Antes cantar mal do que chorar bem

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É muito fácil criticar sempre os mesmos, é um facto. Isso, infelizmente, decorre de situações do passado que, no mínimo, indiciam práticas que em nada privilegiam a imagem do Porto e do Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa. Não me cabe a mim analisar situações de há uma década nem de há meio século nem de outro espaço temporal qualquer. Cabe-me, no entanto, falar no presente, porque esse, para mim, é bastante claro.

O Porto passou às meias-finais da Taça da Liga, um objectivo menor no trajecto do clube, como sempre foi assumido. Mas, ao que parece, este ano é dada uma maior importância à prova. Ganhou 3-2 numa partida onde provavelmente fez das piores partidas desta época e onde se sentiu claramente o peso da saída do eterno capitão Lucho Gonzalez, cuja despedida foi emocionalmente acertada com o clube (outro jogador jamais sairia do clube a custo zero). Do jogo há pouco para dizer: um Porto mau, muito mau, que apenas nos últimos 10 minutos se mostrou realmente interessado em vencer, através da raça que sempre lhe foi reconhecida no país e no Mundo.

Falando das críticas, questionar um penalty assinalado como se fosse o lance mais escandaloso do ano é uma atitude mesquinha de mau perdedor. Quem efectivamente viu o jogo do Porto (e entendo que os adeptos do Sporting não o tenham visto porque ocorreu ao mesmo tempo que o do seu clube) observou que, antes do penalty assinalado por falta sobre Ghilas, outro sobre Carlos Eduardo não foi assinalado, dando a origem a uma peculiar bola ao solo perto da pequena aérea madeirense. Mas, como erro não desculpa erro, a grande (grande) maioria dos comentadores desportivos, dos antigos árbitros ou dos “avaliadores de lances” admite haver razão para grande penalidade. Pessoalmente, dou o benefício da dúvida ao árbitro por ter sido uma jogada bastante rápida e aceitaria ambas as decisões; contudo, não é de todo um lance que justifique tanta discussão.

Josué colocou o Porto nas meias-finais da Taça da Liga  Fonte: Facebook do FC Porto
Josué colocou o Porto nas meias-finais da Taça da Liga
Fonte: Página de facebook do FC Porto

Quanto ao atraso do jogo, quero desde já referir um dado que parece que falha em muitos comentários: um jogo até pode começar à mesma hora, mas nunca, nunca mesmo, acaba ao mesmo tempo. No caso específico, o jogo do Sporting teve, ao que me parece, 3 minutos de compensação (não vi o jogo e portanto não sei dizer se foi adequado ou não); o jogo do Porto teve 4 minutos de compensação e esse, sim, é um dado curioso e (diria mais) escandaloso. Quem viu o Porto-Marítimo (digo ver, não visualizar os 2 minutos de resumo do Telejornal) viu as anormais perdas de tempo dos jogadores do Marítimo. Digo anormais porque não foram as típicas “manhas”. Passaram-se situações vergonhosas como jogadores caírem fora das quatro linhas, aos pés do fiscal de linha, e rebolarem para dentro do campo sem qualquer punição (já os jogadores do Porto eram amarelados por protestar). Como curiosidade, tive ainda o cuidado de verificar que o próprio penalty assinalado deu-se aos 92 minutos e 30 segundos e a respectiva cobrança, atrasada por mais uma “lesão” de um qualquer jogador madeirense, apenas se realizou aos 95 minutos e 15 segundos.

Dito isto, justificar o afastamento da Taça da Liga com um atraso de 2 minutos no início da partida parece-me algo sem sentido. Várias declarações deveriam ser pensadas com maior clareza antes de serem proferidas. Falar do “Sistema” por isto é, e peço desculpa, um discurso populista para desculpar o facto de uma equipa estar desde Janeiro em apenas uma competição. Se acho que deveria haver um maior cuidado para que os jogos começassem ao mesmo tempo? Claramente, considero que sim, seja na Taça da Liga ou em qualquer competição, sobretudo em situações de apuramento no mesmo grupo ou em fases finais de campeonatos. Esse é um dever que cabe tanto às equipas (no caso, Porto, Marítimo e equipa de arbitragem) como aos delegados da Liga. Se acho que deve haver punição por um suposto atraso do Porto? Claro que sim, se são regras e se estas não são cumpridas. Não acredito, porém, que por 2 minutos de atraso, após ocorrerem 96 minutos de (mau) futebol, seja decidido qualquer afastamento desta tremenda competição.

É questão para dizer: há quem cante mal e há quem chore bem, cada um está habituado àquilo que merece.

Redação BnR
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