Com a faca e o queijo na mão

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Conclui-se neste final de semana que estamos de partida para a 10.ª Jornada da Liga Portuguesa (ainda nem um terço do campeonato passou) e, para já, matematicamente, apenas existem duas equipas dependentes de si mesmas com o título de campeão nacional no horizonte. O jovem FC Porto e o irreverente Sporting CP travam já uma luta, percurso a percurso, que se projeta como a real batalha deste ano desportivo.

Os dragões, que por razões externas ao desporto rei não disputaram esta última jornada, vêm com um atraso de cinco pontos em relação ao seu maior rival e continuam dependentes de si próprios para alcançarem o tão desejado título nacional, que lhes foge há dois anos, ficando assim com a possibilidade de ter (ou não), uma prenda no sapatinho para o mês de dezembro. Os leões, apesar da sua vitória polémica, ficam com uma margem maior para respirar nesta disputa, pois não estão dependentes dos jogos dos adversários, apenas se devem concentrar, como dizem as suas claques, no “batalha a batalha”.

No mundo do FC Porto pairam momentos de sensações algo ambíguas. Muitos observam que a equipa é a única em Portugal ainda sem derrotas nas competições (já que o Fafe perdeu este domingo), logo é um sinal lógico de confiança e bom trabalho, mas também corre aquele nervoso “miudinho” no sangue portista ao ver que a sua equipa está atrasada naquele que é o target principal, o campeonato.

O adepto de futebol, e no fundo o ser humano em geral, tem sempre tendência para se concentrar essencialmente no que se passa de mal à sua volta, e muitas vezes deixa de parte o que se faz de bem no seu clube. Neste caso concreto, vemos que a filosofia portista, que se concentrava em humilhar os adversários em casa, em saber sofrer quando é preciso, em viver cada segundo como se fosse o último, e em ganhar sempre, se possível com nota artística, já não é a mesma nos dias que correm. As bases e místicas não são iguais; a posse de bola é uma prioridade, a identidade em variar fluxos de circulação de bola é vital, criar oportunidades de perigo apenas em situações de área é uma essência e rotatividade é uma ideologia fundamental.

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Lopetegui continua com muito por resolver
Fonte: stuff.co.nz

Pois bem, a mudança não tem de ser essencialmente um obstáculo para o sucesso. Apesar das oportunidades exageradamente desperdiçadas, dos pontos perdidos displicentemente em empates caseiros e fora de portas e do fraco oportunismo dos erros adversários, o FC Porto tem construído uma identidade forte e bem trabalhada, apenas faltando transformá-la numa doutrina de campeão. Há que identificar os erros para se melhorar jogo a jogo, há também que transmitir confiança aos intervenientes que andam dentro de campo, porque ninguém tem dúvidas de que uma equipa que tem a experiência de Iker Casillas, o virtuosismo de Brahimi, o talento de Rúben Neves, o cérebro de André e a aptidão e competência de Aboubakar, misturando a fé e convicção do Tribunal do Dragão, só pode conseguir inúmeras vitórias e títulos.

Os azuis e brancos têm, como diz o ditado popular, a faca e o queijo na mão. Independentemente de não poderem beneficiar de grandes penalidades para vencer jogos, de demérito das equipas de arbitragens, ou até mesmo de um critério ridículo de amortização de cartões, o FC Porto apenas depende de si, já que se vencer a próxima dúzia de jogos vai chegar naturalmente à liderança ambicionada há muito.

Não esquecer que para isso é necessário deixar os últimos desleixos e desatenções de lado, principalmente no que toca aos jogos em campos adversários. À equipa nortenha apenas se exigem quatro requisitos fundamentais: a ambição de nunca desistir, o amor à camisola que vestem, o querer sempre melhorar para atingir uma mentalidade vencedora e identidade. Quando se põem estes predicados em prática, os resultados aparecem e as alegrias multiplicam-se.

Igor Pereira
Igor Pereirahttp://www.bolanarede.pt
O Igor é de Alcobaça e estuda Publicidade e Marketing. É adepto fervoroso e apaixonado do FCPorto e considera-se uma pessoa dotada de um caráter forte e uma personalidade única. É uma verdadeira alma do norte!                                                                                                                                                 O Igor escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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