Afinal, qual a finalidade das equipas B?

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Ora viva, caros (des)Portistas! Antes de começar propriamente a minha publicação, gostava de dizer que o que me levou a escrevê-la prende-se com dois factores. O primeiro é o facto de este fim-de-semana ter sido altamente proveitoso para mim a nível da Liga II (e I também…): não só o meu FC Porto B ganhou com grande justiça ao Sporting B, com fantásticos golos de Iuri Medeiros e Tóze, como o clube da minha cidade universitária, SC Farense, deu um “banho de bola” ao Benfica B, que saiu derrotado por 3-1. E não foram pelo menos 5 porque o guarda-redes benfiquista carimbou uma exibição de luxo. Em segundo lugar, o meu primeiro texto no Bola na Rede espicaçou-me a escrever sobre este tema.

Fazendo um exercício de retrocesso, chego ao 3º parágrafo da minha publicação anterior [n.d.r.: “Fim de linha para Paulo Fonseca? Teremos nós no natal uma prenda “vinda das Arábias”?!”], no qual escrevi: “Equipa B – É curta. Para quê uma equipa B quando, quando sentimos necessidade de ter jogadores de posições raiz, não aproveitamos…? Ghilas lesionou-se. Na B temos Kleber (sim, esse mesmo, que até tem feito golos), Vion, Caballero e a nova coqueluche André Silva, ainda júnior. Mas não, vamos optar pelo Licá. Isso leva-me a questionar se é a equipa B que serve a A ou o contrário (talvez assunto para uma outra rubrica…).”

Pois bem, vou hoje abordar esse tema porque me parece que realmente tem sido a equipa A a servir a B, quando os pressupostos são precisamente os opostos. Vejamos, o plantel do FC Porto tem um total de 48 jogadores inscritos nas ligas profissionais de futebol, repartidos da seguinte forma: 25 na equipa A + 23 na equipa B (dados obtidos no site oficial do clube).
Continuando nesta matemática futebolística, chego ainda a mais uma conclusão: temos um total de 6 guarda-redes, 14 defesas, 15 médios e 16 avançados (embora, para mim, existam jogadores ditos avançados que são médios, mas enfim…)! Como é possível, com tanto jogador, falarmos em falta de opções?! Por que é que Bolat, Fabiano, Fucile, Reyes, Herrera, Carlos Eduardo e Kelvin jogam sucessivamente na equipa B (com o intuito de “ganhar ritmo”, coisa que até percebo) quando ainda não vimos nenhum jogador da B saltar para a equipa principal? Não existe alternativa a Alex Sandro? Temos Quiñonez e, acima de tudo, Rafa na segunda equipa. Não existe alternativa a Fernando? Temos Mikel. Não existe alternativa a Lucho? Temos Tozé. Estamos sem um segundo Ponta-de-lança? Temos André, Kleber, Vion, Caballero, Paciência… Quando se lembrará Paulo Fonseca de inverter o triângulo (e não falo do meio campo!) e passar a utilizar os “B” como uma alternativa realmente consistente em vez dos “adaptados”?

Não me interessa ter um Porto B em primeiro lugar. Não me interessa ter um Tozé como melhor marcador da segunda liga e muito menos me interessa que nos jogos complicados “enviem” 5 ou 6 jogadores da A (como este fim-de-semana) para ganharem e assim se manterem nos lugares cimeiros Liga2. Ainda me lembro do tempo em que da equipa B do Porto “saltaram” jogadores como Bruno Vale, Gualter Bilro (que marcou ao Benfica B!), Ricardo Carvalho, Paulo Machado, Vieirinha, Ivanildo, Postiga, Hugo Almeida… E porquê?!

Simples: na altura não fazíamos negócios milionários, éramos obrigados a recorrer aos recursos que já tínhamos internamente… E com resultados! Se olharmos para o lado, o Sporting fez uso daquilo que cultivou e está na liderança do campeonato (por enquanto…)! Foi tão lindo, no Euro 2004, ver um onze da selecção composto quase em exclusivo por jogadores do Porto (Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Deco e, por vezes,Postiga). Hoje em dia isso já não se vê. Porquê? Por causa da falta de aposta no “PIB” do clube. Posso garantir que na nossa formação, e mesmo na equipa B, temos jogadores portugueses que poderiam facilmente fazer parte do plantel principal e jogar regularmente. Não é jogando na Taça da Liga uma vez por mês e com um onze totalmente sem rotinas que poderemos ver o potencial de certos craques, que, infelizmente, costumam acabar por se perder nas divisões inferiores até irem para o Chipre ou para a Grécia…

Amigo Paulo Fonseca (se ainda aí está): tem 48 jogadores, por favor não me diga que não existem alternativas. Podem não ter a qualidade dos principais, aí concordo. Jogadores como Alex Sandro, Lucho, Fernando, Mangala ou Jackson não têm substituto à altura (e não, não me estou a contradizer)! Mas, vamos lá ver, têm alternativa… Certo? E é isso o que nós, (des)Portistas, gostaríamos que entendesse! Chega de passar o Natal a ir a mercados estrangeiros!

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Vamos, num ano que seja, apostar na formação! Se não resultar, depois falamos… É bom lembrar que Mourinho chegou ao Porto e, do nada, fez… Tudo!

Por último, e passando por uma parte táctica, a prova de que equipa A não está em sintonia com a B: Paulo Fonseca joga num claro 1-4-(2+1)-3, ao passo que Luís Castro nunca abdicou de iniciar os jogos com o clássico 1-4-(1+2)-3. Não acham isto um pouco estranho, tendo em conta que a equipa B é uma dita “extensão” da A? Pode um jogador como Herrera adaptar-se à forma de jogar do Porto se quando joga pela equipa secundária a posição e a função não são as mesmas? Só se o único objectivo for ganhar ritmo, mas isso é pouco para aquilo que são as equipas B.

Costuma ser nos momentos de crise que se recorre àquilo que geralmente se põe de parte, espero que no meu Porto isso aconteça…

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