O FC Porto e o Sporting disputaram hoje o grande clássico deste fim-de-semana. Os dragões acabaram por vencer por 3-1, com golos de Josué, Danilo e Lucho. William Carvalho fez o tento solitário dos leões. O Bola na Rede apresenta-vos o seu primeiro “Especial Clássico”, em que têm a opinião de um portista (Francisco Manuel Reis) e de um sportinguista (João Almeida Rosa) sobre o encontro.
 
Futebol Clube do Porto

FC Porto e Sporting protagonizaram hoje um grande jogo de futebol, correspondendo às expectativas que se tinham gerado. Inicialmente, ambas as equipas entraram a pressionar muito alto, com as defesas muito subidas. No primeiro quarto de hora, houve muita luta, pouco espaço e muita bola para a frente. A partir do primeiro golo, as equipas soltaram-se mais e houve mais espaço em ambos os meios-campos. O FC Porto dominou a primeira parte, tendo obtido o dobro dos remates do Sporting e bastante mais posse de bola. Depois do intervalo, os leões vieram cheios de vontade e tiveram algumas ocasiões de perigo. Até que, com o golo de William Carvalho – provavelmente o melhor em campo do lado leonino –, o jogo prometia abrir ainda mais. Isso não aconteceu porque logo a seguir, Josué soltou brilhantemente para Danilo disferir um potente remate e recolocar os azuis e brancos na liderança. A partir daí, o jogo partiu e o FC Porto ainda teve tempo para marcar o terceiro, o melhor golo da partida, por Lucho. O FC Porto foi um justo vencedor. Pese embora o equilíbrio que o Sporting conseguiu impor em alguns momentos, o FC Porto foi sempre mais seguro, mais clarividente e mais incisivo em todas as acções. Conseguiu criar superioridade numérica no meio-campo na maior parte das vezes, defendeu com bastante solidez e falhou muito menos passes, no ataque. Foi mais equipa e, por isso, mereceu os três pontos.

Josué com Jackson Martínez / Fonte: Maisfutebol
Josué com Jackson Martínez / Fonte: Maisfutebol

Helton: 7 – redimiu-se do mau alívio com os punhos que permitiu a William Carvalho rematar para golo quando fez a defesa da noite, a cabeceamento de Montero. Transmitiu serenidade.

Danilo: 7 – Uma boa exibição, coroada com um grande golo. Defendeu bem e envolveu-se no ataque tanto quanto pode, apesar de o Porto ter atacado mais pelo lado oposto. Confirmou as melhorias que tem tido esta época.

Alex Sandro: 7 – Intransponível na defesa (só me lembro de um duelo individual perdido) e muito forte a atacar. Ao seu nível: muito bom!

Mangala: 7 – Começou a época abaixo do que já havia mostrado, mas parece estar de regresso à boa forma. Um muro. Forte, rápido e concentrado. Mais uma grande prestação do jovem francês.

Otamendi: 6 – Algumas falhas defensivas e uma insistência inexplicável nos lançamentos longos, especialmente na primeira metade, que deram a bola ao adversário mancharam a ‘performance’ do central. Não comprometeu mas podia fazer melhor.

Fernando: 8 – O “Polvo”. É um jogador fabuloso e hoje voltou a prová-lo. É muito difícil ultrapassá-lo. Antecipa-se sempre bem, sabe sempre onde tem de estar e está cada vez melhor com a bola no pé. Que bom era se ficasse…

Herrera: 7 – Jogo inteligente do mexicano, muito aplaudido no regresso ao Dragão. Muito bem no posicionamento defensivo e um autêntico tractor a atacar – ninguém lhe consegue tirar a bola a progressão.

Lucho: 8 – Fez jus ao cognome “El Comandante”. Muitos remates, muitos passes, muita inteligência táctica e emocional, um golo e uma exibição personalizada do capitão portista.

Josué: 8 – Fundamental no jogo de hoje, tal como tinha antevisto, por permitir ao FC Porto criar superioridade numérica no meio-campo. Aguerrido, como sempre, a defender, foi essencialmente preponderante no ataque. Um golo, uma assistência (e que assistência!) e mais uma oportunidade agarrada pelo jovem Dragão.

Varela: 8 – Finalmente, o Varela dos velhos tempos! Definitivamente, talhado para os grandes jogos. Grande jogada no terceiro golo, muita dinâmica, muita força, muita técnica, excelente atitude. Está de volta!

Jackson: 7 – Bom jogo. Teve muito trabalho no meio dos centrais leoninos, mas trabalhou bastante em prol da equipa. Fulcral a fazer de ‘pivot’.

Licá: 7 – Entrou em grande, cheio de determinação. Deu profundidade ao jogo do FC Porto e teve pormenores técnicos deliciosos. Solução mais do que válida.

Defour: 7 – Substituiu Herrera e esteve igual a si próprio, impedindo desequilíbrios defensivos e dando rotação a um meio-campo já ligeiramente desgastado.

Ghilas – Pouco tempo em campo.

