonte: fcporto.pt

Já não tenho receio dos próximos dois jogos do FC Porto: contra o Sporting, para a Taça da Liga (que continuo a achar uma barbaridade e mais uma invenção sem sentido, que só serve para encher museus; existem clubes que nos últimos 4 anos o encheram bem só com ela), e, mais importante, o jogo na Luz contra o Benfica, no qual teremos de estar na máxima força (já com Quaresma a postos, espero) e prontos para as já habituais desavenças que aquele estádio proporciona aos adversários nas jogadas de bastidores, além da qualidade que têm.

Para finalizar, só queria que este Natal trouxesse um defesa esquerdo de qualidade (poderia ser Álvaro Pereira, mas só para fazer o banco de Alex), um médio (Anderson, vá lá…) e o extremo já falado, o nosso “Ciganito”. Não peço um ponta-de-lança, porque Ghilas ainda nem provou o seu valor, mas dava uma oportunidade real a Walter, jogador gordo que se desdobra em golos, nem que para isso emprestássemos o Ghilas para ganhar minutos.

Mais uma vez, um bom Natal a todos os (des)Portistas. Desejo um ano recheado de vitórias. Que este ano seja tão vitorioso quanto o… Normal!

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