A CRÓNICA: FALTOU CLÁSSICO AO CLÁSSICO

Foi o jogo cartaz da 21ª jornada do Campeonato, não fosse ele “o Clássico”. O Estádio do Dragão foi palco daquele a que se intitula como um dos jogos do título. O FC Porto recebeu, na sua casa, o Sporting CP naquele se esperaria ser um verdadeiro duelo de titãs, não fosse entre os lugares cimeiros da tabela do campeonato.

Depois do arrepiante minuto de silêncio em homenagem a Alfredo Quintana, guarda-redes da equipa de andebol do FC Porto, que faleceu no dia anterior, deu-se início ao “Clássico”.

Os minutos iniciais caracterizaram-se por um equilíbrio no meio-campo e com muito poucas oportunidades flagrantes de golo. Entre o taticamente rico e o jogado com emoção, fica uma linha algo ténue e ao cargo de quem viu o jogo. Logo aos oito minutos, o FC Porto reclamou grande penalidade numa eventual falta sobre Marega, mas o árbitro João Pinheiro mandou seguir a jogada.

Anúncio Publicitário

Com o decorrer do tempo, a pressão ofensiva tendeu a cair par ao lado dos dragões. A partir dos 25 minutos, os azuis e brancos estiveram mesmo por cima. A primeira ocasião foi um remate de Manafá para defesa de Adán. Poucos minutos depois, surgiu uma nova oportunidade favorável aos dragões, depois de uma jogada ao longo da grande área sportinguista, onde o guardião leonino acabou por parar a ofensiva portista depois de um passe de Sérgio Oliveira.

O ritmo de jogo voltou a cair, e foi notória a diferença existente nos médios do Sporting CP, nomeadamente João Mário e João Palhinha. Enquanto o primeiro era o verdadeiro construtor de jogo dos leões, o segundo mostrava alguma espécie de nervosismo e as perdas de bola começaram a aparecer e a traduzir-se em oportunidades para o FC Porto. Na sequência de uma destas perdas de bola, Taremi poderia ter sido muito feliz ao inaugurar o marcador, já nos últimos dez minutos da primeira parte.

Ambas as equipas precisavam do intervalo, quer para refrescar o corpo, quer para refrescar as ideias e estratégias de jogo. Os primeiros 45 minutos do jogo não transpareceram, de todo, aquilo que é, ou deve ser, um clássico.

E a entrada para a segunda parte foi algo totalmente diferente daquilo que foi visto na primeira. Depois do leão adormecido dos primeiros 45 minutos, acordar e começar a fazer muita mais pressão à defesa azul e branca, o marcador já podia ter sido mesmo inaugurado por qualquer uma das equipas, apenas nos dez minutos iniciais da segunda metade. Aos 55 minutos, os leões podiam ter aproveitado, mas acabou por ser assinalado fora de jogo, e, no lance seguinte, registou-se uma enorme oportunidade favorável aos dragões, mas Taremi chegou tarde para encostar a bola.

O jogo voltou a arrefecer, levando ambos os treinadores a efetuar alterações, principalmente na frente de ataque de cada uma das equipas. A que mais cedo se revelou foi a entrada de Matheus Nunes, em detrimento de Nuno Santos. Aos 73 minutos, depois de um alívio ainda na grande área de Ádan, o jovem arrancou pela lateral fora quase fazendo o primeiro golo na partida. Fica a nota da entrada fogaz do jogador dos leões.

No lance seguinte, depois de uma jogada individual de Evanilson, que mostrou entrar muito bem no encontro, foi Taremi, novamente, a estar realmente perto do golo.

O aproximar do minuto final trouxe mais emoção ao jogo, não só pelo passar do tempo, mas pelo número de ocasiões que apareceram. Depois de um jogo tão morno que oscilava entre o taticamente rico e jogado com a emoção, via-se que o futebol começava a aparecer. A história que fica para contar até então seria a do professor João Mário da turma de Alvalade a tentar ensinar aos colegas de setor uma lição relativa ao que se faz no meio-campo e uma lição de consistência defensiva geral por parte dos professores Pepe e Mbemba, na universidade do Porto.

