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FC Porto 1-0 Club Brugge: Exige-se mais, muito mais

Bernardo Lobo Xavier · 5 min

FC Porto 1-0 Club Brugge: Exige-se mais, muito mais

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Exibição fraca (mais uma), muito fraca mesmo, do FC Porto. Jogo pálido de princípio ao fim. Primeira parte má, segunda parte sofrível.

Mas comecemos pelo princípio. O Porto fez alinhar, na partida de hoje, a sua equipa de “gala”, com a exceção da troca de Miguel Layun por Maxi Pereira. O Porto entrava, então, em palco no já habitual 4x1x3x2 com Casillas na baliza, o quarteto defensivo comporto por Telles, Marcano, Felipe e Maxi, secundados pelo pivot defensivo Danilo. No apoio à dupla Jota/André Silva jogaram, também, os três do costume: Otávio sobre a esquerda, Herrera mais à direita e Oliver como maestro. Era, portanto, a equipa tipo do Porto que ia atacar o campeão belga. O Brugge apareceu no Dragão num 4x4x2 clássico, ao contrário do que havia sucedido no jogo da primeira volta no qual Michell Preud’Homme havia apostado numa estrutura com três defesas centrais.

No primeiro tempo o Porto foi dono e senhor do jogo. Controlou a posse de bola (ao intervalo era de 60% para o Porto e 40% para o Brugge) mas faltou velocidade e largura. O jogo começou muito disputado a meio campo com as equipas, como se costuma dizer, a estudarem-se uma à outra. No entanto, à medida que o tempo ia correndo o Porto começava a crescer e a instalar-se no meio campo adversário, sem nunca, apesar de tudo, ter tido a lucidez suficiente para materializar a posse em oportunidades. Aliás, nesse particular Porto e Brugge equivaleram-se, com uma oportunidade pra cada lado: aos 25 minutos Wesley desvia dentro de área um cruzamento para intervenção de Casillas e aos 34 o Porto respondeu por Alex Telles num livre lateral que acaba por não ser desviado e embate na barra, sendo que o Guarda-Redes belga defendeu, de seguida, a recarga de Danilo. Parecia, então, que se compunha o cenário perfeito para uma igualdade a zero ao intervalo que, diga-se, apesar do domínio portista, seria um resultado justo. Todavia, a 8 minutos dos 45, canto, igualmente batido por Alex Telles, e cabeceamento do jovem talismã André Silva que depois de sofrer um desvio num adversário só parou no fundo das redes da baliza belga, à guarda de Butelle. O Porto era, assim, salvo por André Silvas mas as bancadas do Dragão desconfiavam e tinham razões para isso.

No reatar da partida o Porto entrou irreconhecível. Entregou a bola ao Brugge e esperou pelo apito final. E podia ter-se dado muito mal. Para se ter uma ideia, a posse de bola no fim do jogo já era de 50/50, o que ilustra bem aquilo que se passou na segunda metade: Porto metido no seu meio campo a tentar suster as investidas do Club Brugge, tentando apenas sair através de bolas bombeadas para a velocidade da dupla atacante. A toada de jogo mantinha-se e só as substituições de Herrera e Diogo Jota para as entradas de Rúben Neves e Corona (a primeira aos 62 minutos e a segunda aos 70) estancaram por alguns instantes o jogo belga e conferiram ao FC Porto alguma clarividência. Mas foi sol de pouca dura. Nos 10 minutos finais o Porto voltou a recuar e o Estádio do Dragão só voltou a descansar depois do apito final do senhor Angel Rodriguez, árbitro espanhol que apitou a partida. Foram 45 minutos medíocres do Porto que, para quem não acompanha o fenómeno do futebol, devem levar à seguinte questão: Afinal qual é o clube grande, de dimensão europeia e que conta com 7 títulos a nível internacional no seu palmarés? O FC Porto ou o Club Brugge? Sim, é o Futebol Clube do Porto mas a julgar por este jogo não parecia.

Em suma, foi mais um jogo pobre do FC Porto e um ensaio falhado para o (fundamental) jogo de Domingo. O Porto usou e abusou do jogo direto (começa a tornar-se um vício) e voltou a não ter largura no seu jogo, já que joga sem extremos e os laterais não têm sido suficientes para criar mossa pelos corredores. Há, portanto, muito para Nuno e a sua equipa técnica pensarem e trabalharem no sentido de melhorar a qualidade de jogo da equipa. Domingo há jogo grande, jogo no qual o a equipa do Porto terá forçosamente de se apresentar a um nível muito mais elevado sob pena de ver o Benfica (que também fez uma exibição pálida no dia de ontem) alargar a distância entre ambos. Exige-se mais, muito mais.

A FIGURA

Fonte: Facebook Oficial de Alex Telles
Fonte: Facebook Oficial de Alex Telles

Dupla de centrais, Danilo e Alex Telles: Mais um excelente jogo da dupla de centrais do FC Porto, pelo chão ou pelo ar foi tudo deles e muito da vitória de hoje passa pelo trabalho impecável que fizeram. Marcano já tem vindo a ser destacado pela opinião pública e publicada por isso quero destacar o trabalho de Felipe que em pezinhos de lã se vem afirmando como um magnífico Defesa Central, muito forte no jogo aéreo e a jogar na antecipação. Danilo voltou o patrão do meio campo portista, com um enorme pulmão foi fundamental quer a defender, com inúmeros roubos de bola, e a atacar, por via do transporte de bola, queimando linhas e empurrando a equipa para a frente. Para terminar, grande exibição de Alex Telles que fez o corredor esquerdo inteiro do FC Porto com enorme brilhantismo durante os 90 minutos. Muito forte quer em missão ofensiva quer defensiva, foi dos seus pés que saíram os lances de maior perigo do FC Porto, nomeadamente através da cobrança de bolas paradas.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Herrera, o 4x1x3x2 e o “Chuveirinho”: Jogo fraco do médio mexicano (tem sido uma constante esta época e desde que chegou ao clube) que pareceu cansado e fora de posição. Pecou, principalmente, e como é habitual, no capítulo do passe, com inúmeros passes falhados durante o primeiro tempo. Quanto ao 4x1x3x2, não se trata de uma crítica ao sistema em si. Mas, implementado desta forma retira, como já foi referido, largura à equipa e afunila demasiado o jogo do Porto. Cabe a Nuno Espírito Santo encontrar as melhores soluções para conferir uma melhor dinâmica a este sistema ou começar a colocar a hipótese de um retorno ao 4x3x3 dada a enorme qualidade dos extremos do plantel do Porto, com Corona e Brahimi à cabeça. Por fim, reprovar um comportamento que tem sido recorrente no FC Porto esta época que é o pontapé para a frente. Por vezes, o Porto dá a ideia de ser uma equipa pequena, sem ideias e que apenas consegue subir no terreno por via do jogo direto. Esta não é a melhor forma de reduzir o campo a 65 metros como pedia Nuno na conferência de imprensa pós Arouca.

Bernardo Lobo Xavier

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