Artistas a mais para o General Inverno

- Advertisement -

eternamocidade

Os últimos dias têm trazido ventos de esperança para os lados do Dragão: depois da goleada imposta ao Arouca, nada melhor do que uma derrota do rival SL Benfica em Braga para colocar o FC Porto a apenas 1 ponto da liderança do campeonato. Depois do desaire na Taça de Portugal, o toque de midas provocado pelos comandados de Sérgio Conceição foi talvez o clique necessário para que, de uma vez por todas, o FC Porto demonstre aquilo que parece ser óbvio à vista de quase todos: tem os melhores jogadores, o melhor plantel e por isso a obrigação de liderar o campeonato.

Com uma prestação extremamente positiva até ao momento na Liga dos Campeões e a liderança tão perto no campeonato, o FC Porto demonstrou nos últimos jogos uma face muito mais consolidada e próxima daquilo que se deseja. Para que isso tenha acontecido, não é coincidência que a tão proclamada “rotatividade” de Lopetegui seja, por esta altura, não tão drástica como já foi. É certo que entre o jogo com o Arouca e o Nacional o treinador mudou três jogadores, mas as entradas de Maicon, Oliver e Quarema para o jogo contra os madeirenses pareceram muito mais compreensíveis do que aquela revolução entre a goleada frente ao BATE Borisov e o jogo com o Boavista, sem esquecer as poupanças e a gestão ridícula feita frente ao Sporting, na Taça.

Apesar das melhores evidentes no jogo portista, há um fator que na minha opinião continua a falhar na equipa: a falta de agressividade. Ao ver os jogos do FC Porto, é fácil perceber que Lopetegui quer um estilo de jogo agradável para os adeptos, com velocidade na posse de bola, trocas posicionais constantes e sobretudo um domínio territorial equilibrado que permita, com maior ou menor dificuldade, derrubar os adversários. Contudo, e para além dos erros individuais que já custaram pontos e uma competição esta temporada, aquilo que mais me “preocupa” é falta de agressividade que a equipa demonstra em vários momentos durante os jogos.

1
Saberá Lopetegui readaptar o futebol do FC Porto quando for necessário?
Fonte: ogol.com.br

De facto, com a exceção dos centrais Maicon e Martins Indi, não se vê ninguém da equipa portista com “sangue na guelra” para perceber que nem sempre se pode jogar bonito. Sábado, ao olhar para o alinhamento inicial do FC Porto, é evidente que para a maioria dos adeptos portistas, ver Oliver e Quintero no onze é sinónimo de brilhantismo, de classe e sobretudo de jogo ofensivo constante. De facto, analisar a primeira parte do jogo frente ao Nacional é ver uma equipa que, com bola, sempre criou perigo mas que quando não a teve, passou por imensas dificuldades para perceber os momentos em que tinha que recuar as linhas e ser uma equipa mais paciente. Com Quintero, Oliver, Brahimi e Quaresma de início, não há dúvidas que a magia aparecerá sempre, mas é óbvio que colocar tantos artistas de início não é viável na maioria dos jogos.

Dessa forma, e porque com o mês de Novembro se aproxima o mau tempo, é compreensível que o mesmo traga enormes dificuldades a um plantel tão dotado tecnicamente como o FC Porto. Para os amantes de futebol, ver os dribles de Brahimi, a velocidade de Tello, a magia de Quintero e a técnica de Quaresma é um regalo mas num campeonato como o português, onde a componente física é extremamente importante, será que com o decorrer da competição, só isso chegará ao FC Porto? Se bem se recorda, caro leitor, este problema de falta de agressividade já apareceu na época passada, sobretudo nos jogos fora de portas, onde o FC Porto raramente conseguiu vencer devido a essas dificuldades em ser mais forte nos duelos, em ser mais eficaz e competente em jogos onde o brilho individual raramente consegue aparecer. Na condição de visitante, perante equipas agressivas e campos pesados, em que o relvado nem sempre está nas melhores condições, será interessante perceber se todos os artistas do elenco portista serão capazes de se adaptar ao fato de macaco e perceber que nem sempre se pode fazer uma finta ou um passe de 40 metros.

Numa altura em que os rivais não estão na melhor das formas, só uma equipa completamente concentrada nos seus objetivos é que poderá fazer frente a um campeonato que se tem pautado por algumas surpresas e sobretudo muita competitividade. É certo que a magia de Brahimi, a velocidade de Tello, o repentismo de Quintero e a técnica de Quaresma terão que estar presentes mas com as deslocações mais complicadas, será preciso também saber jogar “feio”, fazer mais faltas quando assim for necessário, ser mais pressionante sobre os adversários e sobretudo ter sempre mais agressividade. É que para ganhar campeonatos, nem sempre basta ter as melhores cartas. É preciso saber o que fazer com elas.

Redação BnR
Redação BnRhttp://www.bolanarede.pt
O Bola na Rede é um órgão de comunicação social desportivo. Foi fundado a 28 de outubro de 2010 e hoje é um dos sites de referência em Portugal.

Subscreve!

Artigos Populares

Tottenham diz adeus a Bissouma e renova com Ben Davies, enquanto Senesi chega do Bournemouth

O Tottenham encerra o ciclo com Bissouma, garantem continuidade de Ben Davies e reforçam a defesa com Senesi.

José Bordalás renova com o Getafe: «A história continua»

O treinador espanhol José Bordalás prolonga a sua ligação de quase uma década com o Getafe, que vai disputar a Liga Conferência.

«Se os jogadores estão a jogar nos sub-21 e na Segunda Liga, têm qualidade para a Primeira Liga» – Entrevista Bola na Rede a...

É sobre o futebol no seu estado mais puro que se debruça a mais recente entrevista do Bola na Rede. Luís Freire, o comandante dos sub-21, em exclusivo

Wolverhampton despede-se de Matt Doherty ao fim de quase 400 jogos

Matt Doherty está de saída do Wolverhampton, após disputar quase 400 jogos e 13 anos de ligação com clube.

PUB

Mais Artigos Populares

César Peixoto de saída do Gil Vicente: Luís Pinto é nome forte em cima da mesa

Luís Pinto ganha força para render César Peixoto no Gil Vicente. Técnico português vai ser o novo treinador do Wolverhampton.

Porta aberta para César Peixoto: Wolves confirma saída de Rob Edwards

O Wolverhampton anunciou esta quinta-feira a saída de Rob Edwards. César Peixoto vai ser o próximo treinador.

Argélia goleia Bolívia com um dos golos a ser de antigo alvo do Benfica

A Argélia goleou a Bolívia por 4-0 em jogo de preparação para o Mundial 2026. Seleção africana inicia prova contra a Argentina.