As escolhas também valem pontos | FC Porto

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Neste artigo, vou abordar um tema que ainda não foi muito discutido e que tem marcado claramente os últimos jogos do FC Porto.

Se eu falo que as escolhas também valem pontos é sinal de que as exibições e os resultados da equipa portista não têm sido os melhores. São quatro empates seguidos, repito, quatro empates seguidos. Não me recordo de uma sequência tão negra com Sérgio Conceição no FC Porto. Claro que um desses empates é na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, mas os outros três significaram perdas de pontos no campeonato e podem ter ajudado a hipotecar a conquista do título deste ano.

São sem dúvida resultados um pouco assustadores para uma equipa que pretende conquistar a maioria das competições em que está inserida. Mas afinal, porque é que os resultados não têm sido bons?

Existem muitos fatores que têm contribuído para o insucesso desportivo do FC Porto nos últimos jogos, mas, neste artigo, vou destacar algumas escolhas de Sérgio Conceição para o onze inicial e para as substituições no decorrer dos encontros.

Comecemos pelo empate frente ao Belenenses SAD no Estádio do Jamor. O dado negativo vai para Felipe Anderson. Um jogador que está a milhas de distância do modelo de jogo portista. Parecia estar a renascer, mas, pelos vistos, foi sol de pouca dura. As substituições nesse encontro poderiam ter sido feitas mais cedo, mas a verdade é que nem os pesos pesados mudaram o rumo do encontro. (Atenção que não culpo Sérgio Conceição por não ter lançado Corona, Marega e Luis Díaz no onze inicial pela sequência de jogos que o FC Porto tinha. Ainda para mais os suplentes também não acrescentaram o que se pretendia).

Felipe Anderson tem-se revelado um tiro no escuro
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Daqui passamos para a análise do jogo frente ao SC Braga. Creio que o maior erro foi a aposta em Malang Sarr para lateral esquerdo. É verdade que Zaidu não estava nas melhores condições (e viu-se quando o lateral nigeriano entrou em campo), mas colocar Manafá e Carraça nas laterais não seria, na minha opinião, uma pior opção. Está à vista de todos que Malang Sarr não pode ser um lateral esquerdo numa equipa como o FC Porto. Não se sente perfeitamente à vontade na posição quando tem de defender e não dá a profundidade ofensiva de um lateral de equipa grande. Na minha opinião, é um caso com muitas semelhanças ao de Éder Militão. Num sistema de três centrais é que Sarr se sente como peixe na água.

No que toca às substituições, acho que as escolhas também não foram acertadas. Jogadores como Grujic e Toni Martínez deveriam ter entrado. O primeiro para recompor um meio-campo muito gasto que acabou por ser dominado pelo SC Braga e o segundo para fazer aquilo que o FC Porto precisava: segurar a bola. Marega não é esse jogador e a equipa minhota ficou com a iniciativa de jogo na totalidade.

Grujic é, atualmente, o jogador com mais semelhanças a Danilo Pereira no FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O jogo seguinte frente ao SC Braga para a Taça de Portugal acaba por ser um pouco inglório para analisar as escolhas de Sérgio Conceição no que às substituições diz respeito. Estas foram, sem dúvida, muito influenciadas pelas expulsões de Luis Díaz e Matheus Uribe. Contudo, creio que a utilização de Sarr na lateral esquerda foi de novo infeliz.

O último elemento de análise é claramente o empate diante do Boavista FC. Sérgio Conceição afirmou mesmo que foi a pior primeira parte de um jogo que teve enquanto treinador. O FC Porto foi para o intervalo a perder por 2-0 e percebeu-se que as escolhas do técnico portista para o onze inicial saíram completamente ao lado. Fábio Vieira e João Mário tiveram num dia claramente não e saíram ao intervalo. Neste caso, destacaria particularmente Fábio Vieira pela posição que ocupou no terreno. Não é um jogador com as características formar um duplo pivot, ainda para mais com um jogador como Sérgio Oliveira. O jovem médio portista ainda não tem a capacidade de recuperação de bola e agressividade que um jogador naquela posição tem de ter.

Sérgio Oliveira acabou por sofrer muito com a ausência de Uribe e, principalmente na primeira parte, recuou demasiado no terreno, perdendo assim a essência do seu futebol. Deixou de se ver a sua capacidade na construção ofensiva e o apoio claro que costuma dar à linha avançada do FC Porto. Uribe é claramente o apoio da linha defensiva do FC Porto e Sérgio Oliveira o apoio ofensivo. É um duplo pivot que se complementa, mas com a ausência do colombiano e a presença de Fábio Vieira, percebeu-se qual era a posição que o número 27 iria ocupar. Grujic acabou por entrar ao intervalo e o sentido do jogo mudou por completo. Malang Sarr voltou a ser mais uma aposta, na minha opinião, errada para aquilo que são as características do francês.

Por último, daria uma palavra de apreço pela entrada de Francisco Conceição. Não foi de certeza pelo jovem portista que o FC Porto empatou frente ao eterno rival da Invicta. Uma estreia quase de sonho e que deve levar Sérgio Conceição a olhar para o jogador como uma opção francamente válida. Em suma, este foi provavelmente o pior jogo no que respeita às opções táticas iniciais de Sérgio Conceição. As melhorias verificadas na segunda parte não foram suficientes para evitar a perda de pontos no Dragão.

Neste artigo, vou abordar um tema que ainda não foi muito discutido e que tem marcado claramente os últimos jogos do FC Porto.
Sérgio Oliveira é determinante na construção ofensiva do FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

De um modo mais geral, e em jeito de conclusão, também posso apontar dois fatores que me saltam à vista no FC Porto atualmente. Começo por abordar o facto de em alguns jogos, Sérgio Conceição não ter esgotado as substituições. Claro que o número não é sinónimo de qualidade, mas no jogo frente ao SC Braga para o campeonato, Grujic era uma opção essencial para entrar no jogo, e não entrou. Nota-se muitas vezes uma aparente falta de confiança na capacidade do banco portista.

Outra nota é a permanência de Marega no onze inicial. Sim, é uma peça chave no futebol de Sérgio Conceição, mas aquilo que Marega oferecia ao jogo (profundidade) é hoje claramente anulada por qualquer defesa. O avançado maliano joga muito melhor com defesas subidas e por mais que os jogadores portistas o tentem servir (quando até têm opções melhores), qualquer elemento da defesa contrária consegue antecipar-se com facilidade. Talvez pudesse ser bom dar uma verdadeira oportunidade a Evanilson ou então colocar um falso avançado junto a Taremi. Claramente aí a forma de atacar teria de sofrer algumas alterações.

João Castro
João Castrohttp://www.bolanarede.pt
O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva.

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