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FC Porto 2-1 Benfica: o menor dos males

Filipe Coelho · 5 min

FC Porto 2-1 Benfica: o menor dos males

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Com um quente sol a dar as boas-vindas ao maior clássico do futebol português e praticamente um ano depois do ‘momento Kelvin’, o Benfica voltou ao Dragão para disputar um jogo do campeonato. Se do lado dos encarnados, muitas foram as alterações a pensar nas duas finais que se avizinham, da parte dos ‘dragões’ Luís Castro surpreendeu ao dar a titularidade a Mikel e a Ricardo nos lugares de Fernando e Varela, respectivamente.

O jogo começou agitado, muito por culpa de um FC Porto preocupado em chegar ao golo desde cedo. Actuando preferencialmente pelo lado direito, Ricardo começou a todo o gás: primeiro com um remate rasteiro a passar muito perto do poste da baliza do Benfica (2’); depois, abrindo o marcador com uma excelente execução à entrada da área, culminando uma jogada que começou com uma recuperação de bola de Defour e passou por um passe cheio de intenção de Danilo (4’). Perante um Benfica um pouco perdido nesta fase, o momento alto da tarde poderia ter pertencido a Jackson Martinez, quando o colombiano, de costas para a baliza, depois de um cruzamento de trivela de Quaresma, “sacou” de um ‘taco’ e fez a bola passar junto às redes de Paulo Lopes (8’).

De facto, os primeiros minutos da equipa portista foram muito fortes, carrilando jogo pelos corredores e criando variadas oportunidades. Para isso muito contribuiu o jogo apoiado da equipa, circulando de forma relativamente rápida, e a boa performance de Defour, Herrera e, sobretudo, Ricardo. Os primeiros 20 minutos foram de intenso domínio azul-e-branco, o que, apesar do inegável mérito, muito se deveu igualmente à descoordenação benfiquista e à falta de rotinas de alguns elementos.

Todavia, o jogo haveria de virar… Na primeira jogada em que os encarnados conseguiram chegar à área portista, Reyes cometeu penalty – de forma tão ingénua quanto desnecessária – sobre Salvio (26’). Enzo Perez não desperdiçou e empatou a partida. O FC Porto sentiu o golo, deixou de ser tão clarividente e, logo de seguida, Alex Sandro cometeu um enorme disparate, perdendo a bola para Salvio numa zona nevrálgica do campo, com o ‘18’ da equipa da Luz a assistir Funes Mori, que, em boa posição, falhou o alvo numa péssima finalização.

Num momento em que a partida estava mais repartida – basta Enzo Perez pegar na batuta para o jogo do Benfica melhorar consideravelmente –, Jackson foi impedido de chegar a uma bola dentro da área e Rui Costa assinalou grande penalidade – o colombiano assumiu a marcação e concretizou o castigo máximo de forma irrepreensível, colocando o FC Porto de novo na frente do marcador (39’). O jogo arrastou-se até ao intervalo, ainda com uma nota para mais um remate fortíssimo e perigoso de Ricardo, que saiu por cima da baliza defendida por Paulo Lopes.

Legenda: Com mais um golo, Jackson garantiu o estatuto de melhor marcador da Liga  Fonte: FPF
Com mais um golo, Jackson garantiu o estatuto de melhor marcador da Liga
Fonte: FPF

O reatar da partida foi bastante interessante e ‘mexido’. Depois de uma bola parada ofensiva, o central Reyes surgiu diante da baliza encarnada mas tropeçou na bola; na resposta, mais um erro defensivo da defesa portista (como tantos outros ao longo desta temporada), com Maicon e Fabiano a hesitarem e o sérvio Djuricić a enviar a bola à trave.

O Benfica aparecia em campo mais espraiado, com outra profundidade e tranquilidade no seu jogo. Mais do que isso, a partida estava agora mais partida – bem à semelhança do que gosta Jorge Jesus –, como provam os remates com algum perigo de Defour e André Gomes, em jogadas consecutivas. Mesmo com excelentes pormenores de Mikel – não tem a amplitude de jogo de Fernando, mas surgiu muito determinado, a jogar simples e com timin’ no desarme –, o meio-campo do FC Porto já não reinava como anteriormente.

Percebendo-o, Luís Castro trocou Herrera por Quintero (61’). Porém, a substituição só veio agudizar a circunstância de o FC Porto não conseguir mais controlar essa zona do terreno, perdendo ainda capacidade de choque. Jorge Jesus fazia, entretanto, Markovic entrar em campo e o jogo benfiquista era cada vez mais vertical, criando outros problemas ao reduto defensivo do FC Porto. Ainda que sem criar evidentes oportunidades de golo, é certo.

Luís Castro voltou a mexer e deu ao jogo Josué, por troca com Defour (71’). Nesse momento, o belga já não dava conta do recado na zona central e, com o ex-pacence, procurava-se outra agressividade na disputa da bola. Nem por isso a equipa melhorou e o jogo tornou-se até um pouco aborrecido, dada também a incapacidade do Benfica de criar lances de perigo. Nesta fase, aliás, apesar de nem sempre de forma estética, Maicon e Reyes foram eficazes.

O treinador portista haveria ainda de lançar Kelvin para o jogo, fazendo sair um apagado e inconsequente Quaresma (79’). O brasileiro trouxe muitos mais aplausos do que impacto no jogo, ainda que tenha estado presente na jogada em que mais se ‘cheirou’ o golo na 2ª parte: após uma incursão de Danilo pela lateral direita, Quintero, na zona da marca de grande penalidade e com a baliza à sua mercê, atirou ao lado.

Ricardo foi o melhor jogador em campo  Fonte: ZeroZero
Ricardo foi o melhor jogador em campo
Fonte: ZeroZero

O apito final de Rui Costa haveria, entretanto, de chegar e, com ele, o final de época (triste) para o FC Porto. Deste jogo, sobra o parco consolo de uma vitória justa sobre o emérito campeão – o Dragão foi (quase) sempre melhor ao longo do jogo, ainda que, com outra capacidade de gerir o jogo (e o meio-campo), escusasse de ter sofrido alguns calafrios.

De quem esteve no Dragão sobra ainda a certeza da imensa festa protagonizada pelos benfiquistas, ainda que o placard desta vez não lhes tenha sorrido. Ao contrário de há um ano, este 2-1 favorável ao FC Porto não teve contornos dramáticos, personagens ajoelhadas ou apelos às glândulas lacrimais.

A Figura:
Ricardo –
foi uma das surpresas na equipa titular e correspondeu plenamente. Marcou um golo, criou mais 2/3 lances de perigo e colocou, durante muito tempo, a cabeça de André Almeida em água. Trabalhou também muito sem bola, pressionando a defensiva benfiquista e recuperando várias bolas, demonstrando uma enorme entrega e abnegação ao longo de todo o jogo.

O Fora-de-Jogo
Alex Sandro –
é um craque e tem imenso potencial mas, ao longo destes meses, tem coleccionado exibições sofríveis. Não tendo neste jogo o pior desempenho da época, a verdade é que sentiu imensas dificuldades para lidar com a velocidade e imprevisibilidade de Salvio, perdendo uma bola que poderia ter sido fatal. A nível ofensivo, pouco se lhe viu. É um caso gritante de necessidade de férias.

Filipe Coelho

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