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19 de Janeiro, 2022

Artistas a mais para o General Inverno

eternamocidade

Os últimos dias têm trazido ventos de esperança para os lados do Dragão: depois da goleada imposta ao Arouca, nada melhor do que uma derrota do rival SL Benfica em Braga para colocar o FC Porto a apenas 1 ponto da liderança do campeonato. Depois do desaire na Taça de Portugal, o toque de midas provocado pelos comandados de Sérgio Conceição foi talvez o clique necessário para que, de uma vez por todas, o FC Porto demonstre aquilo que parece ser óbvio à vista de quase todos: tem os melhores jogadores, o melhor plantel e por isso a obrigação de liderar o campeonato.

Com uma prestação extremamente positiva até ao momento na Liga dos Campeões e a liderança tão perto no campeonato, o FC Porto demonstrou nos últimos jogos uma face muito mais consolidada e próxima daquilo que se deseja. Para que isso tenha acontecido, não é coincidência que a tão proclamada “rotatividade” de Lopetegui seja, por esta altura, não tão drástica como já foi. É certo que entre o jogo com o Arouca e o Nacional o treinador mudou três jogadores, mas as entradas de Maicon, Oliver e Quarema para o jogo contra os madeirenses pareceram muito mais compreensíveis do que aquela revolução entre a goleada frente ao BATE Borisov e o jogo com o Boavista, sem esquecer as poupanças e a gestão ridícula feita frente ao Sporting, na Taça.

Apesar das melhores evidentes no jogo portista, há um fator que na minha opinião continua a falhar na equipa: a falta de agressividade. Ao ver os jogos do FC Porto, é fácil perceber que Lopetegui quer um estilo de jogo agradável para os adeptos, com velocidade na posse de bola, trocas posicionais constantes e sobretudo um domínio territorial equilibrado que permita, com maior ou menor dificuldade, derrubar os adversários. Contudo, e para além dos erros individuais que já custaram pontos e uma competição esta temporada, aquilo que mais me “preocupa” é falta de agressividade que a equipa demonstra em vários momentos durante os jogos.

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Saberá Lopetegui readaptar o futebol do FC Porto quando for necessário?
Fonte: ogol.com.br

De facto, com a exceção dos centrais Maicon e Martins Indi, não se vê ninguém da equipa portista com “sangue na guelra” para perceber que nem sempre se pode jogar bonito. Sábado, ao olhar para o alinhamento inicial do FC Porto, é evidente que para a maioria dos adeptos portistas, ver Oliver e Quintero no onze é sinónimo de brilhantismo, de classe e sobretudo de jogo ofensivo constante. De facto, analisar a primeira parte do jogo frente ao Nacional é ver uma equipa que, com bola, sempre criou perigo mas que quando não a teve, passou por imensas dificuldades para perceber os momentos em que tinha que recuar as linhas e ser uma equipa mais paciente. Com Quintero, Oliver, Brahimi e Quaresma de início, não há dúvidas que a magia aparecerá sempre, mas é óbvio que colocar tantos artistas de início não é viável na maioria dos jogos.

Dessa forma, e porque com o mês de Novembro se aproxima o mau tempo, é compreensível que o mesmo traga enormes dificuldades a um plantel tão dotado tecnicamente como o FC Porto. Para os amantes de futebol, ver os dribles de Brahimi, a velocidade de Tello, a magia de Quintero e a técnica de Quaresma é um regalo mas num campeonato como o português, onde a componente física é extremamente importante, será que com o decorrer da competição, só isso chegará ao FC Porto? Se bem se recorda, caro leitor, este problema de falta de agressividade já apareceu na época passada, sobretudo nos jogos fora de portas, onde o FC Porto raramente conseguiu vencer devido a essas dificuldades em ser mais forte nos duelos, em ser mais eficaz e competente em jogos onde o brilho individual raramente consegue aparecer. Na condição de visitante, perante equipas agressivas e campos pesados, em que o relvado nem sempre está nas melhores condições, será interessante perceber se todos os artistas do elenco portista serão capazes de se adaptar ao fato de macaco e perceber que nem sempre se pode fazer uma finta ou um passe de 40 metros.

Numa altura em que os rivais não estão na melhor das formas, só uma equipa completamente concentrada nos seus objetivos é que poderá fazer frente a um campeonato que se tem pautado por algumas surpresas e sobretudo muita competitividade. É certo que a magia de Brahimi, a velocidade de Tello, o repentismo de Quintero e a técnica de Quaresma terão que estar presentes mas com as deslocações mais complicadas, será preciso também saber jogar “feio”, fazer mais faltas quando assim for necessário, ser mais pressionante sobre os adversários e sobretudo ter sempre mais agressividade. É que para ganhar campeonatos, nem sempre basta ter as melhores cartas. É preciso saber o que fazer com elas.