 

Francisco Manuel Reis

Sporting Clube de Portugal

Nos últimos cinco anos, pode-se dizer, o Sporting nunca havia chegado ao Dragão com os índices de confiança tão altos. Durante o jogo provou-se, contudo, que a confiança é uma importante peça no que ao Futebol diz respeito, mas quase que irrelevante se desacompanhada de outras características fulcrais. Então, o que faltou à equipa de Alvalade?
O Sporting perde no terreno do Porto porque perde quase todos os duelos individuais. A equipa orientada por Paulo Fonseca mostrou-se mais tranquila, apesar de teoricamente passar um momento pior do que o do Sporting. Mostrou-se mais decidida e incisiva, mas também mais conhecedora do adversário. Otamendi e Mangala nunca deram a Montero, por exemplo, os espaços que os elementos mais defensivos do Sporting proporcionaram a quem surgia nos seus últimos 30 metros. Adrien esteve sempre muito bem acompanhado pela dupla Fernando/Herrera, e essa foi outra das chaves deste sucesso Portista. A ocupação de espaços e capacidade de pressão fez da equipa da casa mais forte e merecedora da justa vitória alcançada.

William Carvalho celebra o golo do Sporting com a equipa / Fonte: Maisfutebol
William Carvalho celebra o golo do Sporting com a equipa / Fonte: Maisfutebol

Rui Patrício: 6 – Sem culpa em qualquer dos golos sofridos, o titular da Selecção Nacional falhou somente num canto que acabou por dar apenas outro canto, mas poderia ter tido consequências bem piores.

Cédric: 5 – Responsável pela marcação a Varela, deu sempre espaços demais. Quando apertou na marcação ganhou praticamente todos os lances, dando a ideia de que poderia ter perfeitamente anulado o extremo contrário. Ofensivamente arriscou pouco e viu-se muito menos do que o habitual.

Maurício: 4 – Faz a grande penalidade que acaba por desbloquear o jogo num lance mal avaliado pelo defesa central que, até aqui, tinha estado seguro em dupla com Rojo. Não conseguiu lidar com a pujança de Jackson que saiu vitorioso deste duelo individual.

Rojo: 5 – Melhor do que Mauricio, equilibrou as contas no que aos duelos se tratou. Jogou muitas vezes, e bem, em antecipação dando dessa forma volta à alta capacidade de jogar corpo-a-corpo que o ponta de lança colombiano do Porto tem. Perde no ar com Varela no terceiro golo e foi batido por Danilo no lance do segundo golo, mas aí o desequilíbrio já estava causado e não lhe podem ser atribuídas responsabilidades.

Piris: 6 – Continua como o conhecemos: seguro e intenso a defender e limitado ofensivamente por estar a jogar no flanco contrário àquele a que está mais habituado. Viu um amarelo mal mostrado e tentou chegar à frente sempre que possível tendo sido até mais perigoso do que Cedric.

William Carvalho: 8 – O melhor jogador do Sporting e possivelmente do encontro. Mostrou o que faltou aos seus companheiros: tranquilidade, estofo e a qualidade reconhecida. Sempre sereno e de cabeça levantada na hora de decidir. Quase sempre bem posicionado e eficiente no desarme. Fez o golo mas não precisava do mesmo para ser reconhecido como o melhor do Sporting.

Adrien: 5 – Amarrado pela dupla Fernando/Herrera, quase sempre sem espaços e algo nervoso na hora de decisão. Só mostrou a influência que tem tido no lance em que assiste Capel, na 2ª parte, num dos lances mais perigosos do lado leonino. A equipa sentiu em demasia a sua falta.

André Martins: 7 – Foi, enquanto a sua condição física o permitiu, o construtor de jogo do Sporting. Colmatou o afastamento de Adrien do jogo e assumiu, como devia, um papel entre linhas. Ligou bem o meio-campo ao ataque mas faltou-lhe alguma capacidade de remate para criar mais perigo no último terço.

Wilson Eduardo: 4 – Pouco em jogo, o extremo português nunca conseguiu desequilibrar a seu favor os poucos lances de que dispôs. Mostrou, mais uma vez, que na direita torna-se menos perigoso por não poder flectir para o meio. Desinspirado e sem capacidade para apoiar Montero.

Carrillo: 4 – Já havia escrito que o jovem peruano peca pela inconsistência das suas exibições. Hoje foi mais um daqueles dias em que faltou à chamada e em que decidiu quase sempre mal. Lento a largar a bola, incompreensivelmente pouco confiante nos duelos com Danilo. Não usou a maior velocidade e até algum espaço que lhe foi dado. Conseguiu desequilíbrios numa das pouquíssimas vezes em que foi para cima de Alex Sandro, servindo Capel já dentro da área.

Montero: 5 – Foi ofuscado pela falta de bola da sua equipa mas também pelo rigor dos centrais adversários. Tentou vir atrás, e fê-lo bem, mas apareceu menos do que o habitual. Na única grande ocasião, cabeceou bem mas Helton esteve melhor negando o golo com uma defesa fantástica.

Diego Capel: 5 – Entrou para agitar o jogo num momento em que o Sporting perdia. Conseguiu-o a espaços mas esqueceu-se de acompanhar Danilo no momento mais preponderante da partida. Às vezes basta errar num lance para perder um jogo, e este foi um desses casos.

Vitor: 6 – Substituiu André Martins quando Adrien era aquele que menos dava à equipa. Conseguiu segurar a bola quando a teve, distribuiu bem mas não é um jogador que por si só mude um jogo. Mostrou bons apontamentos e parece pronto para uma oportunidade no 11 inicial.

Gerson Magrão – Entrou porque Carrillo tinha de sair e não havia mais nenhum extremo no banco. Fechou o flanco esquerdo mas pouco podia fazer nos poucos minutos em que esteve em campo.

João Almeida Rosa

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