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Artur Augusto: O ‘Batatinha’ que trocou o Benfica pelo Porto

David Guimarães · 2 min

Artur Augusto: O ‘Batatinha’ que trocou o Benfica pelo Porto

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a minha eternidade

Na temporada desportiva de 1916, Artur Augusto, futebolista de enorme valia e proveitosa polivalência, despontava para o futebol português, modalidade e país onde marcaria uma era.

As suas aptidões técnicas eram primorosas; possuidor de uma visão de jogo certeira e de características multifacetadas, este jogador podia actuar em várias posições no sistema táctico. Estas valências permitiram-lhe um decisivo contributo para a excelente temporada de estreia no Benfica, clube onde arrecadou o ceptro de campeão de Lisboa, recuperando o título citadino que perdera para o Sporting no ano anterior.

Artur Augusto começou a despontar para o mundo do futebol na região de Benfica, de onde era natural, tendo sido no Club Internacional de Futebol (CIF) que recebeu e apreendeu os fundamentos do jogo, que lhe permitiram evoluir para um exímio praticante. Para esse aprimoramento técnico-táctico, muito contribuíram os ensinamentos do “mestre” Augusto Sabbo, um profundo conhecedor do jogo. O enfraquecimento do CIF devido ao recrutamento militar para a Grande Guerra, onde vários dos seus quadros estiveram presentes, fez com que este brilhante jogador repensasse a sua continuidade no clube, tendo então aceitado um convite do Benfica, mudando-se, juntamente com outro seu colega de equipa, Carlos Sobral, para os “vermelhos” na temporada de 1915/1916.

As conquistas de Artur Augusto de águia ao peito foram vastas, destacando-se o tricampeonato de Lisboa, entre 1916 e 1918. Na temporada de 1917/18, emparelhava com o seu irmão, Alberto, numa ala esquerda terrífica para os oponentes adversários – estes dois jogadores ganharam nomeada como “Os Batatinhas”.

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Imagem de Artur Augusto a propósito da sua 1ª internacionalização
Fonte: dragaopentacampeao2.blogspot.com

Em 1920, Artur Augusto toma uma decisão que gerou muita celeuma na época: decide mudar-se para a cidade invicta e representar o Futebol Clube do Porto. Foi, mais uma vez, muito bem sucedido, sagrando-se campeão de Portugal em 1922, na primeira edição da prova, numa final frente ao Sporting, onde laborou como defesa esquerdo. Nesse período, havia já abandonado a sua posição de raiz (extremo), esbatendo também a sua propensão de velocista (embora mantendo intactos os apurados recursos técnicos), e passou a actuar em zonas mais recuadas (meio campo ou defesa). Menos explosivo mas mais calejado, estratega e coordenador, era uma extensão do treinador em campo, contribuindo com indicações no terreno de jogo para as movimentações e posicionamentos da equipa. Com este papel superlativo, o lisboeta foi inegavelmente preponderante nas competentíssimas prestações da equipa nortenha que levaram à primeira grande glória nacional.

Antes ainda da obtenção do primeiro título, este campeão alcançou uma outra grande honra – foi o primeiro jogador internacional portista a representar a selecção das quinas. Actuou, no seu jogo inaugural, no ano de 1921, frente à congénere espanhola, onde os portugueses foram derrotados por 1-2.

A tal já enorme feito, acresce o facto de ter sido o primeiro seleccionado de uma equipa não lisboeta para a selecção, onde, nesse referido jogo, festejou o primeiro golo de sempre pela principal representação nacional, marcado pelo seu irmão Alberto. Depois de sair do Futebol Clube do Porto enveredou por uma carreira de treinador, passando por clubes como o Carcavelinhos e o Atlético, área onde mostrou também grandes capacidades.

Foto de capa: Página de Facebook ‘F. C. Do Porto – Histórias e Memórias’
(Na imagem, Artur Augusto é o 5º a contar da direita)

David Guimarães

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