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Quando se soube do regresso do pequeno génio espanhol à cidade Invicta, os adeptos suspiraram pelo pequeno jogador que viram a jogar na primeira época de Lopetegui ao serviço do FC Porto mas que, depois de uma excelente época, sobretudo devido a uma soberba campanha na Liga dos Campeões, foi resgatado por Diego Simeone e a estrutura colchonera. Estes, quando o emprestaram, sabiam que o potencial e o talento estavam lá: toque de bola, controlo e recepção, visão de jogo, domínio dos momentos de jogo. Ou seja, tudo aquilo que caracteriza os médios de classe espanhóis e, quando chegou Oliver Torres, ele vinha sem opção de compra, para assim o Atlético ter uma palavra a dizer.

Fez uma época 2015/2016 mediana, com 33 jogos, 19 deles como suplente utilizado, o que perfaz 14 jogos a titular e um total de 1337 minutos jogados, dando o valor médio de 40 minutos por jogo, ou seja, nem uma parte completa efetuada, em média, e com um golo marcado. A sua habilidade de aparecer na área a finalizar tem de melhorar, e na época transata faturou por uma vez, na Liga dos Campeões, contra a equipa do Astana na fase de grupos.

Mas, deixando o passado e analisando a presente temporada, Oliver Torres vem por empréstimo mas com uma cláusula de compra de aproximadamente 20M € e é um empréstimo de época e meia, ou seja, até dezembro de 2017, o que mostra uma mentalidade diferente do Atlético e, ao mesmo tempo, apesar de ser um valor muito elevado para o panorama português (e para o FC Porto, que tem como obrigação melhorar as contas), se tornará um valor ativo e poderá significar uma boa venda no futuro, já que a qualidade do jogador é comprovada por todos (infelizmente, os dragões continuam a ser um clube que necessita de vendas elevadas).

Analisando até agora o reforço portista, vemos que tem sido uma aposta constante a titular por parte de NES, somando já quase 1000 minutos de utilização e faturando um golo. Mas, neste jogo com o SL Benfica, Oliver fez, provavelmente, a melhor exibição de dragão ao peito e foi fundamental para o recital de futebol que foi a primeira parte portista. Ora vejamos:

– 91% de precisão de passe;

– 4 desarmes de bola;

– 8 duelos ganhos;

– 3 passes decisivos;

– 2 dribles conseguidos

Números muito interessantes para um médio centro do FC Porto que, para além do transporte de bola e qualidade de passe, conseguiu contribuir decisivamente para o excelente comportamento defensivo da equipa. Analisando agora o heatmap do jogador:

heatmap

Vemos que a sua ação se verificou maioritariamente no flanco esquerdo do ataque portista e consequente faixa direita da defesa encarnada. E aqui estava a dor de cabeça, porque neste flanco caíam Alex Telles, Diogo Jota e Oliver, o que obrigava Salvio a resguardar-se no apoio a Nelson Semedo e este (o melhor elemento ofensivo do Benfica na primeira parte) a ter cuidados redobrados. Oliver Torres apareceu sempre entre Salvio e o médio centro do SL Benfica, oferecendo sempre linha de passe e conseguindo receber e poder olhar de frente para a baliza e para o jogo e, oferecendo ainda, superioridade numérica porque à sua frente estavam os avançados do FC Porto e Oliver a aparecer entre a linha defensiva e média dos encarnados. Foi um jogo em cheio do jovem espanhol pelo FC Porto que, com a sua saída, começou a perder a luta a meio campo, tendo menos critério na saída, menos desequilíbrios e capacidade de resguardar a bola quando assim tinha de ser. Um jogo excelente em todos os pontos e que faz o seu passe valer os 20M € da sua cláusula.

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Telmo Martins
Telmo Martinshttp://www.bolanarede.pt
Eterno apaixonado por futebol, tem no Porto a sua eterna paixão. A atualidade desportiva faz parte da sua génese, lendo desde muito novo os jornais desportivos cuja leitura o avô lhe incutia. Vê jogos de futebol com o seu pai desde os três meses de idade (de pequenino é que se torce o pepino). Joga futebol e futsal com os amigos sempre que pode. Tem também pelo ciclismo um apreço especial. Fora de Portugal é adepto incondicional do Tottenham Hotspur e do Real Madrid.                                                                                                                                                 O Telmo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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