E pouco mais história houve para contar. Um empate sem golos, que mantêm a distância entre os lugares cimeiros na tabela ocupados pelo Sporting CP e FC Porto, respetivamente.

 

A FIGURA

Top peças fundamentais no clássico
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Substituições efetuadas – As substituições efetuadas foram, de forma óbvia, aquilo que fez despertar o jogo. Tanto as alterações efetuadas como Sérgio Conceição, como por Rúben Amorim, deram alguma vida e esperança nos minutos finais do jogo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Faltou Clássico ao Clássico – Um clássico é um dos jogos mais fervorosos de uma época, um jogo com história, principalmente durante os 90 minutos. Neste duelo entre o FC Porto e o Sporting CP isso não aconteceu. Faltou futebol. Faltou clássico.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sérgio Conceição moldou o seu esquema tático num 4-4-3, como o esperado. O objetivo de manter uma pressão alta sobre os leões e, ao mesmo tempo, ter uma consistência defensiva era um dos desafios.

Um das grande dúvidas antes do jogo seriam os laterais e como estes se poderiam movimentar no terreno. O técnico dos dragões manteve a dupla habitual, Manafá e Zaidu. A questão pôs-se devido à capacidade do Sporting CP, eventualmente, aproveitar e explorar os eventuais espaços deixados, em contra-ataque, devido aos laterais estarem muito subidos no terreno, sendo esse um dos pontes fortes da equipa verde e branca.

A construção de jogo acabou dividida entre o jogo interior, pelo meio-campo através de Sérgio Oliveira, e a construção pelas alas, optando por utilizar a total largura do relvado do Dragão.

No que toca aos homens do ataque, frisou-se a importância de Mehdi Taremi no dificultar da primeira fase de construção de jogo do Sporting CP.

 

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES 

Augusto Marchesín (6)

Wilson Manafá (6)

Pepe (6)

Chancel Mbemba (6)

Zaidu Sanusi (6)

Matheus Uribe (6)

Sérgio Oliveira (6)

Otávio Monteiro (6)

Jesús Corona (6)

Mehdi Taremi (6)

Moussa Marega (6)


SUBS UTILIZADOS

 

Evanilson (7)

Francisco Conceição (6)

Luís Diaz (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Rúben Amorim apostou num 3-5-2, com o objetivo de manter o jogo bastante compacto no meio-campo, de forma a conseguir atuar entre linhas.

O forte ataque na profundidade e a procura do erro na construção de jogo do FC Porto foram os pontos fortes e dois dos grandes métodos de jogo implementados no Sporting CP.

Os leões atuaram em linhas muito juntas, num bloco bastante consistente. Na construção de jogo, houve uma clara aposta nas diagonais para atrair defesas adversários para conseguir ter o corredor livre para atacar.

No meio-campo, uma das grandes valências da turma de Alvalade foi a dupla Pedro Gonçalves – João Mário, cuja definição e critério no último passe seriam fulcrais na possível concretização de oportunidades.

 

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

António Adán (6)

Nuno Mendes (5)

Gonçalo Inácio (6)

Sebastián Coates (6)

Zouhair Feddal (6)

Pedro Porro (6)

João Palhinha (6)

João Mário (7)

Pedro Gonçalves (6)

Nuno Santos (5)

Tiago Tomás (5)

 

SUBS UTILIZADOS

 

Matheus Nunes (7)

Tabata (7)

Jovane Cabral (-)

Matheus Reis (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Não foi possível colocar questões ao técnico do FC Porto, Sérgio Conceição.

 

Sporting CP

Não foi possível colocar questões ao técnico do Sporting CP, Rúben Amorim.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome