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Perfeita, dominadora, de gala: estes são os adjetivos que me vêm logo à cabeça para descrever a exibição portista, esta noite, na catedral de San Mamés, em Bilbau. Durante 90 minutos, o FC Porto passeou classe no País Basco, com Brahimi a fazer uma exibição soberba, Jackson a ser letal como sempre e Casemiro a fazer o melhor jogo até ao momento com a camisola azul e branca.

Mas vamos por partes: o Atlético de Bilbau surgia nesta partida da 4ª jornada do Grupo G da Liga dos Campeões com a necessidade imperiosa de ganhar; quanto ao FC Porto, percebia-se que o jogo não era decisivo e que um empate até poderia ser um resultado positivo, pois desde logo garantiria a Liga Europa e colocaria os portistas com um pé e meio entre as dezasseis melhores equipas do Velho Continente. Nas equipas iniciais, destaque para as ausências de Aduriz (lesão) e Muniain (opção) do onze inicial escalado por Ernesto Valverde, que optou por colocar Ibai Gomez e Guillermo Fernandez de início. No FC Porto, Lopetegui optou pelo seu onze de gala, retirando Quintero e Quaresma da equipa titular, colocando nos seus lugares o médio Oliver e o extremo Cristian Tello. Ao contrário do que se podia esperar, tendo em conta as dificuldades clássicas que todos os adversários do Bilbau sentem quando se deslocam ao seu reduto, cedo se percebeu que esta era a noite do FC Porto.

Terceira vitória em quatro jogos - oitavos garantidos  Rafael Rivas, APF
Com a terceira vitória em quatro jogos, o FC Porto garantiu presença nos oitavos-de-final
Fonte: Rafael Rivas, APF

Sempre com o ritmo de jogo controlado, os pupilos de Lopetegui tiveram quase sempre a bola, controlaram todos os momentos de jogo e raramente deixaram o ataque espanhol aproximar-se das redes de Fabiano. Com Casemiro a funcionar em pleno como pêndulo à frente dos centrais, destacava-se o papel de Óliver Torres e Herrera na construção do jogo ofensivo portista. Nas alas, o repentismo de Tello e a qualidade soberba de Brahimi criavam os desequilíbrios para um Jackson Martinez que sempre perturbou os centrais.

Com tanto domínio sobre a partida, o FC Porto começou a criar perigo efetivo junto à baliza de Iraizoz e, em abono da verdade, o empate a zero ao intervalo era tremendamente injusto, tendo em conta o que se passava no terreno. Primeiro por Jackson, depois por Maicon, a seguir por Brahimi e novamente por Jackson em duas ocasiões (uma delas num penalty inexistente que o colombiano não aproveitou): tantas e tantas foram as oportunidades desperdiçadas pelos portistas que se temia que, no segundo tempo, a equipa de Lopetegui fosse pagar a fatura por tanto desperdício.

Mesmo com a entrada de Muniain ao intervalo, os espanhóis nunca conseguiram reagir ao poderio portista: no início do segundo tempo, continuou o passeio de gala dos jogadores do FC Porto – percebia-se que, mais tarde ou mais cedo, o golo acabaria por surgir. E acabou por acontecer mesmo: aos 56 minutos, Brahimi saiu de duas ou três “cabines telefónicas” e numa jogada brilhante ofereceu de bandeira o quarto golo na competição milionária a Jackson Martinez. A partir daquele momento, o FC Porto colocava-se numa justa vantagem que lhe permitiu gerir o jogo como quis. Com exceção do cabeceamento ao poste de Guillermo, o Bilbau nunca conseguiu ter ideias ofensivas que pudessem fazer perigar Fabiano Freitas.

Jackson lutou muito, falhou um penalty e marcou mais um golo  Fonte: Alvaro Barrientos, AP
Jackson lutou muito, falhou um penalty e marcou mais um golo
Fonte: Alvaro Barrientos, AP

Em contra-ataque, com Brahimi endiabrado e com a entrada de Quaresma em campo, o FC Porto foi ameaçando o segundo golo: primeiro com o argelino a obrigar, na cobrança de um livre, Iraizoz a uma excelente defesa; e depois com Martins Indi a falhar à boca da baliza o segundo golo português no país basco. Contudo, o 0-2 acabou mesmo por chegar à passagem do minuto 73, quando Brahimi aproveitou uma prenda antecipada de Iraizoz e, com a baliza aberta, fez um golo mais do que merecido, tendo em conta a sua exibição individual. Até ao final da partida, os portistas não precisaram de sufocar mais o Bilbau; não precisaram de espalhar mais classe, nem sequer precisaram de deixar os artistas todos em campo até ao fim do espetáculo. E sim, porque hoje o que vimos na Catedral de San Mamés foi um verdadeiro espetáculo pintado de azul e branco como há muito não víamos na Europa do futebol. Honra seja feita ao FC Porto e a Lopetegui, que, com a exibição de gala de hoje, conquistou o direito a sonhar e a estar entre as 16 melhores da Europa. E que justo é esse prémio.

 

A Figura
Brahimi/Casemiro
– não foi à toa que optei por esta divisão no momento de atribuir este prémio simbólico. O argelino foi mágico como sempre e a sua presença nos dois golos (um golo e uma assistência) são por si suficientes para mostrar a magia que deixou no relvado terrível de San Mamés. Quanto a Casemiro, tantas vezes já criticado esta época, deixou tudo em campo e fez uma exibição para recordar. Com mais jogos destes, aí sim poderemos começar a “esquecer” o “Polvo”.

O Fora-de-Jogo
Beñat
– o médio espanhol foi uma das surpresas do onze, mas nem isso foi suficiente para que a sua presença em campo fosse notado. Passou pelo jogo como grande parte da sua equipa: completamente ao lado. Saiu sem surpresa ao intervalo.

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