Última horaBruno Pinheiro: «Demos uma boa resposta e fomos extremamente competitivos, deixa-me muito satisfeito»
Publicidade

Fazer a revolução?

Pedro Nuno Silva · 3 min

Fazer a revolução?

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

cabeçalho fc porto

As recentes exibições do Futebol Clube do Porto deixaram os adeptos à beira de um ataque de nervos e foram, claro, sobreanalisadas. Todas as opiniões e crónicas convergiram para um culpado: Julen Lopetegui. Compreensível e na minha opinião correcto. Mas o que fazer neste momento? Digo para se voltar a fazer simples e cerrar fileiras.

Quando nada corre bem, quando o coração toma o lugar da cabeça, a tendência é para fazer uma revolução. No desporto, como na política, as revoluções vêm com um custo: o factor surpresa. A esperança de que tudo mude para melhor é tão grande que nem sempre fazemos uma análise fria acerca dessas mudanças. O treinador basco já mexeu e o resultado não foi o esperado. Já aconteceu assim anteriormente. A conclusão que se pode tirar é que as mudanças a fazer têm que ser cirúrgicas, criteriosas, opondo-se a grandes revoluções. E que a única coisa que neste momento precisa de uma revolução é a mentalidade da equipa – coesão e força.

O problema do Porto este ano é a dificuldade em fazer golos e em criar perigo constante. A equipa técnica tem de estudar o que está a falhar no seu processo (treino, táctica, estratégia…) para que possa aplicar uma correcção adequada e nivelada. Grandes mudanças nas escolhas de jogadores, trocas de posições, alterações significativas de estratégia… Em suma, tudo o que envolve mudança profunda exige tempo para adaptação. O Porto não tem esse tempo. Não podemos cair no erro de desfazer o que está bem para corrigir algo que por vezes nem sabemos bem o que é – os meios não justificam os fins!

A exibição realizada frente ao "aflito" Tondela agravou as críticas a Lopetegui Fonte: FC Porto
A exibição realizada frente ao “aflito” Tondela agravou as críticas a Lopetegui
Fonte: FC Porto

Outro grande problema que já vem desde o ano passado é a força mental que o Porto não tem. Os Dragões são incapazes de virar um jogo! Quando a incapacidade de criar perigo se junta aos golos consentidos a equipa entra em “blackout” – é desesperante ver o Porto atrás de um resultado. Aqui se vai ver se Lopetegui consegue ser um comandante – tem de ser o último a abandonar o navio. Um treinador que perde o controlo das emoções e que não tem a frieza (e por vezes uma palavra amiga) necessária de análise vai sempre passar a ideia de que está desorientado.

Ninguém segue um comandante que não sabe o caminho e que não consegue proteger os seus pupilos. As declarações do treinador espanhol demonstram que perdeu um pouco o controlo, assumiu as culpas como que para calar as críticas. Foi perceptível que não acredita que tem culpa no cartório e, pior que tudo, entrou em negação: diz bem de exibições péssimas.

Se eu pudesse dar um conselho a Lopetegui seria o de cerrar fileiras. Proteja a equipa, assuma os erros e diga que vai trabalhar neles para melhorar. Se não percebe o que está mal volte à equipa que lhe garantiu melhores resultados. Na conversa no balneário passe confiança; só eles importam. O que vem de fora é o resultado de paixões ou ódios. Exalte o que de melhor eles têm: a sua qualidade enquanto futebolistas.

Aos portistas diria o que já escrevi aqui: há um “timing” para revoluções. Este não é o momento para tal, sob risco de hipotecar não só o presente mas também o futuro. Amanhã, mais uma prova de fogo para esta equipa; temos que quebrar o enguiço de jogar na Madeira. Os olhos estão postos em Lopetegui.

Foto de Capa: FC Porto

 

Pedro Nuno Silva

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Enquanto houver estrada para andar Rui Borges vai continuar | Sporting 2-1 Marítimo

Há uma frase do Lampedusa que toda a gente cita mal: é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma. Rui Borges levou-a à letra na terça-feira. Mudou os onze. Não nove, não dez, os onze, do guarda-redes ao ponta de lança, o que é um gesto que um treinador de um grande só faz quando percebeu que já não tem nada a perder por aí. Saíram o Kaique, o Fresneda, o Ba, o Gonçalo Inácio, o Maxi, o Altimira, o Doumbia, o Flávio, o Luis Guilherme, o Irankunda e o Suárez. Entrou uma equipa que ninguém tinha visto jogar junta. E ganhou. Convém lembrar de onde vinha o Sporting, porque sem isso o 2-1 não se percebe. Vinha de duas derrotas consecutivas em casa, com o LASK Linz e com o Académico de Viseu, do primeiro desaire interno da temporada, de nove pontos de atraso para o FC Porto e de lenços brancos nas bancadas no domingo à tarde. Alvalade tinha-se habituado a ver a bola circular muito e a chegar a lado nenhum. Dois jogos seguidos a cruzar por cruzar contra blocos que se fechavam e a sofrer sempre do mesmo modo, com a bola trocada para o lado contrário e um cruzamento rasteiro que ninguém cortou.

Manuel Nascimento · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.