O FC Porto habituou-nos a ver uma defesa azul e branca imperial. Um conjunto de quatro homens, cinco se contarmos também com o guarda-redes, que raramente comete erros e dá golos a marcar. Nesta época 2020/2021, assistimos a um plantel azul e branco que tem comprometido imenso atrás. Antes do jogo de ontem, frente ao Boavista FC, eram já 19 golos sofridos à 18.ª jornada da Primeira Liga, sendo que o registo mais próximo nos últimos anos remete-nos a 1997/1998, ano em que o FC Porto à 18.ª jornada contava com 18 golos sofridos. Ainda assim, o FC Porto acabou por ser o campeão nesse ano.

Nos últimos mercados de transferências houve um claro déficit de investimento no setor mais recuado do FC Porto. Ainda que os azuis e brancos esteja, sob a alçada do fair-play financeiro, existem vários clubes na europa que fizeram um bom trabalho de scouting e colmataram posições eficazmente e a um custo muito reduzido. A saída de Alex Telles requeria, pelo menos, duas entradas para a ala esquerda. Zaidu está ainda no primeiro ano de dragão ao peito e precisa de melhorar várias questões técnicas. Malang Sarr é alternativa, mas não é um defesa-esquerdo que encaixe no sistema de Conceição.

Chancel Mbemba é o defesa mais utilizado esta época (participou em 28 jogos)
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pepe, já com 37 anos, tem estado em grande nível. O capitão parece, na verdade, ter menos dez anos do que os que tem e são poucas as vezes em que compromete. Mbemba não é o mesmo da temporada passada, mas revelou ser uma peça fundamental em muito dos jogos. Diogo Leite foi uma agradável surpresa quando jogara mais tempo, entre outubro e dezembro, mostrando que pode melhorar ainda mais e tornar-se num grande central à FC Porto. Sarr, que foi mais utilizado no início da época como defesa central, demonstrou ter técnica e inteligência, mas percebe-se que ainda não se adaptou ao futebol português e à filosofia do treinador. Sabendo que Marcano estaria lesionado até à data e que Pepe já não vai para novo, faltaria um quinto elemento que conhecesse a realidade do futebol português e pudesse competir por um lugar no onze.

No lado direito da defesa, Manafá tem subido de nível esta época, mas apenas no jogo ofensivo. Defensivamente, ainda dá poucas garantias ao FC Porto, obrigando Corona muitas das vezes a descer no terreno para limpar os problemas. Nanú é um extremo de raíz que foi adaptado a lateral direito ainda no CS Marítimo, faltando-lhe o mesmo que falta a Wilson Manafá. Carraça é uma terceira opção, raramente utilizado, estando claramente a mais no plantel do FC Porto, até porque Mbemba assumiu o lugar direito da defesa quando Manafá e Nanú não puderam.

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Sérgio Conceição terá de inserir o chip da fase de grupos da Liga dos Campeões nos jogos do campeonato, tendo em conta que os dragões sofreram apenas três golos em seis jogos – todos na mesma partida, frente ao Manchester City FC. A defesa portista terá que encontrar uma forma mais eficaz para estancar as investidas ofensivas do adversário, pois como se costuma dizer, “o melhor ataque é a defesa”.

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