Braga, Madrid, Natal e Playstation

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A verdade “deste” Futebol Clube do Porto é apenas uma: não é, de momento, uma equipa de Champions. O treinador ainda não ganhou uma noção clara de que, mais do que no campeonato, na Europa o Porto não pode jogar como o Paços. E a grande diferença é que no Paços não há nada a perder.

Ganhámos dois a zero ao Braga. Com justiça, mas não sei se Jackson Martinez não faz falta sobre Nuno André Coelho. Aquelas mãozinhas não deviam estar nos ombros do defesa. Mas seguindo em frente, vejamos o que Paulo Fonseca fez. Colocou o Defour a trinco, que não lê tão bem o jogo a nível defensivo nem rouba tantas bolas como Fernando, mas isso já se sabia, e pôs o Herrera a jogar com Lucho, apesar de não ter a mesma liberdade para se movimentar. Isto funcionou, principalmente na segunda parte. Carlos Eduardo entrou bem para o lugar do lesionado Lucho, mostrou que mesmo sem rotina sabe onde receber e onde entregar a bola, e Herrera soltou-se para fazer algo que todos sabemos ser seu: receção, visão, passes e, sobretudo, calma. Entrou Licá para o lugar de Josué sem acrescentar muito.

E aqui há uma pequena nota pessoal da minha parte. Já havia aqui dito que Licá era a melhor contratação deste último mercado. Agora sei que tenho de mandar reparar a minha televisão. Licá é jogador para o campeonato português, mas também fica bem na Taça da Liga! E Josué – o cabeça quente e reclamão do Josué – também não me convence. Tem o amor à camisola, mas não tem a qualidade, pelo menos para já. E qualidade é algo que ultimamente tem-se mostrado um conceito mutável nesta equipa. O que nos leva a fazer uma pequena viagem a Madrid…

Precisávamos de ganhar. Ponto final! E acredito que, algures no planeta, o Porto ganhou aquele jogo numa Playstation de um adepto qualquer, mas o que aconteceu em Madrid é a conclusão de um capítulo europeu cujo resultado nenhuma consola ou computador pode simular: qualidade. Este Porto não tem qualidade de Champions. Nem na sorte! Perdemos 2-0 num jogo que poderia facilmente ter ficado 2-0, 2-1 ou até mesmo 3-1 a nosso favor, caso a sorte tivesse sido outra. E não o digo à toa, pois é a primeira vez desde que vejo o Porto jogar que acredito que nos podemos queixar dessa senhora que ultimamente parece gostar apenas da seleção francesa. Mas fora a sorte, não houve qualidade. E, tal como em Coimbra, a posse de bola foi nossa, o perigo foi quase todo no mesmo sentido, mas mesmo assim perdemos. E isto sem contar com o presente de Paulo Fonseca na mexida na formação. Outra vez!

Uma noite de azar ditou a saída do Porto da Liga dos Campeões Fonte:http://www.tvi.iol.pt/
Uma noite de azar ditou a saída do Porto da Liga dos Campeões
Fonte:http://www.tvi.iol.pt/

Começou com três jogadores no meio-campo, com Fernando e Defour mais defensivos, e acabou com quatro no mesmo espaço e dois avançados. Um deles o super-rotinado e extremamente bem entrosado no modelo de jogo Ghilas. Ou seja, quando não entra aos 85 minutos do fim, entra aos 60. Por esta altura pensei que as substituições seguintes seriam Fabiano Freitas e Ricardo! Eu percebo que seja Natal, mas tantos presentes ao mesmo tempo não, Mister Fonseca! E a equipa parece que também gosta desta quadra festiva, afinal contribuíram com uma série de bolas paradas mal batidas e com cantos que foram uma nulidade. Sei que é um pouco exagerado, principalmente com quatro bolas no ferro, mas estamos a falar de um Porto a terminar esta fase europeia com 5 pontos e apenas uma vitória. Uma! E o treinador continua com as suas experiências, umas boas (contra o Braga), e outras más (perdi a conta…). Quem acha isto também exagerado então sente-se confortavelmente e faça o seguinte exercício: com tanta mexida, tentem adivinhar o próximo onze do Porto. Se forem como eu, provavelmente nem se sentaram e foram jogar consola. Porque só assim é que se adivinha o onze deste nosso Futebol Clube do Porto.

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