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Diogo Leite | O novo patrão da defesa dos Dragões

Alexandre Matos · 5 min

Foto: Diogo Cardoso/Bola na Rede

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Há muito que se conhece o valor do jovem central. Faz parte da famosa geração dos “Diogos” (Costa, Dalot, Queirós e Leite) e tantas foram as vezes que o vimos fazer dupla com Diogo Queirós no eixo da defesa nas camadas jovens quer do FC Porto quer da seleção nacional. Foi titular nas conquistas dos Europeus sub-b17 e sub-19, e foi aí que começou a ganhar mais destaque.

Ainda assim, a entrada para a equipa principal do FC Porto não foi fácil. Até começou a época 2018/2019 a titular, com 90 minutos jogados na Supertaça e nos primeiros três jogos da Primeira Liga. Contudo, depois da derrota contra o Vitória SC na terceira jornada, saiu da equipa principal e foi relegado para a equipa B, onde se manteve na maioria da época. Fez apenas mais um jogo na Taça da Liga e outro na Liga dos Campeões.

Com a saída de Militão no final da época, antecipava-se que Diogo Leite pudesse ganhar mais espaço na equipa liderada por Sérgio Conceição, jogando ao lado do experientíssimo Pepe, com quem podia crescer. Esse não foi o caso, muito devido à contratação de Iván Marcano. O espanhol acabou por fazer dupla com Pepe durante grande parte da época 2019/2020, com Diogo Leite atrás ainda de Chancel Mbemba na hierarquia portista.

O espanhol lesionou-se na pausa imposta pela pandemia, abrindo espaço ao jovem português. Foi titular nos dois últimos jogos do campeonato, ainda que nunca tenha convencido completamente Sérgio Conceição. Acabou a época com apenas nove jogos na Primeira Liga, e só quatro como titular.

Começou esta época como suplente mais uma vez, com a dupla Pepe-Mbemba a ser preferida pelo treinador portista. Ainda assim, as lesões que se têm vindo a sentir em ambos titulares obrigaram o técnico a apostar mais no jovem português. O primeiro jogo que fez foi na derrota em FC Paços de Ferreira por 3-2, e voltou a ser relegado para o banco.

Apesar de ter oportunidades na época passada, não foi aposta imediata na presente época
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Como já tinha acontecido em épocas anteriores, Diogo Leite funcionou como uma espécie de bode expiatório dos problemas defensivos coletivos que a equipa estava a sentir. Com isto, não digo que Diogo não tenha cometido alguns erros e que seja o “produto final”. O central tem ainda aspetos a melhorar no seu jogo, disso não há grandes dúvidas. Mas só jogando, fazendo erros e crescendo com eles é que se pode aproximar do seu potencial.

Na minha opinião, o treinador do FC Porto parecia mais exigente com Diogo Leite do que com os outros centrais. Sempre que cometia um erro num dos poucos jogos que fazia, era imediatamente relegado para o banco. Enquanto isso, víamos outros, como Marcano, Mbemba e mesmo Pepe, a fazer também eles erros, o que é normal em centrais, e a manterem os seus lugares na equipa. Mesmo tendo em conta o altíssimo nível que o atual capitão Pepe tem demonstrado, a verdade é que este cometeu vários erros, por exemplo, contra o CS Marítimo que custaram pontos à equipa.

Durante esta época, houve até alturas em que Diogo Leite era preterido por Malang Sarr. O francês pode até ser um jogador com mais experiência sénior, mas a verdade é que não impressionava de uma forma indiscutível, e não é um jogador detido pelo FC Porto. Aliás, está no Dragão emprestado e sem opção de compra.

Diogo Leite apenas reentrou na equipa no encontro contra o Manchester City FC, devido à mudança tática de Sérgio Conceição que estruturou a equipa num sistema de três centrais. Foi provavelmente o melhor central do FC Porto nesse jogo, mas voltou ao banco no seguinte. Jogou outra vez no embate contra o Olympiacos CFP, num encontro em que Sérgio Conceição rodou completamente a equipa por já ter conquistado a passagem na fase de grupos.

Voltou a ser titular nos dois jogos seguintes, mas, por serem jogos da Taça de Portugal e da Taça da Liga, restava perceber realmente se havia finalmente ganho a titularidade. As exibições que tinha feito nesses jogos, desde o encontro contra o Manchester City, mereciam isso mesmo, a meu ver.

Felizmente, Sérgio Conceição não conseguiu ignorar a realidade, e Diogo Leite foi já titular nos últimos três jogos a contar para a Primeira Liga. Tem mostrado muito mais confiança e, por consequência, mais segurança também. Tem uma qualidade com a bola nos pés que mais nenhum central portista tem, o que é sempre importante para uma equipa grande que passa grande parte do jogo com a bola. É alto, rápido e faz muito bem as coberturas. Posiciona-se quase sempre bem, e tem uma capacidade de antecipação muito acima da média.

Para além de tudo isso, é um líder. Notei particularmente no jogo contra o Manchester City que estava em constante comunicação com os seus colegas, sempre a tentar manter a sua linha defensiva alinhada, aspeto especialmente importante nesse jogo devido ao facto de a equipa não estar habituada a jogar com três centrais e por ter jogado no meio dos seus dois companheiros. Este é um facto já evidenciado por Sérgio Conceição também, que tem confiado a braçadeira de capitão em Diogo Leite nos últimos jogos quando Sérgio Oliveira é substituído.

O jovem portista tem sido peça fundamental na seleção sub-21
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Como muitos outros jovens antes dele, e como muitos ainda por vir, é só preciso uma aposta real no jogador para que este comece a mostrar toda a sua qualidade. E uma aposta real significa deixar os jovens fazer erros, e continuar a dar-lhes confiança, continuar a dar-lhes minutos.

O que queima os jovens não é pô-los a jogar em encontros difíceis e este mostrarem algumas dificuldades. O que queima os jovens é, depois desses jogos, relegá-los para o banco ou para a segunda equipa. Felizmente, Diogo Leite ainda foi a tempo de se mostrar a alto nível, e ainda vai a tempo de mostrar ainda mais no futuro próximo.

Alexandre Matos

Redação Bola na Rede · ver artigos