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Comprar: Necessidade ou Oportunidade?

Ricardo Anselmo · 4 min

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Chegamos ao fim de um ano que antecede um outro que esperamos seja de alegria para todos nós, portistas. O FC Porto respira saúde, renova expetativas a cada jogo disputado e permanece com as aspirações intactas em todas as provas que disputa. Importa não esquecer de juntar a tudo isto o facto de já ter alcançado o primeiro dos objetivos previamente definidos para esta época: a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões, que, consequentemente, ajudou a reequilibrar as finanças do clube. Com o término da primeira metade da temporada, eis que é também tempo de reabertura do mercado de transferências. Por isso, sem alarmismos, impõe-se uma pequena análise ao que se tem e ao que se poderá ter e, no meio deste equilíbrio, perceber quais as possibilidades ao nível das saídas.

Numa ligeira comparação com a época passada importa reconhecer que o FC Porto chegava ao Natal com grandes preocupações ao nível do setor atacante. A equipa produzia muito mas não sabia traduzir isso em (muitos) golos, pelo menos na medida do exigível e do suficiente. André Silva parecia ser uma solução curta e Depoitre um autêntico desastre, pelo que o novo ano trouxe ao Dragão Tiquinho Soares que, rapidamente, se revelou uma mais-valia. Tudo isto para nos levar ao ponto essencial: o FC Porto de janeiro de 2017 revelava um tremendo handicap num dos setores da equipa (o ataque) que, não raras vezes, lhe custou pontos importantes na classificação final.

Ora, o FC Porto de janeiro de 2018 não se debate com esse problema, mas sim com a possibilidade de acrescentar poder de fogo a um conjunto que, por si só, já vai dizimando. O “plantel é curto, mas elástico” como alguém tão sabiamente ousou caraterizá-lo e, nesse sentido, impera a necessidade de não ficar refém da elasticidade de um plantel que, se apresenta estes resultados com as limitações quantitativas que tem, imaginemos se acabar por ser dotado de mais uma ou duas verdadeiras e determinantes opções.

Wendel seria uma boa opção para o estilo de jogo do FC Porto Fonte: Domínio de Bola
Wendel seria uma boa opção para o estilo de jogo do FC Porto
Fonte: Domínio de Bola

Olhando ao lote dos 24 jogadores efetivos com quem Sérgio Conceição trabalha diariamente sou da opinião de que, não descortinando uma evidente deficiência em qualquer das posições, existem dois casos que nada perderiam se vissem as opções para os mesmos aumentarem: meio campo (transportador de jogo) e ataque (extremo). A ideia de jogo de Sérgio Conceição assenta claramente na recuperação da bola em zonas altas do terreno e ataque rápido em direção à baliza contrária. Nesse sentido, a componente física assume preponderância em detrimento da técnica. Assim se explica, em parte, o eclipse de Óliver e a passagem de Herrera de besta a bestial.

Em relação ao meio campo e ao tal transportador de jogo (reconhecendo que Danilo está a ser formatado para assumir novas funções e a mostrar um leque mais alargado de capacidades, particularmente neste aspeto do jogo), seria com o maior agrado que veria a chegada de Wendel ao Dragão (caso se confirmem os rumores que vão apontando nesse sentido). Já em relação ao papel de extremo, confinado aos nomes de Brahimi e Corona quando a equipa atua em 4-4-2, creio que nada se perderia se se juntasse a estes dois um outro fantasista capaz de desmontar defesas com os malabarismos desconcertantes que são apanágio tanto do argelino como do mexicano. Uma hipotética vinda de um extremo teria de obedecer a uma caraterística fundamental e que o diferenciaria de Yacine e Jesús: a verticalidade.

Poder-me-ão contrariar dizendo que isso já existe no plantel, mas convenhamos que Hernâni tarda em ser uma real mais-valia ou mesmo opção para uma eventual alteração do estilo de jogo. Há também a hipótese de Ricardo Pereira, quando utilizado como extremo, oferecer esse sentido mais retilíneo ao futebol portista mas, muito sinceramente, o jovem português está a exibir-se a um altíssimo nível na lateral direita.

Hernâni, tal como Óliver, poderá deixar o Dragão face à escassez de oportunidades…e de espaço Fonte: FC Porto
Hernâni, tal como Óliver, poderá deixar o Dragão face à escassez de oportunidades…e de espaço
Fonte: FC Porto

E por falar em Hernâni, eis que é também momento de avaliar possíveis saídas. O nome do português faz todo o sentido caso, naturalmente, entre alguém. Além dele, existirão sempre as dúvidas de Casillas e Layún, pouco satisfeitos com a condição de suplentes que vão carregando, mas, para ambos os casos, o plantel oferece todas as garantias. O caso de Óliver parece-me bem mais complexo. O espanhol tem uma qualidade inquestionável mas esbarra na tal ideia de Sérgio que se implementou de tal maneira após a derrota europeia com o Besiktas JK ao ponto de Herrera ser neste momento um elemento essencial na dinâmica imposta pelos azuis e brancos. O investimento em Óliver foi muito grande e custa muito pensar na hipótese de não ver esse investimento ser traduzido em rendimento desportivo, mas a equipa estará sempre m primeiro lugar e cabe à SAD, em comunhão com as decisões do treinador, decidir o melhor para o jogador e para o clube.

Acima de tudo, a ideia que fica é a de que o FC Porto operará cirurgicamente neste mercado de transferências, não cometendo as loucuras de outrora, optando pelas oportunidades que este mini-defeso lhe proporcionar em função das (poucas) necessidades que tem.

Foto de Capa: Bola na Rede

Ricardo Anselmo

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