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CD Nacional 1-1 FC Porto: Choupana sem Luz

David Guimarães · 3 min

CD Nacional 1-1 FC Porto: Choupana sem Luz

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a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto deslocou-se à Madeira para defrontar o Nacional de Manuel Machado. No Estádio da Choupana (que etimologicamente significa cabana ou palhota) os dragões fizeram uma exibição desinspirada, pouco pressionante defensivamente, desgarrada em termos de construção ofensiva e com falta de destreza e frescura física individuais. A pensar na Luz, os jogadores emanaram uma negritude futebolística, não só pelas razões anteriormente referidas, mas também pela enorme desilusão e mágoa pelo não aproveitamento total da derrota do Benfica.

Os azuis e brancos apresentaram-se na sua estrutura habitual, o 4x3x3, com Helton na baliza; Alex Sandro, Ivan Marcano, Maicon e Danilo a completar o quarteto defensivo; Casemiro jogou como pivot defensivo com os médios interiores Evandro e Herrera à sua frente; o trio de ataque foi composto por Brahimi, Tello e Aboubakar.

A principal lacuna a reter desta exibição dos portuenses foi o facto de estes não terem conseguido impor de uma forma tão incontestável como habitualmente o seu estilo de jogo. A usual troca de bola impositiva não aconteceu, foram poucas as recuperações conseguidas em zona alta, bem como as segundas bolas ganhas na batalha do miolo. Em vários momentos da partida, o rumo dos acontecimentos foi conveniente aos madeirenses, que partiram o jogo, forçaram as transições rápidas e um jogo mais esticado na frente, não possibilitando o tradicional “embalo circular” com que o Porto tranquiliza os adversários até encontrar espaço para um repentismo mortífero que faça estremecer o marcador.

FC Porto Nacional
O golo do Nacional foi um balde de águia fria para os ‘dragões’
Fonte: Nacional da Madeira

As substituições são lógicas mas não surtiram nenhum melhoramento substancial no jogo da equipa. Rúben Neves entrou para o lugar de Casemiro, amarelado num lance despropositado da sua parte, que condicionou o próprio (perdendo agressividade) e a equipa (visto que o jovem português não é defensivamente tão robusto). Quintero substituiu Evandro sem trazer magia ao jogo. Se em anteriores partidas o colombiano estava desligado dos mecanismos globais da equipa, neste encontro, nem uma jogada individual lhe saiu. Por último, entrou Ricardo Quaresma para render o argelino Brahimi. O português criou mais reboliço nos 15 minutos em que esteve em campo do que o seu companheiro de sector em 75.

O Porto pode estar um pouco feliz (apesar deste dissabor) porque ganhou um ponto ao Benfica na luta pelo troféu (estando agora a três do rival). É indubitável que os dragões apenas dependem de si para ser campeões. Devem lamentar, ainda assim, o facto de não terem conseguido colocar o Benfica numa situação aflitiva. Os nortenhos não foram hábeis o suficiente para criar um enquadramento fantasmagórico para os seus rivais, onde o peso histórico dos traumas recentes fosse o mote para a descrença global dos encarnados. Assim, o medo cénico que os lisboetas iriam sentir continua ainda dormente num subconsciente longínquo.

A Figura

Tello – Marcou um golo espectacular de pé esquerdo e ainda assistiu Danilo e Aboubakar para remates perigosíssimos. Nota-se, como venho escrevendo, que é em zona interior que é decisivo. Deve ser trabalhado para actuar em zona central, não para se fixar nesse espaço constantemente, mas para o invadir em velocidade.

O Fora-de-Jogo

Brahimi – João Aurélio, defesa direito do Nacional, foi o melhor elemento em campo. O argelino do Porto foi incapaz de se superiorizar ao seu marcador directo. Tentou (e bem) ir para o centro para conquistar espaço, mas nem nesse naco de terreno fez a diferença. Quaresma, pelo menos nestes jogos da Liga, deve ser titular. É o mais desequilibrador. Tello e Brahimi devem ficar com a outra vaga e descansar para o jogo contra o Bayern. Vão ser indispensáveis para o contra-ataque rápido.

David Guimarães

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